para onde vão todas as conexões que se quebram quando duas pessoas param de existir juntas? existe algum cemitério de paixões?
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para onde vão todas as conexões que se quebram quando duas pessoas param de existir juntas? existe algum cemitério de paixões?
É frustrante ter recaídas emocionais, porque mesmo quando tudo está bem, a dor vem lá do fundo e faz doer até os ossos, a tristeza percorre pelo corpo como se fosse o sangue dentro das veias.
— O meu nome é solidão, D. Quebraram.
Na ultima vez que te liguei, eu estava chorando, mas você não percebeu, estava ocupada demais dizendo o quanto não me amava, para prestar atenção. Eu sabia que seria a ultima vez que escutaria o som da sua voz e por mais que eu quisesse que não fosse, assim foi. Ali foi a nossa despedida, você deu tchau para mim e para os meus sentimentos, se desligou de mim tão rápido quanto a ligação que havia acabado de desligar. E assim foi… seu amor saiu de área. E o meu continuava na linha, esperando uma nova ligação.
— Diego em Relicário dos poetas.
Sou intensa demais para o seu interesse meia boca.
No fim, os julhos sempre serão os julhos... Há alguma coisa nesse mês que chega antes mesmo do calendário. Não é o frio, não são os dias, nem as datas marcadas em vermelho. É uma sensação antiga, dessas que aprendem o caminho de casa e voltam todos os anos sem precisar de convite. Julho não bate à porta, ele entra em silêncio, senta ao lado da cama e me lembra de tudo aquilo que eu passei meses tentando esquecer. É estranho perceber que uma data pode pesar tanto, para a maioria das pessoas aniversário é sinônimo de festa, mensagens, abraços, expectativas. Para mim, é apenas um lembrete de que o tempo continua passando enquanto algumas feridas permanecem exatamente no mesmo lugar. Todo ano eu gostaria que fosse diferente, todo ano imagino, mesmo que por um instante, como seria esperar esse mês sem medo, sem sentir tanta tristeza. Como seria acordar sem aquela sensação de que alguma coisa dentro de mim vai desmoronar aos poucos. No fundo, eu só queria ter motivos para gostar de julho, eu só queria que ele deixasse de parecer uma sentença. Eu me sinto o erro, o problema, sempre a parte ruim de tudo, como se a minha presença fosse pesada demais para permanecer em qualquer lugar por muito tempo. Existe um cansaço enorme em viver acreditando que as pessoas apenas toleram você até encontrarem um motivo suficiente para ir embora. E o pior é que esse pensamento deixa de parecer exagero quando ele se repete tantas vezes dentro da própria cabeça. As pessoas quase nunca conseguem me ver através da dor, das tristezas, das falhas, dos erros, dos defeitos, tentam, mas quase nunca conseguem. Parece que tudo isso chega antes de mim, como se eu fosse apresentado pelos meus pedaços quebrados antes mesmo de alguém conhecer o restante. Ninguém quase nunca pergunta o quanto custou continuar de pé quando tudo parecia desabar, ninguém quase nunca enxerga o esforço silencioso que existe em quem passa o dia inteiro tentando parecer normal, tentando acertar e tentando não ser visto só como alguém que não vale a pena. As falhas chamam mais atenção do que as cicatrizes e as cicatrizes chamam mais atenção do que a pessoa. Talvez seja por isso que eu tenha aprendido a diminuir minha própria voz e aceitar que é só drama ou vitimismo e não porque eu não tenha o que dizer, mas porque existe um medo constante de ocupar espaço demais, de sufocar. Um medo absurdo de confirmar aquilo que tantas vezes já senti: o de ser inconveniente, pesado, um erro, difícil de amar. Então eu vou guardando tudo, a tristeza, a ansiedade, os pensamentos, a solidão. Vou acumulando como quem tenta impedir que o mundo tenha mais um motivo para se afastar, mas ainda assim parece nunca ser suficiente. Quase sempre estão procurando uma forma de se livrarem de mim, muitas vezes acontece aos poucos, nas respostas que demoram mais do que antes, nas conversas que deixam de existir, nos convites que nunca chegam, na sensação de que eu estou sempre sobrando em algum lugar. Existe uma dor muito específica em perceber que você se esforça para permanecer enquanto o outro apenas procura a oportunidade certa para partir. É um tipo de abandono que nem sempre faz barulho, mas deixa marcas profundas. Julho sabe exatamente onde essas marcas estão, talvez seja por isso que doa tanto, porque ele não traz apenas mais um aniversário; ele traz todos os aniversários anteriores. Todas as expectativas que nunca encontraram espaço para existir, todos os silêncios e ausências. Todas as vezes em que eu desejei apenas sentir que a minha existência fazia diferença para alguém, sem precisar ser visto como algo pesado. No fim, a tristeza não é feita apenas de lágrimas, às vezes ela é feita de datas, de memórias que voltam sem serem chamadas. De perguntas que nunca receberam resposta, de uma esperança pequena demais para vencer o medo, mas grande o suficiente para impedir que ele desapareça completamente. E talvez seja justamente isso que mais machuca: ainda existir, em algum lugar escondido, uma parte de mim que continua desejando descobrir como seria viver um julho que não doesse tanto.
