Arnaldo Momigliano, nascido na Itália em 1908, foi um historiador, especialista em judaísmo e história antiga.
Tornou-se professor da Universidade de Turim em 1936, mas foi proibido de lecionar em 1938 por conta da política antissemita de Mussolini. Exilou-se na Inglaterra, onde atuou pelo resto da carreira, a princípio na Universidade de Oxford e depois no University College de Londres, de 1951 a 1975.
Momigliano se especializou em estudos sobre historiografia antiga, tanto clássica quanto judaica e oriental.
De acordo com o autor, os predecessores dos antiquários encontravam-se na Grécia da segunda metade do século V a.C, onde heróis, lenda sobre as fundações das cidades, e lista dos governantes eram parte de uma ciência denominada arqueologia.
O antiquarismo que se expandiu no final do século XVI e início do XVII é denominado por Momigliano como um novo Humanismo, inspirado na antiguidade e alimentado por amadores, ou seja, homens que se interessavam pelos fatos históricos sem se interessar, necessariamente, pela história.
Antiquários eram homens de saber que utilizavam um conjunto sistemático de moedas, vasos, inscrições, monumentos e outros objetos, para reproduzir em escala menor a história. Esses objetos seriam mais confiaveis do que qualquer relato, afinal haviam sobrevivido ao tempo, eram a materialização do passado. Se diferenciavam do historiador propriamente dito pois estes escreviam em ordem cronológica, se focando no tempo e narrativas – não no objeto.
Depois de alguns séculos de antagonismo por parte destes dois, que difamavam e criticavam um ao outro, os antiquários e historiadores se fundiram em um, já que o antiquarismo começou a ser visto com olhos mais brandos a partir do momento em que se confirmaram que estes estudos de objetos traziam mais uma fonte histórica verdadeira para o estudo da história.
Momigliano finaliza o texto dizendo que “O antiquário salvou a história dos céticos, ainda que ele mesmo não a tenha escrito. Sua preferência pelos documentos originais, sua engenhosidade em desbaratar falsificações, sua destreza em coletar e classificar a evidência e, acima de tudo, seu amor ilimitado pelo estudo são as contribuições dos antiquários à “ética” do historiador” (p.51).
MOMIGLIANO, Arnaldo. História antiga e o antiquário. Anos 90, Porto Alegre, v. 21, n. 39, p. 19-76, jul. 2014.