Você pode desabafar comigo, se quiser. Jamais pense que irá me incomodar.
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Você pode desabafar comigo, se quiser. Jamais pense que irá me incomodar.
alguém para conversar?
(Nao precisa ler,eu so queria desabafar um pouco. peço que nao se importe com o que esta escrito aqui)
É complicado, a vida é complicado. Eu realmente tô tentando melhorar, mas cada dia que passa tô caindo em um limbo na minha própria mente. Tento ser engraçado com as pessoas a minha volta pra ter um "sentido" mas nem isso consigo mais.to me afundando em um vazio sem sentido com vontade de fazer nada. Eu virei essa noite(algo que não sou muito fã) porque estive pensando de mais e eu quero desistir, quero desistir de tentar,mas não posso. Eu tô cansado de ficar com migo mesmo,não aguento me ouvir,não aguento me olhar.
Eu fico pensando que se eu tivesse sido um pouco mais forte eu poderia ter salvado ele.
Eu queria uma direção pra seguir,um caminho.
Eu tento fazer a vida das pessoas a minha volta um pouco melhores e tento ser positivo,mas não entendo o por que eles ficarem bravas comigo,eu só queria ajudar.
Quando eu fecho os olhos,eu ainda me vejo sozinho na quele canto, me vejo no meu quarto escuro.
Não julgo minha mãe no ter me ajudado antes, mas ainda me pergunto o porquê,o porquê dela não ter me salvado.
Eu tenho medo de ficar sozinho.
"Talvez eu tenha nascido assim...Talvez eu tenha entendido muito cedo você...Ou talvez os caminhos que trilhei me levaram até a ponta desse abismo...Eu te odiei todos os dias, em cada segundo , em cada respiração...Nada tinha cor, tudo parecia sem vida...E eu apenas levantava e fazia dia após dia o que deveria ser feito...Sem saber o porque, e para que...E em todas essas batalhas internas eu me questionava o porque continuar aqui...Porque eu deveria levantar, porque eu deveria continuar lutando e morrendo no final de cada dia...E de repente eu pude enxergar alguma cor...E sem entender eu me questionei mais uma vez...Porque você queria me mostrar isso?...Porque eu deveria merecer?...Já não existia mais nada aqui dentro...Então dia após dia tudo foi ficando mais leve...Os sabores, a cor, e a brisa calma do vento voltaram...E nesse momento desisti de lutar, e de joelhos eu me perguntei...Será que eu posso ser feliz?...Será que eu posso ser feliz?...Será..."
Murilo C. David...
Frequência
Saudade é uma palavra estranha para descrever o que sinto por algo que nunca tive. Meu primo me contava de quando era pequeno, ele e os amigos com walkie talkies, um laser apontado para a janela do quarto de alguém como convite. Sem notificação, sem visto, sem bolinha verde. Um feixe de luz que dizia: estou aqui, e sei que você também está. Eu cresci querendo ter vivido isso. Ele foi meu primeiro amigo, meu primeiro modelo de como se existia no mundo, e talvez por isso eu ainda meça amizade pela régua dele sem perceber.
Imagina então minha surpresa quando, durante umas férias pensando em comprar walkie talkies com os meus, chegaram três mensagens de pessoas que considerava amigas dizendo que eu não me importava com a nossa amizade. O argumento: eu não mandava mensagem. Semanas, às vezes meses sem responder. Para elas isso era ausência. Para mim era só silêncio, que é diferente. Fiquei olhando para a tela tentando entender em que momento a prova de amizade virou atividade online. Em que momento o afeto virou métrica.
Não estou online logo eu morri. Não mandei mensagem logo eu não me importo. A lógica é essa e eu genuinamente não consigo habitar ela. Você não podia ter ligado? Batido na porta? Mandado sinal por outro canal que não fosse aquele onde eu comprovadamente não estava? A pergunta que fica não é por que eu sumia. É por que a amizade inteira estava depositada num único lugar tão frágil.
Agir dentro dessas regras me parece uma capitulação que não estou disposto a fazer. Com meus sete amigos de infância, os que estão comigo entre dez e vinte anos, isso nunca foi um problema. A gente some, volta, bate na porta, e o tempo não cobra juros. Um "cambio" no walkie talkie que não temos porque somos pirangueiros seria suficiente para retomar qualquer conversa de onde parou. Essa é a régua que aprendi com meu primo. Talvez seja velha. Talvez seja a única que faça sentido.
Largar as redes não é isolamento. É uma escolha sobre onde depositar atenção, que é o recurso mais escasso que existe. Eu prefiro o laser na janela, mesmo que seja metáfora, mesmo que seja saudade de algo que não vivi. Prefiro o sinal que exige que os dois estejam presentes de verdade, que não deixa histórico, que não tem bolinha de visto. Que some quando acaba e não deixa rastro nenhum para cobrar depois.
Eu não sei se teu coração tá apertado, se você tá cansado, se você precisa de uma palavra ou até mesmo um abraço, mas caso você precise, te deixo vários virtuais, e reforço aqui em palavras, por mais que as vzs você se sinta sozinh@, lembre-se que algum lugar do mundo tem alguém lutando também para permanecer bem, e que não é errado você pedi ajuda, que não é errado você chorar, que não é errado desabafar. Mesmo que as vezes você não encontre apoio em quem mais gostaria de encontrar, lá no fundo o seu maior conforto e sua maior força é você mesmo, e é necessário lembrar isso constantemente. Se precisar de uma ouvinte, pode se achegar, estamos aí para ouvir, sorrir, desabafar! Não se destrua, não acumule o que te destrói, falar ajuda, acredite!
C.A