Do lugar onde estava, desci os degraus em que as cadeiras ficavam depositadas e sorri para o público ao tomar um violão comum, e me sentar em um banquinho no meio da sala de coral, onde dessa maneira, qualquer um poderia me notar e prestar a atenção totalmente em mim. — Oi pessoal. Quanto à atividade da semana... Vou cantar I Am, da Christina Aguilera, em sua versão acústica. Não é de um álbum bem recebido pelo público, mas é uma das melhores músicas dele. Bem, aqui vou eu. — Comecei a tocar o violão, as notas exatas pareciam simplesmente aparecer em minha cabeça e passar para meus dedos com uma ótima velocidade, que acompanhava a partitura que eu me lembrava muito, muito bem. As primeiras palavras saiam de minha boca de um jeito calmo e doce, assim como Christina fazia em sua música. — I am... Timid. And I am... Oversensitive. I am.... A lioness. I am, tired and defensive. — Meus olhos pousaram no belo par de íris verdes que Samuel, meu namorado, possui e um sorriso lindo tomou meu rosto enquanto eu entonava as notas, e dedilhava acordes no violão. — You take me in your arms, and I fall into you. I have insecurities. You show me I am beautiful... — Parei de fitá-lo, desviando meu olhar para grande parte da sala. Era uma mensagem bem mais pessoal nesse momento, para todos eles. — Love me or leave me, just take it or leave it, it's not that I'm needy, just need you to see me... — Sorri ao dar o recadinho, de que não era que eu era carente, apenas gostava de atenção. O refrão se tomou a seguir, enquanto eu me levantava e voltava a olhar para o loiro sentado ao lado de uma cadeira vazia, esta qual eu estava sentado há poucos instantes. — Take me, free me, see through to the core of me. Take me free me, there will be no more pretending. — Assim passei o violão para outra pessoa, um dos rapazes que tocavam ali, e comecei a cantar sem ele a segunda parte da bela composição de Christina Aguilera, Sia Furler e Sam Dixon em sua versão mais "vocal" do que "instrumental". Fazia movimentos com os braços enquanto a segunda estrofe da música começava, embalando o corpo um pouco ao ritmo do violão e do piano que o acompanhava. Fechava os punhos durante as notas um pouco mais graves, que eram raras, e abria a mão, levando-a para o lado oposto que a cabeça ia ao fazer as notas mais suaves e agudas. Quando cheguei no clímax de música, me posicionei ao meio da sala. — Now I stand before you with my heart in my hands. I'm asking you to take me just the way that I am. Please lay down your arms. Do you know me, make me feel same from harm... Ooooh, just take me! Wooooah... See through... Wooooah. I am temperamental and I have imperfections and I am emotional, there will be no more pretending... Yeah, wooooah. Mhmmmm... — Os melismas fortes e intensos de Aguilera, além de todo o jogo de palavras junto com a ajuda do piano que cobria a falta de uma voz principal, como me empenhei para reproduzir as palavras que a grande voz da geração colocava em sua música com paixão e amor. Ao terminar a música, fiz uma reverência e então voltei ao meu lugar, na parte de cima dos curtos três degraus onde as cadeiras ficavam disponíveis para os alunos do clube. Cruzei as pernas e comecei a falar. — Bem, a atividade nos pede para falar um pouco sobre nós e sobre o futuro... Como futuro próximo e quase tangível, quero entrar na New York Academy of Dramatic Arts. Atuar na Broadway, fazer papéis importantes para a história do teatro, dar vida à vozes maravilhosas que só existem em estórias como Wicked, Enfim, e levar minha vida ao lado desse rapaz aqui. — Peguei a mão de Samuel e lhe dei um beijo no rosto ao final do meu texto não ensaiado.