gente, eu tô chorandojajsjanbs
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gente, eu tô chorandojajsjanbs
Reposted from @brasil_progressista (@get_regrann) - Como esse governo manipula #deusdoceu #BrProgressista - #regrann (em Conceição de Macabu) https://www.instagram.com/p/B5ViETfA-U5CHIz64JkeS-xGYcA78k7Mf8AFQM0/?igshid=p40uq6yjaw4a
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#DeusdoCeu simplesmente maravilhosa essa instrumental #Jesus o #Rap é embaçado demais Séloco #chillhop #YouTube #radioonline #amusicatempoder
Este texto é um apelo. Uma necessidade. Uma obviedade, que de tão óbvia, precisa ser dita: se alguém está em luto perto de você, meu caro ou minha cara, pelo amor de Deus: tome cuidado. É que o luto derruba. Derruba mesmo. Fisicamente, inclusive. Você fica com uma sensação estranha que aquela falta vai, de alguma forma, te matar. Você não tem coragem pra tirar a própria vida, mas se morrer, também… Tanto faz. A pessoa de luto precisa ficar um pouco caída mesmo, deprimida, sem dormir. Alimente-a, acarinhe-a, acompanhe-a, vele pelo sono dela. Mas faça silêncio. E não tente levantá-la de lá por um tempo. A pessoa de luto não suporta ficar sozinha. Mas também não consegue ficar com gente perto. É que a pessoa com o coração enlutado sabe que ninguém ali perto sente o que ela sente. De certa forma, se ofende pelas pessoas sorrirem, brincarem, comemorarem aniversários, contarem piadas. Mas também precisa disso pra saber que a vida continua. A medida das coisas é sempre a sensibilidade… O olhar para o outro. Não julgue a pessoa em luto por nada que ela faça, porque provavelmente nem ela mesma sabe o que está fazendo. A loucura momentânea faz parte do luto. Não impeça namorados enlutados de visitarem a família de quem morreu. Não condene a mãe por colocar na mesa o prato do filho. Não estranhe irmãos quererem usar a roupa do irmão que se foi. Não ache maluco se alguém se irritar quando você sentar na cadeira que era da pessoa, trocar algo de lugar, fazer algo que o morto ou a morta não gostaria. Não ache estranho a esposa ficar perto da porta quando der a hora do marido chegar. Não ignore o choro de quem, todo dia, acorda e leva um susto ao lembrar que a pessoa morreu. Não force a pessoa a guardar nada, e nem a jogar nada fora. O tempo não é seu, é dela. Se quiser mesmo ajudar, tenha paciência pra ouvir a pessoa falar. É horrível a sensação de que quem morreu vai sumir com o tempo. Que você vai esquecer do cheiro, do som da voz, dos detalhes do rosto, de pedaços da história. Por isso, o enlutado tem a necessidade de ficar lembrando de quem se foi. Contando mil vezes a mesma história. Falando o nome da pessoa em cada situação. Vendo fotos, pegando objetos, montando relicários, guardando roupas, dormindo abraçado com aquela camisa. A gente fica pensando no que a pessoa diria, fazendo comidas que ela gostaria de comer, repetindo frases que ele ou ela falava. E magoa quando as pessoas mudam de assunto, como se o morto ou a morta, tão querido ou querida, incomodasse, fosse de mau agouro ou algo assim. Se quer ajudar, ouça. Incentive a falar. Não fique com pena. Mas se a opção do enlutado for o silêncio, não cutuque. É como passar a língua numa afta inflamada. Dói. Se você está enlutado, procure não só as pessoas que sentem pena de você, que estão tristes por você. Procure alguém que sinta realmente falta da pessoa que morreu. Se achegue a esses, porque só eles podem entender um pouco do que você sente. A pessoa enlutada vai tentar encontrar um caminho pra lidar com tudo isso. Talvez isso se refira a coisas materiais; deixe que ela decida o que vai fazer com as coisas. Deixe também se ela quiser assumir as causas da pessoa que morreu – se quiser brigar pelo que o morto brigava, se ela quiser pensar como ele ou ela pensava, se ela quiser retomar algum projeto que ele deixou pela metade. É um jeito de não deixar a pessoa morrer e, geralmente, daí saem coisas lindas. Admire, incentive. Não julgue a maneira como a pessoa enlutada vai achar pra lidar com a solidão. Não fofoque sobre viúvos que recomeçam a namorar, mães que resolvem ter outros filhos, parentes que somem e não querem conversar, gente que não quer receber visita, gente que não quer sair de casa, e outros que arrumam mil novos amigos. Aceite os altos e baixos desse processo. Não ache que sabe o tempo, a hora dos outros. Não estipule prazos para a normalidade do luto. Evite aquelas frases prontas que em nada servem para ajudar. Se quer falar sobre fé, superação, destino, dor, alegria, esperança, fale com o coração, não só com a língua. Se não souber, diga “não sei”. Não fique olhando com pena. Não compare as histórias dos outros com as suas. Não fique falando pelas costas. Não cobre decisões. Entenda se a pessoa mudar de ideia. Não seja maldoso com coisas como heranças, bens, dinheiro. Não fique apontando. Não trate histórias trágicas como histórias curiosas. É feio. É triste. E chateia. Se você realmente quer se colocar em um processo de ajuda, ajude… Mas seja decente. Ofereça-se… Mas não imponha-se. Enfim, compreenda: o luto é uma luta. Você pode ajudar, mas não pode lutar no lugar de ninguém. Em poucas situações a gente precisa mais de respeito e de amor do que essa. Ame. Respeite. E espere. Porque passa. Chega uma hora que dá vontade de viver de novo. E aí a gente se lembra direitinho de quem se dedicou a ajudar nesse caminho… E fica capaz de ajudar outras pessoas também. Morrer é inevitável. Chorar a morte de quem morre também. E o tempo faz seu trabalho. Acompanhar uma pessoa enlutada é esperar a borboleta sair do casulo, é esperar a rosa se abrir, é esperar a primavera chegar. Espere. Pode valer a pena.
Karina Cabral.