Só queria não me sentir tão perdida e cansada o tempo todo.
Talvez minha vida tivesse algum rumo daí.

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Só queria não me sentir tão perdida e cansada o tempo todo.
Talvez minha vida tivesse algum rumo daí.
Dias melhores virão, não é?
nos resta mais alguma coisa além de esperar?
Exausta de sentir muito
preferível não sentir nada.
Quando a depressão pesa toneladas sobre seu peito, tornando quase impossível se mexer, fazer o básico, existir...
Pergunto-me como o vazio pode ser tão avassalador. Mesmo depois de anos sentindo a mesma coisa, não acho uma resposta satisfatória para algo tão constante em uma vida tão transitória.
Se a vida é curta, poderia ao menos ser indiscriminadamente leve, para que pudéssemos viver antes do inevitável fim.
Sempre tive medo dos meus labirintos mentais,
de cada beco sombrio onde nenhuma fresta de luz alcança. E, quando lá me perco, temo nunca mais voltar. Por pouco não voltei da última vez e, quando olho de onde saí, assusta, porque aquela escuridão sempre vai morar aqui dentro.
A constância na minha existência
Nunca me senti tão sozinha como agora, tão inconvenientemente adulta.
Nunca quis precisar que alguém cuidasse de mim.
Na minha inocente ilusão de querer crescer justamente para não precisar ser cuidada, achava que, nesse processo, eu seria forte o suficiente para cuidar de mim mesma. Que tolice!
Sigo empacada na mesma inutilidade.
Meus treze anos passaram, mas meu peito ainda dói do mesmo jeito, meus pulmões ainda inundam toda madrugada, e o mundo segue pesando toneladas nas minhas costas.
Não quero me sentir assim para sempre,
latejante — uma ferida exposta, sangrando,
como se qualquer contato me dilacerasse mais e mais.
Digo a mim mesma que vai passar...
vai passar.
Mas a sensação permanece —
sempre presente,
como se durasse a minha vida inteira.
E não há cura nesse lugar,
apenas mais pontas afiadas
rasgando minha alma
sem cessar.
b r o k e n
Crescer em um “lar” disfuncional é acumular traumas ao longo dos anos; é instalar, inconscientemente, mecanismos de defesa que levaremos para a vida, mesmo sem querer. É cobrir-se com sensores tão sensíveis que apitam o tempo todo, como se o mundo inteiro fosse um campo de guerra. É crescer sem refúgios, sem zonas seguras, porque seu suposto lar — aquele lugar que deveria te acolher — te dá arrepios, te faz olhar por cima do ombro, sempre esperando pela próxima explosão.
Porque você sabe que ela virá quando menos esperar, e isso te aterroriza. E esse terror te persegue ao longo da vida, não importa onde você vá. Todos aqueles padrões criados pelo trauma em um cérebro tão frágil quanto o de uma criança em formação se solidificam ao longo do tempo, limitam seu mundo, sua autoimagem e sua perspectiva.
Você passa a olhar com desconfiança para cada esquina e teme passar por aquelas velhas emoções desgastantes. Cada barulho, cada elevação de voz — tem algo ali, se aproximando. O medo te persegue, a ansiedade se alastra, e, quando você menos percebe, você tem 30 anos e se sente com 10 novamente.
Algumas coisas nunca mudam, por mais que você tente, porque você nunca teve um berço que te abraçasse e te fizesse sentir seguro e perfeito.
“Você já estava quebrado desde o começo.”