Tú.
Estupidamente linda, é isso que você é. Lembro-me perfeitamente bem da roupa de academia, de como estava linda. E eu? Bom, eu estava normal. Recordo-me bem de quando você olhou-me nos corredores, eu sentia um súbito arrepio por entre minha coluna, em seguida a tontura vinha e eu ficava sem ar. Por meses você me tirou o ar. Eu encostava minha face na grade e tentava recuperar o ar que tu me roubava. Seus olhos castanhos lindos, eles me perseguem. Por seis meses vivi uma luta interna para cometer o erro e como chegar a isso. Está ai. Consegui. Ainda aqui em casa, olhasse-me nos olhos e dissesses que sou fria. Mal sabia tu que todo meu corpo estava em chamas, trêmulo, perdido só por estar ao teu lado. Mas deixa. Deixa que tu tenhas este olhar para comigo, pelo menos aparentemente não perco tanto. Balançou tu meu eu, virou-me do avesso, mostrou-me até onde meu querer era capaz de chegar. E tu? Tu chegou e se foi, como relâmpago, tu durou dois segundos. Os beijos? Os beijos foram intensos, foram demorados, gostosos, inesquecíveis e até agora arrisco-me em dizer que foi o melhor da minha vida. Mas tu, tu é livre, tu é solta, tu é bela, tu marca e vai embora. Acho bonito te espiando de longe. Tu é a oportunidade que me foi concedida por apenas uma vez. Teu cabelo loiro, teu olhar castanho, tua pele clara, teu corpo tão lindo. Mal sabia eu que estava caminhando para o meu ponto final. Pra mim? Só resta aceitar que foi, e eu tão desacreditada no impossível, eu que não permito-me perder, aceitei por hora a tua ida. Por que por hora? Porque acredito eu que vamos nos encontrar novamente nas entrelinhas do destino. Tu? Quem sabe tu fique. Lembro-me de você deitada em meu peito, cansada enquanto eu fazia carinho nas tuas madeixas claras. Você mexeu por longos minutos na minha kusumada, encheu-me de perguntas sobre o meu presente, mas tu não tinha a intenção de ficar. Perdida me encontro nas lembranças daquele dia. Aquele dia. Às cinco e vinte chegastes, às sete e vinte partisse, partiu do físico, em seis meses secreto e duas horas presente tu marcou minha vida. Teu beijo jamais esquecerei, mas tenho a consciência de ter começado errado, sendo assim, não tinha garantia para dar certo. Tenho tudo que tenho, estou feliz com isso. De nós ninguém nunca vai saber, pois te guardo no fundo do peito. Escrevo para ti pois visualizo e fica mais fácil de aceitar que tu fostes. De ti só quero mais um beijo, meu melhor erro, minha melhor persistência. Me resta aceitar que a vida é quase sempre cruel, nos dá sem garantia de para sempre. Eternizei aqueles minutos e rezarei todos os dias para que eu tenha um beijo teu novamente. Enquanto isso te enxergo de longe, te lembro de longe, te espio viver de longe. Tu és linda, eu jamais te esquecerei. Arrependo-me somente de não ter beijado-ti outra vez, eu jamais saberia que era o último.
Tu sabes quem sou.
















