2.2 Essa vadia sabe como me convencer.
As aulas acabaram e a galera resolveu ir almoçar no Ricardo. O Augusto ainda estava me evitando ou algo assim, sei lá.
Ricardo: Claro que tem. A questão é se a gente vai ou não. -Ele sorriu e piscou pra mim.
Nathy: Saída com a galera das antigas.
Manu: Já disse o quanto odeio aqueles teus amiguinhos dark?
Augusto: De preto, da escuridão, essas paradas.
Nathy: Ok, né... -Ela revirou os olhos.
Nathy: Problema teu, loira.
Gus: Aquele teu ex-namorado psicopata vai tá junto?
Nathy: Aham. Mas relaxa. -Ela o puxou pela camiseta e deu um tipo de beijo que não era beijo. Tipo, parecia um selinho, mas também não era selinho. Enfim, encostou a boca na dele.
Manu: So sweet, you guys!
Augusto: Não, Manu. Isso não tá fofo. É a Nathy! -Ele fez uma careta.
Nathy: Que porra é essa de fofa?! -Ela focou na gente de novo. -Não sou fofa. Não mesmo.
Ricardo: Hahah. Todos concordam contigo, Nathy. Nem precisa se preocupar com essa parte da tua reputação.
Manu: Como se ela ligasse pra reputação, hahah.
Eu: Que seja. Você "não liga". -Ironizei.
Ricardo: Vamos pra festa?
Ricardo: Sozinha...? -Ele olhou pro Augusto e pra mim de um jeito nada sutil, mas completamente safado.
Eu: Talvez com o Carlos. -Mordi o lábio meio nervosa enquanto olhava pro chão. Todos olharam pro Augusto na hora, que só engoliu seco e continuou com cara de paisagem, ou melhor: de cú.
Gus: Vai ter prova? -Ele tentou desfocar a galera um pouco.
Manu: Good luck, dear. -Ela se voltou pra mim enquanto piscava meio perplexa e parava de encarar o Augusto.
Eu: Valeu... -Mordi os lábios outra vez e levantei os olhos, encontrando os olhos do Augusto pairando sobre os meus. Sorri. Ele deu um riso amargurado e mexeu no cabelo, agoniado.
Fiquei lá mais um pouco com a galera e o Augusto não falava nada. Nem a respiração do idiota estava fazendo barulho. Depois de um tempo, resolvi que tinha que ir embora dali. Não ia dar pra manter as aparências daquele jeito e o clima no meio da galera estava tenso por nossa causa.
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Eu: Estou indo nessa, gente. Até amanhã. -Levantei do sofá em que a galera estava vendo um filme.
Nathy: O filme nem acabou ainda, guria. Fica aí.
Ricardo: Porra, princess. Que sacanagem.
Augusto: Ela tem que estudar com o Carlos, Ric.
Eu: É. Pois é. -Abaixei a cabeça e enrubesci.
Manu: Vou contigo. -Ela falou com cumplicidade.
Manu: Depois você me deseja mais, Ricardo. Tenho mesmo que ir. -Ela inclinou a cabeça pro meu lado tentando fazer com que ele entendesse algum tipo de código corporal que deveria servir para falar algo sobre mim e, consequentemente, o Augusto. Mas, cara, era o Ric. Ele não entendeu nada do que ela quis dizer e fez uma cara de quem estava muito confuso.
Manu: Esquece, Ricardo. Esquece... -Ela desistiu. -Vamos, Anne?
Nós saímos naquele vento frio e começamos a caminhar em silêncio na direção do carro dela. Acho que vou de carona hoje. Pois é.
Manu: Agora que a gente tá dentro do carro. Para onde vamos?
Eu: Pra casa? -Eu disse meio confusa.
Manu: Óbvio que não. Aquilo era só desculpa pra não ficar no mesmo ambiente que o Augusto que eu sei. Let's have fun!
Eu: Primeiro: para de falar em inglês. Segundo: era uma desculpa mesmo, mas eu quero ir pra casa, Manu...
Manu: Mas a gente não vai. Olha que mágico! -ela disse achando aquilo o máximo. Eu poderia citar mil razões pra achar o contrário, mas preferi ficar calada. -O que você acha da gente ir visitar o Pedro e depois sair pra um parque e ficar bebendo Heineken numa boa só pra tu relaxar?
