não tem nada melhor do que sentir cuidada em tempos de crise.
amor é sobre deixar descansar os ombros e dividir o peso.
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não tem nada melhor do que sentir cuidada em tempos de crise.
amor é sobre deixar descansar os ombros e dividir o peso.
te falei de todas as minhas angústias e medos chorando enquanto você dizia que tudo aquilo não era real, mas ao mesmo tempo, confirmava calado tudo que elas gritavam. eu te dei uma flecha, amor, igualzinho aquela arte performática de Marina Abramovich que te mostrei, e você não segurou nem 2 minutos. só soltou, sem pensar muito. tu me dizia com tanta certeza que nosso amor era maior do que qualquer loucura irracional dessas que, por um momento, eu juro que acreditei, mesmo que eu saiba exatamente como isso tudo funciona. acho que a mentira é a pior de todas as formas de traição. e eu nem sei quantas formas existem mas sei que senti todas elas me atravessando o coração. eu nunca vi tanto sangue. e dessa vez, juro que não sei o que fazer nem como fazer pra estancar isso tudo. de todas as formas que tu poderia me matar, tu escolheu a mais dolorosa.
[entre crises e ascensões, me permiti parar para contemplar o tempo.
as vezes, quando tá tudo muito ofuscado, o ato de romper as próprias limitações só acontece quando a gente para e consegue enxergar. porque o próprio tempo ofusca a visão de suas linhas.
fui criada no limbo entre passado e futuro e aprendi com os dias ruins a tapar a vista pro que é palpável. esqueci que o que é importante já está. já é. não sou quem era a 4 anos atrás e tinha orgulho. sou o hoje e o hoje se renova todo dia.
tentar resgatar o velho eu é parar no tempo. parar de se enxergar no hoje também é parar no tempo. pensar em construir o futuro compulsivamente é parar no tempo. a vida é renovação.
descobri que toda vez que eu olho pra trás, eu fico lá. e eu, que sempre fui apaixonada na energia de renovação que todo começo de ano traz, entendi que não faz sentido comemorar o fim do ano se eu posso comemorar o fim do dia, fazendo todo hoje ser ímpar, me perdoando e abraçando toda oportunidade de recomeçar.]
a gente criou todos o caos que somos em nome do medo de viver o que sentimos e de fazer as coisas do jeito certo. medo porque desconfiar e criar paranoia faz mais sentido na cabeça pós trauma do que se permitir a viver as coisas boas. travamos uma guerra, um contra o outro, pra depois perceber que éramos pra estar lado a lado nas trincheiras. dissipamos nossa energia em nos matar, pouco a pouco, em vez de direcionar toda essa potência pra construir um mundo novo. eu tenho certeza que a gente podia ser muito feliz no nosso mundo, amor, na nossa casa, nos nossos planos, mas a gente cavou nossa própria cova. em nome do medo de cair, um machucou o outro da forma mais violenta que poderíamos nos machucar. e quando não sobrou mais nada pra destruir, quando as escolhas já não podiam ser feitas, quando viver junto já tinha se tornado o purgatório na terra, a gente reconheceu a essência criadora do amor que sentíamos, que é bem maior do que a potência destrutiva disso. mas aí já não tinha mais o que fazer, amor. eu, minha impulsividade e minhas crises, você, seu complexo de inferioridade e todas aquelas inseguranças gritando na sua mente. a gente destruiu tudo que podia ser bonito antes de sonhar com a beleza disso.
eu pensava que todos meus futuros sentimentos seriam a repetição entediante do que eu já senti até tu aparecer e me fazer sentir o medo de sentir algo tao forte de novo
e é por isso que to aqui
por todas as vezes que vc me mostrou que ser honesta comigo mesma e leal aos meus proprios sentimentos podia me salvar da minha própria frustração e insegurança
por todas as vezes que a gente conseguiu se enxergar como dois seres humanos cheios de erros mas que sempre quiseram acertar
por todas as vezes que a gente ignorou o orgulho, a tendência de evasao, a dificuldade de comunicação, a frustração, a insegurança, a opinião dos outros, o receio do julgamento e o mundo conspirando contra e viveu isso aqui com tudo que a gente tinha em mãos
por toda estrada que a gente andou correu tropeçou caiu e se levantou, mas pelo fato de que tu nunca me deixou com a sensação de estar rodando rodando rodando no mesmo lugar; contigo tudo tem cheiro de novo
nossos altos e baixos me fizeram entender que amor nem sempre é tudo, mas estar disposto a se enxergar no outro é
vc é meu “nunca senti isso com ninguém antes”
obrigada por me fazer sentir coisas novas todo santo dia
quero descobrir o mundo com você
eu só queria que você entendesse que não é sobre precisar ter alguém, mas é sobre QUERER ter você. individualmente. genuinamente. eu te amei genuinamente - por você ser o que você é. relevei os defeitos, os gritos, os surtos. eu me vi ignorando tudo pelo que eu lutava porque queria que você me compreendesse. não to falando isso como uma prova de amor. eu sei que é errado ignorar os próprios princípios por alguém. eu nunca fui cega, sempre enxerguei e continuei. te mostrando todos os percalços que passei pra te mostrar o quanto sempre foi você. e você nunca botou fé. relevei as dores. te compreendi verdadeiramente. sofri pelo teu sofrimento. eu te admirei do começo ao fim. tua força. tua forma de parecer impassível frente aos problemas. calado. certo de si. tão certo de si que me fez duvidar de mim.
