Sexta-feira, tempo chuvoso, queda de temperatura, clima perfeito pra ornar com a vibe sinistra das bandas que serviram de atrativo transgressor para os presentes na segunda edição do Ruidos Y Ideas, mais um fest espetacular idealizado e realizado majestosamente pelo guerreiro Lazarvs Jünior (Artigo DZ9?, Acromo, Against One Thousand Arrows, Subverta Distro Rec’s) que rolou em Bauru-SP em parceria com os selos Crust Or Die, Collective, Distro & Label, Tamer Of Crows Records, Matéria Negra Discos, Cipreste Negro. À julgar pelo tempo fechado, a neblina tomando conta da baixada, nada mais apropriado que embalar numa anti-folia descambada com musica gélida e errada. Exposição de arte, zines (lançamento oficial dos zines SobreVidas #2 e Cultura Carcamana Zine #1), exibição de vídeos (homenagem ao grande Aran Carriel com os curtas ILHA DAS FLORES & AUTOBONECO: PRESO NA MINHA PRÓPRIA MAGIA (A Live Movie/STUCK IN MY OWN MAGICK) Por CINEXTINÇÃO), entre outras atrações que fizeram desse ocorrido um dia marcante para todxs os humanxs pensantes que souberam tirar proveito do baile entordado. Confere ai como foi.
Against One Thousand Arrows
Mais uma vez fui pego de surpresa pelo ritmo harmoniosamente grotesco dessa nova empreitada doom. Nova pelo fato de ser uma banda com poucos dias vida, apresentando somente 1 som instrumental longo que foi o suficiente pra constatar a impetuosidade funesta de clima ruim que apresentaram. Só senti a falta do baixo, pra dar um up a mais, o uso de recursos muito bem utilizados e com bastante eficácia é completamente notável, batera martelada, reverbadas de guita soavam como se houvesse uma névoa de hostilidade nefasta nos consumindo de dentro pra fora. Independente da ausência de cordas graves, deu pra sentir as batidas castastróficas até no tutano do osso.
Esses dois rapaizes de P.Prudente estão na ativa a pouco mais de 4 anos, entrando num hiato fudido pra depois retornarem as atividades em 2015, onde vem espalhando a desgraça cataclísmica por todos os lugares em que passa. O som em si, é algo meio complicado de classificar, já que existe uma constante alternância entre passagens que se aproximam em alguns momentos do sludge mais seboso e azedo possível até o punk escroto conduzido por berros de desespero, expurgando todo o infortúnio destruidor que cerca a condição podre do ser humano. Problemas técnicos a parte, os caras foram um pouco prejudicados devido a zika desavisada da aparelhagem, mas nada que tenha atrapalhado o rendimento desconcertante do banho suicida numa banheira imunda cheia de resíduos químicos.
Não me lembro onde eu vi uma vez, um comentário falando que uma das vantagens de escrever num blog que fala sobre roque-torto e outras peculiaridades, é que você pode rasgar aquela seda básica pros camaradas de banda que na frente você não tem coragem de dizer, senão me engano foi no falecido IB. Enfim, o Reiketsu é um desses casos, o mais evidente diria, porque já é a segunda vez que falo sobre eles por aqui. Cada show é uma experiência diferente, dentro da sua magnitude, mas nenhum aponta falha ou imperfeição, pelo menos pro meu ouvido danificado. Nada influencia no desempenho ultra caprichado criando uma onda de melancolia cósmica (agradável porém) em que somos mergulhados de cabeça, pois prende a sua atenção de um jeito que você para TUDO o que estiver fazendo pra prestar a atenção devida no show dos reikaboys. Já disse uma vez, e volto a dizer, nunca me canso de ver esses manos tocando, justamente porque eles vem aprimorando cada vez mais a qualidade musical conforme o tempo.
