Optamos pela Tamiris. Por favor, nos envie a url da Emn.
Amostra de turno:
O anel de noivado parecia pesar como chumbo. Atraiu o olhar do atendente e de várias pessoas que se sentavam ao balcão da cafeteria quando esticou o braço para alcançar seu cappuccino. Em teve de esforçar-se para não recolher a mão, pagando pelo expresso e deixando o estabelecimento logo em seguida. Era quase como se todos ao seu redor soubessem da novidade: Roy Prescott a pedira em casamento. Algo que não era tão improvável assim, considerando a fama do sobrenome de seu noivo. Acelerou o passo, desviando dos demais pedestres que por si só já formavam um verdadeiro trânsito nas calçadas do centro de Manhattan. Em ainda estava a meio caminho de se acostumar com aquilo.
Não que ligasse para o que andavam dizendo por aí. Toda a gente de elite da cidade escandalizada com a notícia de que “o descendente Prescott iria se casar com uma pobretona que não tinha nem aonde cair morta” pouco lhe importava. Opiniões e julgamentos equivocados alheios pesavam tanto para ela quanto uma gota de chuva. Mas estaria mentindo para si mesma se negasse que a situação estava começando a lhe irritar.
Não era como se já não tivesse problemas suficientes, veja bem. Ficara tão surpresa quanto qualquer outro quando Roy fizera o pedido, pois apesar de já estarem juntos há algum tempo, os dois jamais haviam superado a fase das brigas constantes. Na verdade, discutiam desde a primeira vez em que se viram e ela duvidava muito que um dia deixassem de fazê-lo. Também não fora fácil convencer sua família de que aquela seria uma boa ideia, uma vez que nem ela própria tinha certeza. Sem contar o fato de que os pais do noivo – principalmente a mãe – faziam questão de demonstrar sua aversão ao casamento e a qualquer coisa que se referisse a Emerald em geral.
Estava a apenas duas quadras de seu ateliê quando algo, do outro lado da rua, lhe chamou a atenção. Era a vitrine de uma loja de vestidos de noiva que Em jamais notara antes, mas que agora parecia brilhar para ela como um dos cassinos de Las Vegas. Seus pés começaram a mover-se involuntariamente naquela direção e, quando deu por si, já estava atravessando a faixa no sinal vermelho. Caminhou até a faixada da loja e parou em frente à vitrine, observando os vestidos de noiva do outro lado. Em nunca ligara para convencionalismos e não suportava futilidades, além de que sempre tivera uma crítica bastante consistente contra toda aquela tradição para cerimônias matrimoniais. Mas aqueles vestidos eram simplesmente tão bonitos…
Um resquício de sorriso transpassou seus lábios ao imaginar-se dentro de um deles. O reflexo do anel na vitrine chamou sua atenção e ela baixou os olhos para a mão que segurava o copo de cappuccino. A expressão maravilhada de Roy quando a ouviu dizer “sim” ainda era recente em sua memória e, naquele momento, um sentimento crescente de felicidade começou a substituir todas as suas inseguranças quanto ao grande passo que estava prestes a dar em sua vida. Podia discordar com tudo o que ele dizia e ser o oposto de Roy em milhares de aspectos, mas se ele a queria como sua esposa, então ela o queria como marido também.
Voltou a olhar para a loja apenas para memorizar o seu nome, pois seria ali o primeiro local que visitaria na hora de escolher o vestido, e então deu meia volta para continuar seu caminho até o ateliê. Os olhares indiscretos que a acompanhavam pela rua já não eram mais um empecilho, tampouco chegavam a ser um incômodo. Tudo o que lhe vinha à mente agora era que, muito em breve, seria a Sra. Prescott.