Senhoras e senhores, vos apresento ROBYN BOWES-JONES, DAMA DE COMPANHIA, uma UM vinda diretamente da Província de DANBERG. Ela tem 20 ANOS e todos os criados comentam que é idêntica a COURTNEY EATON.
O peso de um nome parece ser a única coisa significante na vida dos nobres e os Jones faziam questão de ostentar o seu. Pouco importava, a eles, o rei que ocupasse o trono; fosse Schreave ou Illéa, os condes de Allens sempre estariam às portas da Corte de Angeles, prontos para se infiltrarem como pragas em território real, e dispostos a sugar todos os privilégios que conseguissem. Essa era a realidade em que Robyn, a única filha de Lorde Steffon, estava inserida. Casado com Lady Marian de Bowes, viviam dizendo às suas costas que fraquejara e não tivera a capacidade de gerar um herdeiro homem para dar seguimento ao nome, ainda que diante dele fossem apenas floreios e rasgação de seda. Tais comentários sempre foram do conhecimento de Robyn, que passava mais tempo na capital do que em sua província natal. Os pais encontraram, afinal, uma forma de livrarem-se do peso que ela representava, enviando-a para servir como dama de companhia da princesa, vez que eram praticamente da mesma idade.
O que ninguém sabia era que os Jones efetivamente estavam enfrentando seu declínio. Conhecidos investidores do ramo do algodão na região de Sota, os negócios iam de mal a pior, especialmente depois que Lorde Steffon não pode mais comandá-los pessoalmente, em razão de problemas de saúde. Deixar as finanças a cargo de terceiros não foi a melhor de suas ideias, embora não tivesse opção. Quanto a Robyn, era obrigada a passar o tempo e desperdiçar todo o potencial em Angeles porque o pai não lhe cedia espaço algum, já que, segundo ele, por ser mulher não poderia ser inteligente o suficiente para substitui-lo. O fato de ser constantemente subestimada pelos homens, aliás, fez da morena alguém que estava sempre disposta a provar que eles estavam errados.
Quando a Seleção foi anunciada, a Jones, que já estava na corte, recebeu a missão mais importante de sua vida, de acordo com sua mãe: com a fortuna da família extinguindo-se, aos poucos, era dever dela salvar aquela Casa por meio de um casamento vantajoso — afinal, príncipes e nobres estariam hospedados em Angeles por conta do evento, e “ela tinha de servir para alguma coisa”. Não havia escolha conquanto àquilo. Deveria, ainda, deixar de lado qualquer ideia mirabolante de tentar tomar parte na tomada de decisões importantes, e sua recente preocupação com castas menos favorecidas devia ser deixada de lado. Por ora, tinha apenas de se concentrar em não se tornar uma Oito, era o que a mãe repetia, no auge da dramaticidade.
Senhoras e senhores, vos apresento LOLA KRAVETEZ, DAMA DE COMPANHIA, uma UM vinda diretamente da Província de ALLENS. Ela tem 26 ANOS e todos os criados comentam que é idêntica a LILY COLLINS.
Filha do chefe da guarda com uma dama de companhia, Lola nunca teve muitos problemas quando tratava-se de dinheiro e condição de vida, era tratada como uma princesa e meio que achava que era uma. Sua vida era perfeita, tirando o problema alcoólico do seu pai e a negligencia de sua mãe para cuidar da filha. O que ela tinha de dinheiro, faltava em amor. Passava o dia seguindo um cronograma que sua mãe tinha feito a ela, para se tornar a escolha perfeita para virar uma dama de companhia da princesa e fazia sem reclamar pois caso reclamasse, as consequências eram pior do que fazer algo que não gostava. Não era muito fã da realeza pelos problemas que ela sabia da existência, da mentira, da corrupção e odiava tudo isso, por que era uma imagem refletida de seu pai, tudo o que ele era de ruim, a realeza só provava o porque.
Com 20 anos, Lola foi escolhida para ser a dama de companhia da princesa herdeira, o que não foi surpresa pra ninguém. Qualquer menina ficaria extremamente feliz com a escolha, mas não ela. Estava sendo paga para lamber uma princesa que já tinha tudo na vida, quão divertido aquilo poderia ser? Mas aquilo também serviu de fuga de viver com seus pais. O alcoolismo de seu pai havia piorada ao passar dos anos e com isso, vieram as agressões recorrentes de aconteciam naqueles quartos. Já havia perdido a conta de quantas vezes acordava com seu pai a batendo por estar simplesmente dormindo de uma maneira que não o agradava e não podia gritar ou chorar, apenas sentia a força de seu pai contra a sua pele, deixando hematomas de ficavam durante semanas em sua pele que a fazia usar vestidos longos e muita maquiagem para que ninguém desconfiasse da sua dor. Sua mãe passava por pior, seu pai não tinha compaixão, não eram apenas tapas ou socos, ele chegava a arremessar coisas a sua mãe, com tanto ódio, tanta vontade que qualquer estomago reviraria de imaginar que ela era casada com aquele homem e que Lola era filha dele.
