Tonight we dine in... Hufflepuff // @Self
Mãe, perdoe-me por isso. Eu não sou o filho que você esperava que eu fosse, mas visto minha casa com muita honra agora. Acho que você vai entender essa escolha um dia, ainda que eu não entenda ainda, nós vamos. Eu hoje sinto orgulho de quem sou, sinto por mim, por Igor e por Amy. Eu te amo, feliz aniversário - Edgar Bones, 6º ano.
Eu não sabia que isso ia acontecer quando entrei em Hogwarts, não fazia ideia. Se meu eu de onze anos fosse escrever uma lista de coisas que não aconteceriam na minha vida, lá no topo provavelmente teria "Lufa-Lufa". Foi um deslize, e bem, cá estou. Ainda me lembro de quando entrei no salão principal pela primeira vez. Pequeno e magrelo eu tropeçava nas pontas da minha capa e caminhar era extremamente complicado. Só conversei com um garoto durante toda a viagem de trem, meu irmão estava muito ocupado lidando com seus próprios amigos para me dar atenção, e à primeira vista Diggory parecia um cara muito legal, infelizmente mal sabia eu. Ele tinha ideias muito firmes sobre quem seria, e assim como eu não tinha expectativas de ir parar na Lufa-Lufa, se eu não fosse do início do alfabeto eu diria que já tinham cumprido a cota anual, mas não, não era isso. Eu e Diggory acabamos ficando amigos bem rápido, duas crianças de cabelo cor-de-nada andando em uma fila mal organizada pra dentro do salão.
Uma mulher que se apresentou como McGonagall carregava um banco mínimo com um roto chapéu de bruxo marrom. Ela era comprida e não sorria, aparentava uma seriedade natural de bruxos mais experientes, e isso me deu medo. Igor nunca falou sobre a seleção, então eu não sabia o que esperar mesmo, me imaginei tendo que repetir um feitiço que nunca tinha visto na vida - ou tendo que competir contra um dragão. E outras crianças falavam alto ao meu redor, a que falava mais alto era um garoto de óculos, e só havia uma que nunca tinha aberto a boca, mas não me importei, Diggory que tagarelava no pé do meu ouvido falava sobre as casas, mais nada de muito importante. - Você acha que dói?
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar, onde seus moradores são justos e leais pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Não respondi de imediato, eu não sabia muito o que achar naquele momento, mas a voz de McGonagall se espalhou rápido quando ela disse o primeiro nome. Abbott. Uma menina baixinha e gordinha saltitou até o palco, e ela mal teve tempo de se sentar porque o chapéu já saiu gritando Lufa-Lufa. Eu já tinha ouvido falar da linhagem de Abbott, Giffard Abbott era o quadro na entrada do salão comunal da casa. Demorou menos de cinco pessoas até que fosse a vez dele. O chapéu em minha cabeça me cobriu os olhos e o cabelo, cobriu-me a alma de susto também ao começar a falar. Nervoso, batuquei os dedos contra o assento de madeira, balancei as pernas e roí calmamente a unha do dedão antes que o chapéu falasse alguma coisa. Um longo "hmmm" seguido de mais um período de silêncio.
Talvez então eu não pertencesse a Hogwarts. Talvez eu tivesse recebido a carta por engano e fosse realmente um aborto! Talvez... Talvez. Mas o chapéu voltou a falar, um som que parecia vir de dentro da minha cabeça, e os olhos curiosos dos alunos em volta pareceram segurar o ar dentro dos pulmões. Por alguns instantes o mundo foi feito de nada. "Você. Eu já sei o que fazer com você. Tem tudo que uma certa casa precisa, e vai ser uma grande contribuição." Mais silêncio. E então as palmas. O chapéu tinha gritado Lufa-Lufa, e eu agora estava me dirigindo no automático até a mesa comprida de crianças sorridentes, minha gravata - antes preta - agora assumia as cores da casa que seria sua morada pelos próximos anos. Meus colegas me davam tapinhas nas costas ao mesmo tempo que Diggory se juntava a nós na mesa. - Cara, que loucura, estamos na mesma casa... Acho que nós vamos ser bons amigos 'Ed. Ao menos pelos próximos seis anos, huh? - Há quem diga que a rivalidade entre nós começou bem ali, quando nos abraçamos animadamente e se sentamos pra comer coxas de frango com Edward Miller, mas a história é bem mais profunda. Talvez eu conte em um outro dia, uma outra vida.











