Sua
Sou tua da hora em que sonho de olhos abertos à hora em que sonho guiada pelo subconsciente.
Sou tua quando me vejo em algum lugar diferente do habitual e, mesmo sabendo das (quase) inexistentes chances de te encontrar, desejo profundamente que na próxima vez em que der olhada ao redor, me depare com você, acompanhado de um sorriso no rosto, um bom papo para jogar ao ar e desacompanhado de companhia – um lugar vazio ao lado para eu me sentar.
Em ambientes lotados também sou tua, principalmente quando ando por aí (querendo te encontrar) e, (acredito eu que não ao acaso), trombo com algum homem usando o mesmo perfume que o seu.
Sou tua quando você sorri e até ri (gargalhar nunca, isso eu já reparei); mas também sou sua quando a tristeza e a incerteza aparecem te fazendo perder a compostura e a inocência, só eu sei o quanto me dói te ver se perdendo assim sem mim.
Sou sua quando você fala de determinado assunto sério – digno de uma roda de conversa de um bar da zona sul –, fazendo um péssimo uso do humor humano; e até mesmo quando faz o contrário, fala com a seriedade digna de um diplomata sobre qualquer infantilidade (para você é coisa séria, disso eu também sei), sendo esta, a parte que mais me agrada.
Mas também sou sua quando o assunto acaba e por uma fração de coragem nossos lábios não se tocam.
Sou sua pelos seus céus e infernos, razões e desilusões, belezas e sim, mais belezas, pois tudo em você me agrada por completo ao mais íntimo. É uma pena que disso tudo, de nada saibas.











