By: Luiza Henriques Amaral

seen from Malaysia

seen from Croatia

seen from Brazil
seen from United States
seen from Iraq
seen from United States

seen from Pakistan

seen from United Kingdom

seen from United States

seen from United States
seen from China
seen from Australia
seen from United States

seen from Malaysia
seen from Malaysia
seen from China
seen from Australia
seen from Croatia
seen from South Korea
seen from Türkiye
By: Luiza Henriques Amaral
Astúcia e Compaixão
João Grilo e Chicó. Dois personagens icônicos que vivem numa cidadezinha pobre do Nordeste Brasileiro. Usavam a sua inteligência e esperteza para sobreviver em meio a tanta pobreza. Os comerciantes locais os amavam. Não verdadeiramente, óbvio! Amam a genialidade e o papo fluído, não esses caras. Eles são uns “Zé Ninguém” - expressão utilizada por seus vizinhos -. Grilo é um cara pobre que, na maior parte do seu tempo, ajudava uma farmácia a vender seus produtos. Chicó é seu melhor amigo “homem, mas frouxo”. Passava seu tempo ajudando o amigo nas propagandas e, por puro capricho, enganava os clientes contando estórias mirabolantes sobre como “tal” produto o curou.
As suas rotinas eram assim. Mas, algum rico estragou completamente isso trazendo uma doença do outro lado do mundo para o país. A princípio, não preocupou os habitantes daquele município, pois era quase todo mundo ali pobre e ninguém iria querer ir para aquela cidade. Mas, num final de semana, o prefeito e a família resolveram visitar a “cidade grande” para ver amigos e passear. Quase duas semanas depois, o município entrou no mapa da doença e decretou quarentena. Caos instaurado. As pessoas se desesperaram e procuraram qualquer coisa para se segurar. Descobriram um remédio que poderia os curar e previnir daquela enfermidade, mas alguns demonstravam resistência por não saber se era seguro. Foi aí que a Igreja local entrou em ação. O padre, irmão do dono da Farmácia, preocupado por causa da falta de membros nos cultos ($$$$$) chamou os dois amigos, João Grilo e Chicó, e os convidou para ajudar numa “Missão Divina”. Explicou sobre esse remédio dizendo que não foi comprovada a eficácia, mas que tinha certeza que “Deus está falando com o seu povo pobre e miserável por meio desse remédio” e que era dever dos dois convencerem a população a comprar da farmácia e tomar. Dito e feito: Chicó inventou uma estória fabulosa, a grande maioria tomou e voltou para a sua rotina normal.
Porém, logo a Justiça Divina não tardou. Muitos daquela cidade contraíram a doença e se sentiram enganados por aquela dupla. Mas não foi só eles que foram prejudicados: o cangaceiro mais temido da cidade adoeceu e viu dois dos seus ajudantes virem a óbito. Ficou furioso. Quando adquiriu suas forças novamente, após aquele período tão terrível, invadiu aquela cidade junto com seus capangas. Mais caos. Correria pra lá e pra cá. Alguns que não morreram pela doença, faleceram pelas armas, dentre eles: o padre, o farmacêutico e a mulher dele. Ainda irado, o cangaceiro, cujo nome era Severino, encontrou João Grilo e Chicó e os capturou. Com medo da morte, Grilo apresentou uma gaita para seu Severino dizendo que se fosse tocada após a morte de alguém, ela ressuscitaria a pessoa. Severino duvidou e a dupla resolveu fazer uma apresentação. Grilo forjou a morte de Chicó com uma facada e tocou o instrumento. Chicó supostamente ressuscitou e começou a dançar. Severino ficou doido, porém mesmo assim hesitou. Chicó inventou que o “Pádi Ciço” dedicou a gaita para o cangaceiro, então Severino aceitou. Mandou que o ajudante o matasse e tocasse a gaita. Claro que não deu certo. Chicó conseguiu escapar, mas Grilo não.
