☎
send me a ☎ for a drunk call from my muse!
Haviam se passado três longas horas e duas garrafas de uísque desde que Frederick começara a se dedicar na composição daquela letra. Era um trabalho tão simples quanto parecia ser: A música que ele devia fazer para Serena, a pedido de um dos outros produtores do novo álbum da loira. A música devia ser para Serena, e não sobre Serena, e na tarefa de conseguir distinguir as duas coisas o francês estava falhando miseravelmente. Ficava pior a cada nova gota de álcool que atingia sua boca, e ainda assim, ele não parou de beber até que a cabeça estivesse girando o suficiente para que ele soubesse que mais nada de aproveitável iria sair de seus dedos trêmulos e incertos. Era tão frustrante. Jogando o lápis de lado e batendo com a outra mão nas partituras a sua frente, que voaram pela sala de seu apartamento de forma violenta, Frederick deixou que o corpo relaxasse no sofá. Passou os dedos pelos cabelos, e antes que pudesse se policiar, pegou o celular a seu lado e apertou o número de Serena na discagem rápida – era patético que ele tivesse a colocado na discagem rápida. Esperou que chamasse até cair, e logo a voz da loira atingiu-lhe os ouvidos na mensagem que indicava que ele estava indo para a caixa postal. “Eu não consigo fazer isso.” As palavras saíram atropeladas, ele quase não dando tempo da secretária eletrônica acabar de falar sobre deixar o recado após o sinal. “Não posso trabalhar com você, Serena. Não desse jeito, não quando nos tratamos como dois estranhos quando claramente a última coisa que nós somos, é sermos estranhos um para o outro. Eu conheço você, eu a conheço tão bem.” Suspirou, fechando os olhos de forma apertada. “Mas eu sei que não estou na posição de exigir nada de você. Eu sou um idiota, é isso o que eu sou.” Uma risada baixa traçara seu caminho para fora dos lábios de Fields. Ele pode ouvir o sinal que indicava que o tempo de mensagem havia acabado, mas ignorou. Ainda tinha coisas para falar. “Mas se eu pudesse, eu exigiria que você fosse minha novamente. Exatamente como foi no passado. Eu exigiria que você voltasse a se arrepiar a cada toque meu. Que seus olhos voltassem a brilhar quando me olhassem, e que você sorrisse do jeito que sorria a cada nova música que eu tocava pra você. Eu iria exigir que você me beijasse como beijava antes, e que enroscasse os dedos no meu cabelo como fazia antigamente…” Parou de falar, sentindo o nó em sua garganta apertar-se. Mesmo no maior estado de embriaguez, Freddie era capaz de identificar o quanto estava soando desesperado naquele momento. E não podia negar, ele estava. “Eu exigiria que você voltasse a me amar, Sereia…” Sua voz soou mais baixa, e ele deixou que a mão que segurava o celular cair a seu lado no sofá, o aparelho tombando no estofado novamente enquanto Fields continuava a encarar o teto. “Porque eu ainda amo você.”












