Memórias em Voz Alta
Queria passar horas em uma varanda, deixando a conversa se estender sem pressa, aprendendo qualquer coisa nova, nem que fosse uma curiosidade aleatória sobre baleias. Gosto de ouvir as histórias que atravessam gerações, aquelas que se agarram à memória feito uma música antiga, ou até mesmo os sonhos da infância que ainda fazem o coração bater mais forte. Pequenas coisas que ficam guardadas sem que eu perceba.
Talvez seja porque gosto da sensação de pertencimento que essas trocas trazem, como se cada palavra fosse um fio invisível costurando meu mundo ao de outra pessoa. Tem algo de bonito em descobrir que alguém ainda lembra do cheiro do bolo que a avó fazia ou que se emociona ao falar daquele verão em que tudo parecia possível. São essas miudezas que me fazem querer ficar, como quem não quer perder nada, como quem sabe que é nas entrelinhas que mora a vida de verdade.
E às vezes me pego pensando se eu também sou lembrança para alguém. Se minha risada ou alguma frase solta ficou na cabeça de alguém sem que eu soubesse. Se em alguma tarde qualquer, alguém sentiu saudade de um momento que eu nem percebi que era especial. Acho que, no fim, é isso que me faz querer essas conversas demoradas, a chance de deixar um pouco de mim pelo caminho e levar comigo um pedaço dos outros.












