Como planejar sua história em uma hora
Olá, como vão vocês? Hoje eu gostaria de compartilhar com vocês uma forma fácil e simplificada de planejar um enredo (com a jornada do herói) já que eu sei que essa é uma dúvida recorrente. Assim, se você tiver as ideias principais em mente, isso ajudará a organizar as cenas e conceitos! Sim, essa é uma forma simplificada da “Jornada do Herói”, prometo trazer uma versão mais completa no futuro. Espero que seja útil!
Vamos lá!
ATO I: MUNDO COMUM
Um dia ruim ou tedioso
Aqui é onde mostramos o personagem no status quo inicial, seu mundo comum. Ele tem uma rotina que anestesia ou ele odeia sua vida. Aqui o personagem precisa ter a falta de algo. Seja a falta de aventura, amor, ambição ou vontade de viver, preso nesse marasmo ou tristeza/solidão. Ele se acostumou com essa forma de vida e agora acha que é tudo o que ele tem, merece ou pode conquistar. Vale lembrar que nem tudo precisar ser um drama; ele pode apenas estar entediado ou estar fazendo algo por culpa de outros, como os pais ou amigos, ou por causa de algo que aconteceu antes.
É esse o momento que chamamos de exposição. Ele deve preparar o enredo para o que virá no futuro.
Devemos estabelecer a ambientação em que o Personagem se encontra e a ambientação que poderá ser possível no futuro. Por exemplo, um adolescente no ensino médio e depois a faculdade ou o que ele poderia fazer mais à frente.
Devemos estabelecer os personagens principais. Aqui fazer um pré-planejamento pode ser interessante. Quais são os personagens e qual o papel deles? Decida quais personagens terão importância e quais ficaram para trás quando o protagonista estiver cumprindo seu arco e objetivos pela história.
Devemos estabelecer empatia. Sim, não estou dizendo que seu protagonista precisa ser uma pessoa cem por cento boa e de fato ele deve ter falhas e cometer erros, como qualquer ser humano. Devemos ter certeza que o leitor tenha empatia pelo personagem. Sabe você quando lê algo e acha interessante, mesmo que você não goste da personalidade do personagem ou suas atitudes? Isso é empatia. É achar interessante mesmo quando sua moral diz o contrário.
Devemos estabelecer o conflito. Quer dizer, precisamos estabelecer um conflito inicial, isso é, algo que incomode o personagem e que no futuro o faça querer ir à busca de algo a mais, entende? Aqui é quando mostramos a insatisfação do personagem com algo na vida dele. Esse é o conflito inicial, algo que vem antes do evento incitante. Devo frisar que já vi muitas pessoas pulando e direto para o evento incitante, então, não é algo cem por cento necessário. Acho interessante abordar esse tipo de conflito porque nos ajuda a atender um pouco melhor quem é o personagem e qual história iremos ler, nosso tema e premissa.
Devemos estabelecer falhas, vontades e necessidades. É algo que eu já falei bastante no blog. Sem o lado mais escuro ou pessoal/egoísta do personagem é bem difícil ter qualquer tipo de história/enredo, assim ele precisa ter essas três coisinhas.
Falhas: Qual seria essa coisa que não deixa seu personagem dormir a noite? Algo em que ele não é bom? Ele tem inveja de alguém? Ele precisa carregar um peso que ele não pediu? Falhas são o que o diferenciam de um personagem qualquer, porque por fora qualquer pode parecer completamente bom ou mal, porém é por dentro que estão os aspectos interessantes do seu personagem.
Necessidades: São bons motivadores de enredo. Um personagem pode ser obrigado a embarcar numa aventura para trazer comida a seus pais, pode ser para salvar alguém que ele ame ou para ajudar sua comunidade. Entretanto, iremos nos focar nos personagens. Qual seriam suas necessidades? É a dificuldade de encontrar comida? De se vestir, salvar pessoas ou seria uma criança que cresceu sem amor e sem nem perceber busca por isso. Essas necessidades podem ser qualquer coisa que falte ao personagem, qualquer coisa que o faça sair de seu canto confortável e encarar esse mundo misterioso.
