[Exposição Virtual] American Arts Incubator – Brasil Projeto Aguapé
A exposição é resultado de um mês do programa de intercâmbio, pesquisa e trabalho em arte e tecnologia do American Arts Incubator– Brasil (AAI), realizada em parceria com a ZERO1, a filial da Embaixada dos EUA em Belo Horizonte (MG), o Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais dos Estados Unidos e colaboração do JA.CA - Center.
Liderados pelo artista americano Santiago X, os participantes selecionados foram divididos em quatro equipes para desenvolver um projeto abordando desafios sociais ou ambientais relevantes. A partir disso, foram desenvolvidos 4 projetos, dentre eles, Aguapé, pela equipe composta por Ainoã Batista, André Luiz Silva, Luiza Poeiras, Mailza Bernard e Manu Lima.
O projeto Aguapé surge do desejo de retomar memórias e outras possibilidades de relação com a terra. Através da plataforma online, o Hubs, criamos um ambiente virtual que nos aproxime da realidade através do afeto, contrapondo elementos como mapas e plantas e colocando em evidência vozes locais que cultivam outras relações com a terra e suas memórias. Também visamos possibilitar o acesso a uma fácil visualização de redes de artistas, coletivos, ongs e mídias alternativas da América Latina que reintroduzem uma reconexão com a terra e uma libertação de imaginários coloniais.
Por acreditar que a realidade em que vivemos é construída pelas narrativas que produzimos e/ou consumimos, faz-se necessário o resgate do que foi e é continuamente apagado dentro da lógica capitalista e colonial. Para que feridas abertas tenham a possibilidade de cura é preciso olhar para si, para a história, para o outro, para a terra. Para que nossa relação com o mundo seja reinventada no presente as vezes é preciso buscar no passado aquilo que foi esquecido.
Assim, passamos na primeira sala pelo que é necessário desaprender conscientemente: todo o imaginário construído pela colonização,que apagou as memórias de nossos povos originários e dos povos arrancados do continente africano. O que somos enquanto humanidade, de onde viemos, como surgimos.
As notícias escancaram a violência que incidimos sobre a terra e entre nós, desde a infância a mídia hegemônica, o ensino formal e nossas relações nos ensinam a pensar que é este o projeto que chamamos de vida. Permeado pelo esquecimento e por narrativas que reduzem a terra e tudo que nela habita à matéria prima a ser explorada, se faz um mundo constituído de desigualdade, violência, exploração e esgotamento.
A segunda sala se realiza como o nascimento de um primeiro Aguapé, um espaço virtual permeado por múltiplas vozes da terra, que vem daqueles que estão ao nosso lado e de nós mesmos. É necessário olhar para dentro para que possamos enxergar o que somos e reimaginar o que podemos ser. Buscamos promover um ambiente de escuta, que nos ative sensorialmente para essa nossa relação vital com a terra. Reforçamos a importância da transmissão oral para a preservação da nossa história e as pessoas como protagonistas dessas narrativas.
Na terceira sala criamos o que imaginamos ser uma rede de Aguapé que já existe e se alastra por toda a pachamama. Feita por vozes diversas, vozes de resistência e que muitas vezes são silenciadas pelas mídias hegemônicas. Utilizamos de um mapa sem limites territoriais para representar nossos questionamentos acerca da ocupação territorial e cultural. O nome América Latina por si só é um termo excludente, já que utiliza como referência para designar nosso território as línguas originadas do latim, ignorando toda a diversidade linguística que formou nosso território. O mapa de cabeça para baixo representa uma inversão de padrão como Torres Garcia propôs em seu manifesto que propunha a criação de um movimento artístico autônomo, livre das amarras do pensamento colonial.
Todas as salas foram elaboradas visando a acessibilidade. Por isso buscamos elementos leves e criamos a sensação de terceira dimensão explorando desenhos e fotografias com o fundo limpo. Assim conseguimos tornar nossa sala no Hubs fácil e rápida de carregar podendo ser acessada por computadores mais antigos e em locais de baixa conexão. Os áudios têm transcrição textual, facilitando a tradução em outras línguas e também o acesso aos deficientes auditivos. E podem ser encontrados nesse link: https://aguape.bandcamp.com/releases
Pessoas que fizeram parte com suas vozes:
Ainoã Batista
Ana Elisa Gonçalves
Elizabeth Ramos
Jacob Martins Pereira
Isabella Parreira
Kuru Lima
Luiza Poeiras
Mailza
Manu Lima
Maria Auxiliadora
Maria Solange Batista
Marlene Maringelli
Natalia Lena Claret
Paulo Sérgio
Pedro Mulungu
Rodrigo Antero
Yanaki Herrera
Para saber mais : https://aguape.hotglue.me/
https://www.aaibrazil.com/
Referencias bibliográficas:
NOGUERA, Renato. O poder da infância: espiritualidade e política em afroperspectiva. Diálogos em Educação, Rio Grande/RS, Brasil.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo — 1a ed. — São Paulo : Companhia das Letras, 2019.]
WALSH, C. Pedagogías decoloniales. Prácticas insurgentes de resistir, (re) existir y (re) vivir. TOMO I. (pp. 23-68). Quito-Ecuador: Abya Yala.
FERRERA BALANQUET, R.M. Pedagogías creativas insurgentes. 2017
TELES, Patricia. Considerações sobre a legalzisse na arte e tecnologia. 17º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia , 2018