A Change of Heart || Deucett {Flashback; March 79}
Desde que terminara a escola, Jude Fawcett vinha tentando mudar vários aspectos em sua vida. Sentia que perdera muito tempo de seu último ano se preocupando com várias coisas que não eram – ou pelo menos, não deviam ser – importantes e acabara não estudando tanto quanto gostaria. Pior, acabara não escrevendo tanto quanto gostaria, e bagunçara toda a sua rotina que cuidadosamente construíra ao longo dos anos. Por isso, decidiu que estabeleceria novamente uma rotina em sua vida. E parte do plano de manter uma rotina era não ter várias pessoas ao seu redor que poderiam estragá-la facilmente, por isso decidira não permanecer na Escócia. Nunca fora seu plano se estabelecer por ali de qualquer forma, apesar de gostar de calmaria, não gostava do clima de lugar parado no tempo que o Chalé possuía. Não era o maior fã de agitação, mas havia uma calmaria interna em observar as coisas se movendo ao seu redor, e ali tudo parecia simplesmente não sair nunca do lugar. Por isso, mesmo sobre os protestos vigorosos de sua mãe, decidiu mudar-se para Londres. É claro que para isso precisava de um emprego que o permitisse se sustentar sozinho, pois mesmo que a mãe se oferecesse para lhe ajudar com dinheiro – o que ela não faria, por não aceitar aquela decisão – ele não aceitaria. Era algo que precisava fazer sozinho. Porém, não levou mais que dois meses para que conseguisse o estágio no Daily Prophet. Tinha boas notas e ainda anexara alguns de seus escritos na aplicação, o que logo o fez ser chamado. Para a sua alegria Bertram também fora chamado para trabalhar no mesmo lugar, e mesmo sendo solitário de natureza, ficou feliz em saber que teria ali um amigo com quem dividir a estranha experiência do primeiro emprego. Assim que se estabeleceu, tratou de começar a trabalhar para encontrar um espaço que pudesse alugar, e encontrou um pequeno apartamento por um preço razoável próximo ao centro da Londres trouxa. Mesmo não aprovando a mudança, sua mãe lhe deu um pouco de dinheiro para ajudá-lo e até mesmo o ajudou a levar as malas para aquele que seria seu novo lar.
Já faziam então quase seis meses que Jude estava em Londres, e já conseguira estabelecer para si uma rotina que julgava adequada. Ia trabalhar, andava um pouco pela cidade, sentava-se em um banco na Blackfriars Bridge e escrevia durante pelo menos uma hora, depois voltava para casa e terminava de fazer algo que não tivesse terminado no trabalho ou escrevia para a mãe, então lia um livro até o horário de ir dormir. Às vezes saía com Bertram para beber uma cerveja amanteigada no Caldeirão Furado, mas nada que ameaçasse sua tão bem construída rotina. Jude estava satisfeito em ter uma rotina correta para seguir, algo para fazer igual todos os dias, e não esperava que fosse mudar tão cedo. Porém nunca estivera tão enganado.
Parecia uma tarde como todas as outras. Havia acabado de voltar da caminhada pela cidade e sentava-se na minúscula escrivaninha que comprara para escrever uma carta para a mãe falando sobre seu dia, quando sons de alguém batendo em sua porta o fizeram pular na cadeira. Não esperava visitas, sua mãe avisaria se estivesse indo vê-lo e Bertram dissera que ia sair com Wendy naquele dia, então parecia improvável que um dos dois estivesse indo vê-lo, mas não conseguia imaginar quem mais iria até ali. – Já vou! – disse rapidamente, procurando pela varinha para colocá-la no bolso de trás da calça. Da forma que o mundo bruxo estava, quase entrando em colapso, não podia arriscar. Com o cenho franzido abriu a porta e a pessoa com quem se deparou ali parecia ainda menos improvável do que inicialmente imaginara. Imediatamente seus nervos, já em estado de alerta, agitaram-se terrivelmente de uma forma que fez o coração do Fawcett acelerar e as palavras ficarem engasgadas na garganta. Levara quase um ano para construir uma rotina em sua vida, algo que deixasse no passado o motivo anterior por ele deliberadamente acabar com a rotina tranquila que tinha em Hogwarts por conta de uma estúpida paixão platônica que alimentara por uma garota que jamais estaria em seu alcance, e quando finalmente sentia que havia superado aquilo... Ela estava ali, bem na sua frente, e para a sua surpresa ainda maior, percebeu que usava um vestido branco que só poderia ser de noiva. – Melanie? – perguntou, surpreso demais para articular algo mais inteligente.