Acordou no Julgamento. Encontrou seus conhecidos que morreram: o padre, o farmacêutico, a mulher dele e seu Severino. O Diabo apareceu e, em sua ira, quase os mandou para o Inferno. João Grilo o desafiou e apelou para Deus. Ele apareceu, mas não tinha como salvar aquelas almas pecaminosas. A mulher do farmacêutico o traía desvairadamente. Pelas mãos do cangaceiro Severino escorria o sangue de inúmeras almas inocentes. Grilo, o padre e o farmacêutico carregavam o peso do engano: mentiram para aquelas pobres pessoas sem instrução que apenas queriam se livrar daquela doença tão terrível de proporção mundial, a COVID-19. Já era certo: todos se juntariam ao Diabo. Mas João Grilo era teimoso e esperto, não se deu por vencido. Apelou para a misericórdia da Compadecida. Ela, em sua glória, apareceu. Intercedeu por eles, afinal, eram almas puras corrompidas pelo sistema. O padre, o farmacêutico e sua mulher, garantiram as últimas vagas para o Purgatório. Para a surpresa de todos, o cangaceiro foi direto para o céu. As circunstâncias pesarosas o fizeram assim, ele não tinha culpa por ter enlouquecido na infância por causa do assassinato dos seus pais. Sobrou João Grilo. O que aconteceria com ele? Não se sabe se foi por arrependimento ou esperteza, ele começou a caminhar para o Inferno, para a felicidade do Diabo. Maria, mãe de Jesus, a Compadecida, suplicou a Deus para que Grilo tivesse outra chance. Assim aconteceu. Reviveu e até hoje vive por aí com seu amigo sobrevivendo e contando histórias.
Claro que houve dúvidas. João Grilo e Chicó foram procurados por jornalistas para confirmarem a veracidade do ocorrido. Apenas o segundo foi achado. Perguntado, apenas respondeu:
- Não sei, só sei que foi assim.
De: Alanys Soares Torres Galindo
Vítima da Infidelidade
Dora: - Olá, Severinhinho. Como está indo o trabalho?
Severino: - Cansativo! Terei que parar a cidade instaurando uma quarentena por causa de uma gripezinha.
Dora: - Meu Deus! Mas você precisa fazer isso?
Severino: - Sim. Isso vai contra a minha vontade, mas recebi ordens dos superiores para cumprir essa besteirazinha. Mas isso não vai durar muito tempo!
Dora: - Nossa, como você é tão inteligente, culto rs.
Severino: - Chega de conversinha! Vamos logo ao que você veio fazer aqui.
…
(Dora chega em sua casa)
Chicó: - Senhora Dora, poderia deixar eu sair mais cedo hoje? Preciso ajudar minha vó que está doente.
Dora: - Ai Chicó, não me chame de senhora! Pode me chamar de Dora rs. Claro, vá!
Chicó: - Obrigada, senhora Dora! Digo, Dora.
(Chicó chega na sua casa, onde mora com seu parceiro de crime)
Chicó: - E aí? Já podemos colocar o plano em prática?
João: - Tenha calma! Preciso de mais algumas informações. Quando tiver, poderei preparar as papeladas e tentar fazer com que eles assinem sem ler. Precisamos apenas do momento certo...
…
(Casa do Eurico e Dora)
Dora: - Marido, chegastes em casa tão cedo!
Eurico: - É, e isso se tornará raro! Se essa situação que estamos passando se prolongar, terei muito trabalho pela frente!
Dora: - Fala referente à gripezinha?
Eurico: - Sim, ao vírus.
Dora: - Estou achando um exagero parar a cidade, ficarmos em quarentena por isso!
Eurico: - Como sabe da quarentena? O prefeito ainda não divulgou nada sobre isso.
Dora: - Ah sabe, ouvi pessoas comentando… Mas você precisa se desestressar disso tudo. Venha cá! Irei te fazer uma massagem!
Eurico: - Oh mulher, você sempre tão carinhosa!
…
2 meses depois…
(sala de reunião do prefeito)
Severino: - Já se passaram meses que estamos fechados. Precisamos tentar reabrir! Estamos perdendo muito dinheiro!
Funcionário: - Exatamente 2 meses, Sr. prefeito. Mas as ordens da Organização Mundial da Saúde impossibilitam a reabertura dos comércios e a volta dos cidadãos à ativa.
Severino: - Isso não existe! Não podemos continuar perdendo tudo isso apenas porque alguns vão morrer. Temos que forçar a reabertura! Tenho certeza que o presidente irá concordar com isso! A economia é mais importante!
Funcionário: - Senhor, estamos com altos números de casos e de mortes. Acho que a economia não está sendo algo tão importante agora. Mas se formos pensar na economia, quanto mais pessoas mortas, mais prejudicial será.
Severino: - Números e mais números. Os únicos números que me importam são os da economia da cidade, que está sendo regida por mim! Quem tem que cuidar do número de mortes das pessoas é a Organização Mundial da Saúde!
…
(Sala do prefeito)
Secretária: - Sr. Severino, a Dora está à sua espera.
Severino: - Pode deixa-lá entrar!
…
Dora: - Oi, Severinhinho. Cada dia que passa, mais charmoso!
Severino: - Vejo que seu marido está trabalhando bastante, pela frequência que estamos nos vendo…