Manu: Tu vai recusar uma tarde bebendo Heineken?!
Merda, essa vadia sabe como me convencer.
Eu: Ah, que droga. Bora logo, Manu. Dá partida nesse carro e vamos antes que eu mude de ideia.
Manu: Assim que se fala! -Ela meio que gritou, ligou o som e depois começou a dirigir que nem uma louca.
Eu: Só me deixa viva, cara! -Tentei fazê-la me ouvir através do barulho da música dentro do carro.
Manu: O quê?! -Ela gritou de volta. O carro deu uma leve derrapada.
Eu: Só tenta me deixar viva!
Manu: Hã?! Que merda tu tá dizendo?
Manu: A VIDA É MUITO LINDA MESMO, HAHAH! -Ela deu um sorriso aberto só pra mostrar que era bonita mesmo com aquele cabelo esvoaçando por causa das janelas abertas. Dei risada com ela.
Manu: Mas, na boa, posso te dizer algo?
Manu: Eu sou mais linda ainda, hahah!
Eu: HAHAH. Puta merda. Cala a boca, Manu.
A gente continuou rindo, sendo idiotas e cantando a música do carro até chegar na casa do Pedro, que estava de bermuda e Havaianas quando abriu o portão. A Manu deu uma olhada de cima a baixo nele.
Pedro: Que surpresa vocês aqui.
Manu: Eu sei. Vamos vestir alguma coisa, ou não, tu decide. -Ela mordeu os lábios. –Estamos indo no parque e, adivinha, tu vai junto.
Pedro: Só tu mesmo, Manu. Deixa-me só vestir alguma camiseta e colocar meu tênis. Fiquem a vontade.
Olhei em volta e estava tudo incrivelmente organizado. Não era possível que ele morasse sozinho.
Manu: Nesse casarão? Não mesmo. A mãe e irmã dele moram aqui também.
Falei que era impossível ele morar sozinho.
Manu: Morreu há poucos anos... Não comenta disso com ele não. Ele fica meio mal ainda. –Ela falou um pouco mais baixo.
Pedro: Pronto. Que parque a gente vai?
Manu: Parque do centro. Quer dirigir meu carro?
Trinta minutos depois, estávamos no centro da cidade, sentados no parque com algumas garrafinhas de Heineken, alguns maços de cigarro e uma mochila jogada no meio da roda. A Manu deitou no ombro do Pedro e eu apoiei minha cabeça nas pernas dela.
Pedro: Cadê o resto da galera?
Manu: Na casa do Ricardo.
Pedro: E por que vocês não estão lá?
Manu: A gente queria fazer algo diferente. -Mentira. A gente queria um escape.
Pedro: Desde quando beber Heineken é algo diferente pra vocês?
Manu: Desde quando a gente decide fazer isso no meio da tarde numa quinta-feira num parque sem a galera toda com um guri que a gente nem tem tanta intimidade assim. Além do fato de que estou embebedando a Ann e ela tem teste amanhã. Isso é algo meio diferente pra uma nerd que odeia não estudar.
Pedro: Ah! Mas não era melhor ela ficar sóbria pra poder, sei lá, focar um pouco nos estudos mais tarde?
Manu: Aaaaah nem. Não me diz que eu chamei outro nerd pra estragar a diversão da tarde?
Pedro: Só um pouco nerd, hahah. Mas eu sei me divertir muito além disso aqui.
Manu: Ah é? -Ela falou em tom de desafio e arqueou as sobrancelhas. -E como seria isso?
Manu: Duvido que você saiba se divertir como eu sei. –Ela mordeu os lábios.
Caralho. Agora só falta eles começarem a flertar aqui comigo de vela.
Eu: Vocês dois vão me deixar sozinha aqui? –Arqueei as sobrancelhas.
Pedro: Claro que não, linda. –Ele falou de um jeito meigo e sedutor. Depois abaixou os olhos. Pera. Com quem raios ele está flertando aqui? Tô meio confusa agora -Vocês têm que confiar em mim.
Daora a vida. Agora meu dia está cada vez melhor. E a diversão está nas mãos de um quase desconhecido nerd e sedutor.