Mas como seu pai, Lola encontrou uma saída da bebida, nada muito extremo como ele, apenas para diminuir a dor e as lembranças. Tentava salvar a sua mãe quando podia, mas era cada vez mais difícil fazer isso sem alarmar todo o castelo e causar uma grande confusão. Se deixasse, ela teria alguns copos de whiskey todos os dias antes dormir, para ajudar a diminuir os pesadelos, mas a cada gole, vinha aquela pergunta se ela é igual ao pai dela, destinada a ser alguém horrível e infeliz, e era mais ou menos o que era, trabalhava com algo que odiava, vivia com pessoas falsas e sem amor, o que seria dela? Tentava ser bondosa, construir relações verdadeiras, mas era difícil porque ela nunca aprendeu a confiar, tinha pavor de ser tocada pelos outros, que ser machucada novamente por alguém. Ela era destinada a infelicidade e já tinha aceito isso.
——— Senhoras e senhores, vos apresento DAISY AGOSTINE DE SAUVETERRE, PRINCESA DA FRANÇA, uma UM vinda diretamente de PARIS. Ela tem 19 ANOS e todos os criados comentam que é idêntica a SKYLER SAMUELS.
Uma boa garota, irmã, amiga. Uma estudante, artista e musicista mediana. Daisy sempre estava naquele ponto — logo ali, onde não era ordinária nem extraordinária. Em nada. Como última filha, tinha a sensação de que toda dose significativa de personalidade ficou a cargo das irmãs, de modo que acabou se tornando uma versão ‘menos’ delas. Menos loira, menos alta, menos bonita, menos extrovertida. Daisy costumava pensar que, sozinha, podia ser mais interessante que a maioria — era uma princesa, afinal —, mas nunca ia a lugar algum sem Hermione e Rose. Assim sendo, via-se constantemente como alvo de comparações que, cada vez mais, comprovavam sua insignificância. Diante dessa introdução, aposto que você está esperando uma continuação amarga com a personagem principal se mostrando azedamente insuportável. Sinto informar, contudo, que nossa delicada flor não se importa com esse tipo de coisa. Bem, não conscientemente. De qualquer forma, posso afirmar com toda certeza que nenhum ressentimento ou inveja habita o coração da moça. Nesse pequeno órgão, somente cabe o desejo de que seus amigos e família encontrem a felicidade… E todas as histórias alternativas que cria para cada um deles, é óbvio.
Para começarmos bem, talvez seja necessário explicar um pouco sobre os Sauveterre. Por exemplo… A coroa de pedras preciosas da família é cravejada de diamantes, rubis, safiras e drama. Muito drama. Sério, todos parecem ter sido tocados pelo desastre, tamanha é a carga dramática de vossas altezas. Do pai completamente devoto ao seu dever como consorte e marido à mãe ocupada demais para ouvi-la, passando por uma irmã em pleno surto e outra totalmente carefree, é fácil concluir que dessa remessa nobre, nada de exemplar saiu. A não ser, claro, algo exemplarmente infame. Daisy é uma exceção à regra, mas apenas por que, como ela diz, é simplória demais para encenar qualquer coisa interessante. Não que isso seja realmente verdade. A loira tem ótimas qualidades, a despeito de seus achismos. O fato de ser aguçadamente consciente do que a rodeia, chegando a ostentar uma faceta irritantemente detalhista, e não enxergar a si mesma, seria cômico se não fosse tão frequente. Quando apontado, o sentimento de inferioridade é rapidamente mascarado e encerrado com o seco argumento “sou apenas realista”. Dizer vastamente usado por todo pessimista.