Dora: - Sim, ele está. Mas não vamos perder tempo falando dele...
...
(Casa de Eurico e Dora)
Chicó: - O que vai fazer agora?
Dora: - Estou me preparando para culto online.
Chicó: - Vai pedir perdão a Deus por estar traindo seu marido hoje?
Dora: - Chicó, olha como fala!
Chicó: - Desculpa, senhora. Achei que isso fosse pecado.
Dora: - Não posso fazer nada se sou uma mulher desejada, Chicó.
Chicó: - Mas continua sendo pecado, não?
Dora: - Chicó, está dispensado por hoje. Não precisarei dos seus serviços! Vá! Preciso terminar de me arrumar para o culto.
...
Severino viaja para participar das passeatas em brasília e volta após algumas semanas.
Dora: - Senti sua falta enquanto esteve fora!
Severino: - Tive que viajar a trabalho e não ficarei por muito tempo. Terei que voltar! Vim aqui só para algumas reuniões, afinal, não posso me ausentar por muito tempo.
Dora: - Claro! Você é um homem muito importante! Mas tenho certeza que voltou para me ver também.
Severino: - Não! Apenas para as reuniões! Tem mulheres em Brasília que oferecem o mesmo serviço.
Dora: - Severinhinho, mas isso que temos não é um serviço!
Severino: - Não sei onde você quer chegar, mas não tenho tempo para isso!
…
(Casa de Eurico e Dora)
(Reportagem: “O Prefeito Severino testa positivo para o Covid-19”)
Chicó: - Oh lasqueira! Acho melhor fazermos o teste também!
Eurico: - Por que faríamos?
Dora: - É, Chicó. Por que faríamos?
Chicó: - Porque... Porque o senhor Eurico saí pra trabalhar e pode acabar pegando.
Eurico: - Não tem nenhuma possibilidade! Utilizo todos os cuidados necessários. Fora que fiz dois testes esses dias e deram negativo! A Dora não sai de casa, então não tem como ter pego também. Pode ficar tranquilo, Chicó!
Dora: - Sim. E Deus está protegendo todos nós que servimos a ele!
(Eurico se dirige ao seu escritório deixando apenas Chicó e Dora na sala)
Chicó: - Senhora, você se encontrou com ele antes de sua última viagem. Podemos estar infectados!
Dora: - Acalma, Chicó! Apenas os pecadores irão morrer!
Chicó: - Que Deus tenha piedade de você então…
Dora: - Isso está ocorrendo por causa do Apocalipse! Mas eu irei pro reino de Deus!
Chicó: - E os Illuminati…
Dora: - Quem?
Chicó: - Os illuminati são os chineses. Eles criaram esse vírus em laboratório por causa do capitalismo
Dora: - Ah sim, faz sentido!
…
Algumas semanas depois...
Eurico: - João, preciso de sua ajuda! Estou desconfiado de Dora. Tomei todos os cuidados necessários contra esse vírus. Não teria como termos pegado se ela tivesse ficado esse tempo todo em casa… Fora que sempre que eu ia trabalhar, ela ficava me apressando e com uma animação estranha.
João: - Claro, amigo! Pedirei a um amigo meu para ver se descobre algo.
(Casa de Chicó e João)
João: - Preciso de todas aquelas fotos que você e a secretária do Severino tiraram!
Chicó: - Ok.
Após alguns dias do falecimento de Severino pelo vírus, Eurico recebe as fotos que provavam que sua esposa tinha um caso com o falecido prefeito. Muito abalado e desestruturado, ele pede ajuda ao seu amigo, João, para que cuidasse das papeladas do divórcio.
(Casa de Eurico)
João: - Aqui estão as papeladas. Você precisa apenas assinar, nada mais.
(Eurico assina rápido e vira a cara)
João: - Que desânimo é esse? Você está curado e divorciado, duas coisas ótimas!
Eurico: - …
João: - Vamos lá! Você precisa ficar para cima! Vamos beber!
…
Logo após aquela noite, João e Chicó dividiram o dinheiro dos bens de Eurico e fugiram do país. Eurico recebeu uma mensagem do seu banco que o informa sobre os bens que foram passados para João, do qual nunca mais se soube o paradeiro.
19 de Agosto de 2020, a pandemia não tinha acabado completamente, mas o surto tinha sido controlado. Sai um decreto determinando o retorno das atividades com a utilização de máscaras e outras formas de proteção.
No mesmo mês, a China solta um comunicado dizendo que foi concluída a vacina contra o Covid-19.
Dora, apenas com alguns meses de divórcio, se casa novamente. Mas seus dias de casada duraram pouco. Seu marido morre de forma misteriosa em sua casa. Assim, Dora volta à sua vida de socialite.
By: Luiza Henriques Amaral