— O meu nome é solidão. Quebraram, D.
Desde o primeiro instante, desde aquela troca de mensagens que parecia comum, eu soube. Não era um encontro qualquer, não era um acaso sem propósito, havia algo maior, algo que transcendia o tempo e a lógica. Pela intensidade do que eu sinto por você, parece que o nosso amor veio de outras vidas, é como se cada batida do meu coração já soubesse o caminho até o seu. Nossa conexão foi imediata e quando eu ouvi a sua voz foi como se todas as respostas que eu nunca soube que procurava estivessem ali, escondidas entre as palavras. Nossa conexão foi tão forte e única, desde o primeiro minuto de conversa e essa certeza só cresce. A cada dia que passa eu te amo mais e mais, cada centímetro, cada átomo, cada sorriso, até mesmo sua respiração. Seus olhos cor de café são e continuarão sendo os meus favoritos no universo, principalmente porque vejo galáxias dentro deles, é por isso que às vezes me pego te olhando sem motivos, eu gosto de ver as estrelas da sua alma. E eu me sinto tão feliz por ter você aqui, o mundo é imenso, mas eu finalmente encontrei o meu lar, a minha casa e essa casa não tem paredes que me sufocam, nem portas trancadas para me prender, nem lugares escuros para que eu me esconda por medo de existir. Mas tem a liberdade, tem aconchego, tem acolhimento, tem todas as coisas boas que eu sempre esperei ter e principalmente: tem muito, mas muito amor. E quando eu te abraço, tudo faz sentido, o tempo desacelera, o mundo lá fora se dissolve e tudo o que existe somos nós e nossos corações alinhados, nossas almas entrelaçadas como se nunca tivessem estado separadas. Te amar é como respirar, tão natural, tão necessário, tão eterno. E se o destino nos trouxe até aqui, que ele nos leve ainda mais longe. Porque em meio a bilhões de pessoas, te encontrar foi um presente e todos os dias eu agradeço por termos nos encontrado, principalmente por termos nos reconhecido. É como se, desde sempre, soubéssemos que um dia estaríamos aqui, juntos, redescobrindo o que é o amor na sua forma mais intensa, mais pura, mais nossa. Que as nossas mãos nunca soltem uma da outra, que os nossos olhares sempre se encontrem no meio do caos, que o amor que nos une continue crescendo como o universo: infinito, misterioso, imensamente belo. Porque se existe algo de que tenho certeza, é que não importa o tempo, o espaço ou as circunstâncias, meu lar sempre será você.
— Diego em Girassóis de Vênus. Quebraram.
Às vezes eu só queria sentir que sou digno de receber coisas bregas e clichês, sabe? Mas acho que minha sina sempre vai ser a de ser a pessoa que escreve textos de amor, que faz loucuras, que liga para os menores detalhes, que dedica músicas, que inventa coisas para arrancar sorrisos e que se importa até com as vírgulas. Acho que desde quando eu era mais novo eu sempre quis ser a inspiração e o motivo de textos bonitos, de poesias de amor e eu sentia inveja de quem recebia essas coisas e sendo bem honesto, acho que ainda sinto. E isso é bem bobo, não é? Ficar esperando e imaginando a sensação de coisas que provavelmente nunca vão acontecer, nem de formas inesperadas, porque toda vez que é comentado é sempre considerado cobrança e obrigação, muitas vezes só é falta de interesse da outra parte. Mas talvez eu só não tenha nascido para ter coisas dedicadas a mim ou merecer ser transformado em arte. Ou para ser eternizado dessa forma, porque parece que eu sempre serei a pessoa que faz, mas nunca a que recebe. E está tudo bem, só é idiotice da minha parte esperar que coisas assim aconteçam, mas um dia eu só aceito que essas coisas nunca serão destinadas para mim, mesmo que sejam sonhos antigos e bobos de um adolescente que só queria se tornar o poema de alguém.
— Quebraram, D.