Daisy não tem a menor noção da sua madurez, intelecto afiado e da maneira segura com que transmite sua opinião, mesmo ostentando tão pouca idade. A maioria das jovens da sua faixa etária são inseguras, ansiando constantemente pela aprovação dos demais e, principalmente, de um futuro marido. Para a princesa caçula, no entanto, isso não passa de um pensamento longínquo, algo que ocupa sua mente vez ou outra enquanto trabalha em seus bordados — acompanhado de uma emoção levemente semelhante à preocupação, é verdade, mas que não dura tempo o suficiente para ser classificado como tal. Sabe que um dia irá se casar e constituir família, porém, não nutre muitas expectativas sobre a felicidade conjugal (nem que ela chegue tão cedo). Definitivamente não pode ser chamada de romântica quando se trata da própria vida amorosa, limitando-se a esperar pelo tradicional casamento arranjado bater a sua porta cedo ou tarde, poupando-a de protagonizar loucuras embaraçosamente apaixonadas — até porque, insensatez não é do seu feitio.
Com a chegada do seu décimo nono aniversário e do anúncio da seleção de Briana — que presumivelmente acabou por reunir algumas das principais figuras do poderio internacional —, a visita a Illéa se tornou inevitável aos olhos azuis acinzentados da princesa. Tão inevitável quanto o possível (por que ainda se atinha a esperanças tolas, não sabia dizer) fim da vida que conhecia. Contraditoriamente ao o que achou que seria, quando o momento para o qual se preparou a vida inteira chegou, sentiu-se profundamente aflita com a mudança iminente que poderia ocorrer em sua rotina. Daisy odiava tanto alterações orquestradas por terceiros que, antes mesmo de pisar no palácio, começou a se sentir nostálgica por causa de um anel que sequer levava no dedo anelar ainda — e talvez nunca levasse. Não obstante suas preocupações, ao acompanhar Rose para assistir a seleção, prometeu a si que aproveitaria os últimos dias de sua liberdade até que, por fim, resigne-se à monótona existência que fatidicamente a aguarda. Dançar uma valsa a mais, ainda que seu corpo cansado tenha perdido parte de sua graça; comer mais um doce delicioso, apesar das reprimendas de mulheres mais velhas; arriscar um comportamento que mantivera restrito às páginas de suas histórias… Ela faria tudo isso e muito mais.
——— Senhoras e senhores, vos apresento FERNANDO JUAN ALFONSO GRANADA DE BORBOUN, PRÍNCIPE DA ESPANHA, um UM vindo diretamente de MADRID. Ele tem 22 ANOS e todos os criados comentam que é idêntico a TIMOTHEE CHALAMET.
Após seu nascimento, todos duvidaram sobre a vida do pequeno e até então o único filho homem da família real espanhola. O infanto príncipe havia nascido com uma série de problemas respiratórios, se alimentava por uma sonda em sua garganta e demorou muito para demonstrar-se ativo como qualquer outra criança saudável. No entanto, graças a medicina, após alguns meses o jovem Fernando começou a responder aos remédios e tempos após isso fora liberado para viver juntamente com a sua família.
Sua condição de saúde durante seus primeiros meses de vida se fizeram de espelho pelo o resto da sua vida. Dentro da corte fora apelidado de duas formas: Fernando, o Belo; lhe era notável que o jovem rapaz havia ganhado a beleza de sua mãe e isso já lhe garantia flertes de todas as moças de sua idade e Fernando, o frágil em razão da condição que seus próprios pais o colocava. Nunca fez parte do exército e muito menos participou de atividades físicas mesmo que agora tivesse capacidade para isso. O rei ainda temia pela saúde de seu único filho homem e isso incluia em excluí-lo de tudo que pudesse por sua vida em risco. Mas engana-se quem acha que a vida do rapaz fora só mordomias e cuidados; Fernando fora posto a colocar em prática outro músculo: o cerebro. O jovem príncipe passava horas na biblioteca aprendendo tudo que pudesse beneficiá-lo quando um dia fosse se tornar rei e se tornara raro vê-lo em qualquer outro lugar a não ser envolto de livros, páginas e tutores.
Todo aquele conhecimento tornou-se a melhor arma para o príncipe. Fernando consegue se sair muito bem em discussões políticas ou em qualquer outra banal, conseguindo tirar de letra qualquer assunto. Sua opinião sobre a Seleção é um tanto controversa. Se lhe perguntassem sobre a sua opinião sobre o sistema de Castas e como é difundida todo o processo para achar o próximo consorte da atual princesa de Illéa, Fernando diria que é contra, que acha todo o sistema algo bastante saturado e que a forma como é usado para acalmar a população acabou perdendo o seu encanto ao passar dos anos. No entanto sua opinião é meramente pensativa. Ele nunca diria isso em voz alta, pois preza pelo bom relacionamento entre os dois países, como também pela a sua popularidade que terá um dia como governante.
——— Senhoras e senhores, vos apresento CERIDWEN DELANIE, PRINCESA DO REINO UNIDO, uma UM vinda diretamente da Província de LONDRES. Ela tem 24 ANOS e todos os criados comentam que é idêntica a MERRITT PATTERSON.