Vontades: Ah, é o melhor tipo de enredo. Aqui é o personagem tomando o controle da situação (quando ele aceita o desafio) e indo nessa aventura por vontade própria. Ele não aceita por obrigação, culpa, dever, pressão de amigos ou conhecidos, ou por causa de uma profecia, aqui ele não é o escolhido. São suas vontades que estão no foco. Ele quer a glória, ele quer aquela pessoa bonita, quer uma roupa, um emprego, um cargo, quer poder ou até a dominação do mundo. Aqui ele simplesmente quer. No começo ele pode passar por aquela negação básica, pode estar envergonhado de querer aquilo ou ir contra sua moral, porém esse tipo de enredo sempre trará as melhores situações.
Resumindo: Nessas primeiras linhas devemos fazer a exposição do enredo:
Mundo comum;
Personagens principais;
Ambientação;
Conflitos iniciais;
Empatia;
Falhas, necessidades e Vontades.
Seu leitor deve ser capaz de saber quem os personagens são, se afeiçoar a eles, entender qual é essa ambientação inicial ou geral, falhas, necessidades e vontades de seu personagem.
Algo diferente acontece
Aqui é o começo do nosso chamado à aventura! Porém, nesse ponto, nosso protagonista negará que haja um problema. Pessoalmente? Algumas vezes ignoro esse ponto, principalmente se o enredo for focado na vontade do personagem. Afinal, se ele quer fazer isso porque ficar fazendo manha? Entretanto, esse é outro ponto onde podemos usar para desenvolver qualquer coisa que tenha faltado no início da exposição. Não conseguiu falar muito da ambientação? Faltou introduzir aquele personagem legal? É aqui que eu colocaria, enquanto ele nega e se tortura, por que não adicionar um tempero à mistura?
Resumindo: Algo estranho/interessante acontece e o protagonista decide que não é um problema grande o suficiente ou que o problema não é dele.
Aumentando os riscos
É quando o problema se torna maior do que o esperado (para o personagem). Ele ainda se nega a ver o conflito/desafio e tenta se apegar a qualquer coisa que o salve dessa situação. Assim nasce nosso momento incitante! Sabe aquela cena interessante que obriga o protagonista a agir e a aceitar o desafio? Essa cena deve entrar aqui. Esse é o chamado à aventura final e ele deve aceitá-la. Se lembre, essa cena deve ser capaz de surpreender seus leitores ou ao menos trazer emoções fortes e, claro, deve propor a aventura que seu personagem não poderá rejeitar.
Resumindo:
Problemas aumentam;
Chamado à Aventura.
Grande Revés
Esse é o momento em que o personagem se vê fora de sua zona de conforto, se preparando para partir ou iniciar essa nova fase de descobertas. Ainda há certa relutância, ele tenta resolver os problemas sem ter que atender ao “chamado à aventura” e falha, decidido a embarcar na jornada. Aqui nosso herói vê que tudo está mudando e com isso novos conflitos surgem, o antagonista deve fazer uma aparição se é que ele já não apareceu. Novos aliados também começam a surgir. O importante aqui é mostrar que o que ele conhecia já não é o suficiente e mesmo que seja doloroso ele precisa enfrentar isso, encerrando o primeiro ato.
Resumindo:
Relutância;
Tenta resolver o problema sem se comprometer;
O mundo velho já não o satisfaz;
Decide embarcar na jornada.
ATO II: PRIMEIRO PONTO DE VIRADA (O personagem não poderá voltar atrás)
O Novo Mundo
Finamente saímos e exploramos esse novo mundo, a metáfora serve tanto figurada quanto literal. O que seria esse mundo exatamente? Seria um romance? O mundo do crime? Seria o personagem sair de casa para comprar leite sendo que ele tem fobia social? O interessante aqui é o protagonista explorar a missão que foi lhe dada, conhecendo outros personagens que serão importantes daqui para a frente, achando outros lugares onde eles se sintam bem e descobrindo qual o real papel deles nisso tudo. Aqui o personagem se encontra e descobre o que ele terá que fazer até o final da história.
Resumindo:
Exploração do novo mundo;
Aceitação do desafio/conflito;
Novos aliados e novos lugares;
Protagonista descobre qual seu papel naquilo tudo.