Tiaguera mitando com o visu mais trvzera da via láctea
Apresentação Outro Núcleo de Espetacularidades
Com uma pequena pausa entre uma banda e outra, o coletivo Outro Núcleo de Espetacularidades atuou no intervalo servindo de encaixe sólido para performances teatrais de características enraizadas em diversas pressuposições artísticas , gostaria de ter visto com mais calma pra fazer um comentário decente e merecido sobre a apresentação, é que infelizmente não consegui prestar muito atenção por conta da cachaça veia que tava fazendo efeito e estava num grau entrosado de euforia espontânea com os bródi ou esperando na fila do banheiro. Pretendo ver novamente com um ponto de vista mais adequado e menos bêbado, houve vários detalhes que me chamaram a atenção.
Nunca tinha visto os “Criança Surda” ao vivo (o que me faz se sentir um tremendo loser ), foi uma ótima ocasião pra perder o cabaço e pirar na batatinha d-beat/punk arruaceira. Como não vi eles tocando outras vezes, não posso dizer se esse foi o melhor show ou se estão mais consistentes nessa formação, tudo que sei é que sou vidrado em absolutamente tudo que lançaram até agora, e posso afirmar com maior segurança do mundo que ao vivo (e sem cores), é muito mais insano que ouvindo através das caixinhas do seu mini system parcelado em 10 vezes. Fica difícil colocar entre caracteres medíocres de internet o que se passa quando as pauladas violentas estão sendo distribuídas sem pudor. Mesmo com uma galera acanhada e com medo de quebrar o piso do local durante o mosh, minhas expectativas envolvidas em doses altas de empolgação ultrapassaram o esperado, foi foda.
Há essa altura do role já estava um pouco embebedado pela cevada morna, mas firmei o pé no chão e assisti ao alvoroço macabro bagaceiro até o fim. O que presenciei foi uma picaretada atravessada na vértebra com textura e forma de blackned crust corrido e sufocante que a muito tempo não via/ouvia, emendado em riffs soturnos mantendo um ritmo introspectivamente lúgubre . Assim como o Deaf Kids essa também era a primeira vez que estava conferindo o Mácula de perto, e que malcriação é essa ein amigxs, a banda possui uma sonoridade interativa porém com um teor anarquista e niilista em que expressam perfeitamente, citações e referencias sísmicas à autores que abordam esse tipo de conceito destrutivo como Cioran, são notórias, “Nos cumes do desespero” reflete bem essa ideia, mais explicito que isso impossível. Diretamente da Bahia, esse bípedes magníficos quando tocam deixam qualquer ser vivo com vontade cavar uma cova pra se enterrar até o pescoço e curtir a brisa gelada batendo na cara. Estava sendo atingido por uma tempestade de pancadaria tenebrosa , o ritmo estava tão soberbo que demorou pra perceber que tinha acabado após o termino da ultima música. Como diria o amigo próximo de um conhecido meu “sounds like a bang” \m/
Ta ai mais uma prova viva e concreta de que o cenário udigrudi do interior paulista se mantém firme e forte a cada rolê bem sucedido que se realiza. Importante lembrar que eventos semelhantes por essas regiões carentes de atrações desse tipo não acontecem com a frequência esperada, já disse isso um zilhão de vezes e vivo reforçando da mesma maneira que tem gente pela-saco reclamando muito nas internet que não tem espaço, não tem role e mais cagação e choradeira de uma parcela de jovens rbd’s que só colam quando alguma banda de status elevado esta incluída no cast (não estou fazendo nenhum comentário que vá contra o principio dessas bandas, jamais, apenas uma colocação pra cutucar a rapa que não move um dedo pra colaborar ainda assim se sentem no direito ficar despejando um monte merda no ventilador virtual) , portanto se você preferiu ficar em casa de baixo do cobertor tomando toddynho por causa da chuvinha que tava caindo e assistindo mais um show de bandona “crássica” no youtube, perdeu mais um puta rolesão bruto. Se caso bateu o arrependimento em sua pessoa por não ter comparecido... só lhe resta o choro livre! Um bjo na testa e um forte abraço do coveiro cascudo. Até a próxima amgxs, fiquem com a graça da cova rasa!
Fotos por: Bianca dos Santos – confira o álbum: https://www.flickr.com/photos/cinzacinza/sets/72157655050059710/with/18800924874/
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