Filha de pais rígidos, Ceridwen teve que seguir sempre todas as regras que era ordenada e passar a imagem de princesa perfeita, a menina tinha dificuldade com isso, mas tentava sempre manter essa pose. No entanto, quando tinha dezoito anos a garota acabou fugindo com um namorado plebeu, mas os pais acabaram conseguindo a encontrar.
Após ser encontrada, Ceridwen voltou para a casa e eles proibiram completamente de que ela visse o ex namorado. A garota então encarnou uma imagem de party girl, apesar de não ser alguém má, ela construiu uma fama que não condiz com sua personalidade.
Os pais as mandaram para a seleção com intenção de tentar acalmar os ânimos no Reino Unido, o problema é que Ceridwen só quer aproveitar sua estadia por ali, não está preocupada em melhorar reputação, apesar de saber que no fundo os pais tem um pouco de razão.
——— Senhoras e senhores, vos apresento BRIANA SCHREAVE KOSKINEN, PRINCESA DE ILLÉA, uma UM vinda diretamente da Província de ANGELES. Ela tem 21 ANOS e todos os criados comentam que é idêntico a SELENA GOMEZ.
O nascimento de Briana poderia ter sido definido como algo tão desejado quanto uma chuva em meio a seca. A primogênita dos Koskinen, herdeira do trono de Illéa, se instalou no ventre de sua mãe após um desastroso episódio de aborto, e a sua aparição funcionou como uma espécie de rendição para a rainha que tanto se cobrava pelo episódio de gestação anterior. Contudo, dessa vez, as coisas funcionaram de uma maneira um pouco diferente. A existência de Briana apenas fora considerada como verídica depois do primeiro trimestre de concepção; quando a sua família escutou pela primeira vez o pequeno coração batendo. E, céus, aquele som era melhor que qualquer um que os membros da realeza já tivessem ouvidos! Nada poderia se comparar a felicidade de ter uma criança a caminho! Aquele pequeno feto já era amado por todos na família.
Portanto, levando os fatos anteriores em consideração, seria redundância dizer que o parto de Briana causou uma imensa euforia para todos que cercavam a sua família, mas, bem, esse é um fato importante a se ressaltar; ainda mais quando toda Illéa estava envolvida. Os súditos de todo o país acompanharam com curiosidade a gestação da neta do amado rei Maxon e, não só isso, parecerem se encher de alegria quando o orgulho avô anunciou, durante uma transmissão especial do jornal oficial, que o bebê finalmente havia chegado ao mundo. Era uma menina que, assim como a mãe, continuaria o legado feminino de regência do país.
Os anos se passaram e com eles trouxeram a personalidade nada comum para uma princesa. Para a pequena Briana uma coroa brilhante nunca atraiu tanta atenção quanto a chegada de um novo livro a biblioteca, comandar um país não parecia tão desafiador quanto a descoberta da cura de uma doença rara e fazer um discurso não soava tão divertido quanto palestrar sobre biologia molecular. Era uma pequena cientista, mas estava presa a um cargo que sequer escolhera. A situação era preocupante e é por isso que o seu treinamento fora ainda mais rígido que o de Eadlyn. Um querer não poderia ser válido em um mundo onde a linhagem sanguínea era a sentença de um destino.
Contudo, contrariando as expectativas, Briana nunca se revoltou por ser forçada a fazer aquilo que não queria. A sua essência não lhe permitia que fosse tão enérgica quanto Eadlyn um dia fora para defender as próprias vontade. Tudo que fazia era conciliar as suas preferências com o que lhe era imposto. Seria ser um gênio da biologia, mas faria isso trancada em um palácio. E por quê não transformar uma sala em um laboratório? Podia perfeitamente fazer análises depois das aulas de planejamento econômico. Tinha o mundo aos seus pés, afinal! E seus avós pareciam ser os maiores apoiadores da causa, movendo sempre os seus pauzinhos para que as suas vontades fossem realizadas.
Briana nunca teve o pensamento de que conseguiria escapar da seleção e nem é como se quisesse. O amor de seus avós era algo que a inspirava e, sendo esperta como era, não era capaz de acreditar que algum dia teria chance de se envolver com algum rapaz de outra maneira. Aquela era a sua chance de encontrar o verdadeiro amor, certo? E essa chance seria aproveitada ao máximo, ainda que fosse péssima com qualquer assunto que envolvesse o sexo masculino. Tudo que gostaria era de ter um história tão bonita quanto as que seus antepassados tiveram.