O Diário Centenário
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E a única resposta que Jaspe recebia era o barulho do vento que entrava pela janela e causava mais desordem em páginas e mais páginas. Com dificuldade Jaspe fez com que o barulho parasse, começou a ajuntar os papéis, batendo os olhos rapidamente sobre os escritos.
- Barba Cinza? - perguntou o menino novamente, sem resposta dessa vez.
Muito estranho o ancião não estar naquele momento no templo. Pela tarde sempre gastava horas e mais horas com orações ou conversando com alguns senhores que vinham compartilhar histórias maravilhosas com Barba Cinza.
A neblina, pelo vitral colorido do altar, parecia se tornar cada vez mais densa e escura. Jaspe, um tanto preocupado, resolveu subir para a varanda do piso superior esperando encontrar o velho sacerdote e claramente ter uma vista mais ampla sobre a situação da pacata vila. A varanda parecia mais clara, como se estivesse sobre as nuvens pesadas, e lá estava a velha mesinha e uma cadeira de madeira onde Barba Cinza passava horas olhando para a paisagem congelante e cantando músicas alegres. O menino se impressionou com o que viu ali de cima: no horizonte,o sol laranja parecia maior que o normal. Reparou que na mesinha tinha um caderninho de couro velho todo remendado, certamente não tinha sido comprado ontem, cheirava épocas passadas.
Curioso como de costume, Jaspe começou a abrir o caderno devagar... percebeu que a caligrafia era do Barba Cinza, mas não era escrito num idioma conhecido pelo menino. Folheou rapidamente e a única coisa que conseguia entender eram as datas, como que se fosse um diário. Ao chegar na última página do diário percebeu que tinha sido escrita naquele mesmo dia, no entanto a mensagem não parecia estar acabada. As últimas letras estavam sem forma e bem apagadas, formando quase um rabisco sem sentido algum...
Jaspe ouviu a porta do templo batendo e, assustado, guardou consigo o caderno. Do alto da escadaria que levava para a varando começou a perguntar:
-Barba Cinza, é o senhor? Barba Cinza?
Jaspe ficou encantado com o que estava vendo. Uma menina, com o cabelo vermelho bagunçado e casacos de pele entrara pela porta. Ela parecia bem assustada, já Jaspe mantinha os olhos de fogo observando o cabelo vermelho sem conseguir dizer uma palavra...
-Olá, meu nome é Rubi, sou filha do ferreiro da vila ao lado e preciso, com urgência, falar com o sacerdote daqui. Você sabe onde ele está?


















