Por alguns segundos imaginou como seria a cena de dois rapazes altos como eles subindo no ombro um do outro só pra resgatar um gatinho. Era por uma boa causa, mas a cena era tão assombrosa que Jihoon logo fez questão de deletar aquilo da memória. Nada valeria tanta vergonha assim. “Será que a gente precisa ligar pros bombeiros? Na verdade, tem corpo de bombeiro por aqui?” Perguntou a Gus, tentando puxar alguma lembrança de ter visto um grande caminhão vermelho por aí, mas nada. Caraca, então Hongdae não tinha bombeiros? “Ou a gente pode pegar uma escada, ou o mais fácil: escalar.” Ergueu o rosto para encontrar o felino que miava incansavelmente, pedindo por ajuda. Estava voltando para casa e parou para responder uma mensagem de Dae quando ouviu os mesmos sons vindo logo acima de sua cabeça. Gus tinha sido a primeira vítima que viu por ali e não hesitou em pedir ajuda, mesmo que fosse somente para pensar. “Agora me explica como ele sobe e não consegue descer.” Resmungou de braços cruzados, considerando realmente subir naquela árvore de galhos finos. Era a fórmula perfeita para o desastre, mas não conseguiria deitar a cabeça no travesseiro com tranquilidade sabendo que deixou um pobre animalzinho na mão. “Eu tiro ele de lá e você pega aqui embaixo, pode ser?” Sugeriu, e com o consentimento dele, começou a escalar com cuidado para não cair e causar um grande acidente ali mesmo. Tinha feito muito isso quando moleque, mas não se lembrava da última vez que correra para o topo de uma árvore para fugir dos irmãos ou fingir que era dono do mundo. Agradeceu por seus braços serem longos e o gato ser dócil, pois esses dois elementos garantiram o sucesso de sua empreitada. Na verdade, três, pois se Gus não fosse quase tão alto quanto ele, talvez tivessem que enfrentar mais dificuldades. Uma mão aqui, um giro de corpo ali, um piso em falso no tronco da árvore e lá vai! Um belo Jihoon caindo de bunda no chão. “Tá pra nascer alguém mais azarado do que eu.” Disse entre risos, mas sabia que tinha sido sortudo o suficiente de ter caído de um lugar baixo. Aproveitando a pose até confortável, perguntou a Augusto: “Agora o que que a gente faz com esse gato? Tem alguma idenitifcação?”