você nunca enxergou que viver com você me fez firmar minhas próprias âncoras. minha própria forma de me relacionar. e ao mesmo tempo me fez duvidar de mim porque você era o único que nunca enxergou. ou não quis enxergar. dizem que o gostar genuíno ignora tudo que tange o racional e eu nunca fui tão irracional por alguém.
talvez a intensidade tenha nos destruído.
eu sempre quis o presente. o nosso presente. fazia de tudo pra gente viver o hoje. o futuro, no máximo. planejei mil viagens. mil céus pra admirar do teu lado. mil mares pra gente entrar. mil corres pra fazer o jogo virar juntos. me vi crescendo do teu lado, te vi crescendo do meu. tentei te apoiar em tudo que tu amava e todo teu apoio me jogava pra frente. ignorei teu passado. vivi o que precisava ser vivido pra não lembrar do que não era importante. nada além de eu e você. mas você sempre viveu no passado. se internou em coisas que nem aconteceram. eu sempre coloquei tua partida como nossa prova de fogo, mas agora acho que se estivéssemos longe seria mais fácil.
“de longe na estrada só penso em te ligar”.
numa varanda em pipa com frio esperando a chuva cair ou vendo o céu sem estrelas em um dia comum de poluição, enquanto a gente se interna um no outro, toma uma heineken e compartilha o dia:
o céu nunca mais vai ser o mesmo sem você.
o céu que nos separa vai ser o céu que sempre vai me lembrar de você.
“eu te deixo ir porque te amo e aprendi que o amor fala mais sobre liberdade do que qualquer outra coisa” (última dança - agnes)
tenho muito a ser dito mas sempre que abro o bloco de notas as palavras me fogem fogem por um costume abandonado fingem que nunca estiveram ali esquecem que antes, o papel era minha única forma de lidar com há de mais escroto na humanidade as palavras me fogem por ciumes ciumes da rotina que me roubou ciumes do tempo que não dedico mais à escrita nem à arte, nem à criação é díficil lidar com o mundo sem a sua válvula de escape mas é o que é, não? tempo, rotina, correria
o tempo que deveria estar a nosso favor nos custa caro custa paz temos todo tempo do mundo somos tão jovens mas jovens também são mão de obra e barata tipo que as empresas mais gostam a verdade é que nunca tivemos tempo nossa juventude nos foi roubada antes mesmo de nascermos
estamos ansiosos o tempo todo pensando num futuro que não chega com medo de um passado que já foi querendo ser produtivo o dia todo até em isolamento tentando o equilíbrio a busca de um ser humano saudável disciplinado ponderado a autoajuda e o porquê nós tentamos fugir da nossa real essência do nosso cérebro repitiliano primitivo e espontâneo? globalização não temos intuição não mais temos estímulos temos o celular temos rede social o dia todo nos irritamos por fakes que veem nossos stories ficamos putos por curtidas vemos uma avalanche de informação caindo sobre nossos olhos o dia todo e isso nos afasta do que somos do que sentimos de ouvir nossa respiração de estar ligados a nós mesmos de nos auto-conhecer e até em períodos de isolamento social nós nos cobramos cobramos uma disciplina e efetividade que não deveríamos ter burn-out
o tempo não existe o nosso tempo é das multinacionais tá dentro dos cofres dos seus bancos de suas contas cheias de dinheiro das suas ações investidas no estrangeiro das sociedades que eles acumulam da mente dos políticos é o sistema, que diz? neoliberalismo e o porquê de seguirmos nos anulando tanto capitalismo e o porquê produzimos riqueza pros grandes e anulamos as pequenas riquezas que temos em nome da grande mão invisível a mão invisível que contabiliza todo tempo perdido e nos cobra mais tempo contra nossa vontade
A verdade é que tu parece aquele barulho de mar que a gente ouve quando bota o ouvido perto da concha. Aquela sensação boa de fechar os olhos e se imaginar na praia e a dúvida que eu sentia quando era criança: como foi que enfiaram algo tão grande numa concha que cabe na minha mão? Me traz a mesma inocência do primeiro amor, mesmo com as cicatrizes dos outros. Me manda fechar os olhos e sentir, e eu sinto, e sinto tanto que minha vontade é abrir os olhos pra ver teu rosto e agradecer a todos os deuses por terem te feito desaguar aqui. Mesmo que você não acredite em nada disso, você é meu milagre. E a verdade é que eu não tenho medo do desconhecido mais. Eu não tenho medo do sofrimento quando olho pra teu olho de pertinho que nem a gente faz agarradinho dando cheiro um no outro em dias de paz de espírito em que você está comigo. Eu não tenho medo de que você vá embora, mesmo sabendo que tudo é tão incrível quando tu tá aqui: eu só quero saber quando tu volta; quando tu deita na minha cama de novo; quando eu posso te ver me acordando com aquela cara de sono as 7 da manhã e me enchendo de beijo. A mesma inocência de uma criança que descobriu o amor. Eu não tenho medo de que um dia você vá embora porque você me deu dias incríveis. Me deu a vontade de renascer em amor e tua água fez brotar aqui tudo que eu pensei que não existia mais. Eu não tenho medo de entrar no mar e atravessar as pedras, ir até o fundo. Onde meus pés não alcancem o chão. Não tenho medo das pedras, nem de voltar toda ralada.
Você me lembra a primeira vez, a surpresa da primeira vez, que coloquei uma concha em meu ouvido: tem cheiro, cor, toque e barulho de esperança.