Testes e dificuldades
Sim, aqui é quando os desafios se iniciam. O personagem precisa passar por dificuldades. Imagine que ele está tentando algo novo, e nesse aprendizado haverá falhas e haverá vitorias, ele ficará frustrado e duvidará ser capaz. Obstáculos devem testar sua força de vontade e coragem. Se lembram da premissa? Aqui ela deve ser clara. Qual o objetivo do seu personagem? É aprender um novo instrumento, uma nova língua? Ou será uma aventura no modo mais clássico da coisa? Deixe o que é isso claro no texto.
Resumindo:
Desafios, obstáculos e desafios;
As dificuldades devem ser o suficiente para fazer o personagem luta pelo que ele quer;
Premissa.
Primeiras vitorias
Aqui o personagem passou pelas primeiras provações e saiu vitorioso, se mostrando capaz de avança e com isso ganhando o respeito de seus aliados. É o momento de um pequeno respiro, de descansar. Ele se diverte ou relaxa um pouco e a aceitação vem mesmo que hesitante. Essa aceitação pode ser do protagonista ou de outros. Aqui é importante comemorar as primeiras vitórias com seus aliados.
Resumindo:
Primeiras vitorias;
Descanso;
Comemorar Vitorias.
Primeiro conflito
Após relaxar achando que tinham vencido, a primeira batalha acontece. Essa foi a calmaria antes do tornado. E de novo podemos ou não ser literais. É uma batalha física? Um desentendimento entre personagens? Os amantes discutem pela primeira vez? É aqui onde o antagonista se revela ou a presença de um. A seriedade aumenta e tudo se torna mais perigoso.
Resumindo:
Primeira batalha;
O antagonista aparece;
Tudo se torna mais serio e perigoso.
Novo problema
Um novo problema ou dificuldade aparece colocando em risco tudo o que o progonista fez até ali. Pode ser uma situação que precisa ser resolvida para o protagonista avançar, pode ser uma traição, um problema que ele nem sabia que teria ou uma grande surpresa. O protagonista vai atrás de respostas vendo que aquilo se torna importante para sua aventura.
Resumindo:
Um novo problema surge;
Protagonista vai atrás de respostas ou soluções.
Novas informações (Ponto de virada do Meio - De vítima a guerreiro)
Aqui é onde nosso personagem encontra essas respostas e age conforme o que ele descobriu. Ele pode dividir essas informações com seus aliados ou não. Ele cria um novo plano de batalha para combater o problema. Sua decisão definirá se eles saíram vitoriosos ou não.
Resumindo:
Personagem encontra respostas;
Pode ou não dividir as respostar com seus aliados;
Decide um curso de ação.
Em direção à vitória
O protagonista percebe que tem uma chance real de completar sua missão, se sentindo mais confiante. Aperfeiçoa o plano de batalha. Ele frustra os planos do antagonista ou ele soluciona o problema principal, porém ainda não derrota o antagonista completamente.
Resumindo:
Protagonista fica confiante e aperfeiçoa o plano de batalha.
Primeiro embate com o antagonista, porém não o derrota complementante.
Ponto Critico (Segunda batalha)
O protagonista é confiado com uma tarefa importante, executar os planos finais para vencer a guerra. Mais um combate se dá. Eles executam o plano e combatem as forças do antagonista que agora está mais forte. O plano dá errado devido à falta de informações ou pela confiança exagerada do protagonista. Em seguida vemos as consequências, alguém pode ter morrido ou o protagonista pode ter perdido alguma coisa. As consequências da derrota deve ser dramática e ter peso na história.
Resumindo:
O protagonista é o responsável por executar o plano;
Combate as forças do antagonista;
O plano dá errado devido à falta de informações ou pela confiança exagerada do protagonista;
Consequências da derrota.
Revelações
Os planos completos ou a real identidade do antagonista é revelada. O nível de seriedade aumenta. O protagonista fica com raiva e com culpa, totalmente arrasado.
ATO III: SEGUNDO PONTO DE VIRADA - escuridão
Desistindo e Persistindo
Protagonista perde a confiança, o antagonista e suas forças estão muito fortes. O que eles precisam é impossível de conseguir. É nesse momento que os aliados conversam com o protagonista, compartilhando pensamentos e experiencias de forma vulnerável, motivando o protagonista a não desistir, o fazendo lembrar o que realmente era importante e pelo o que eles lutavam. A decisão de continuar tentando é a do protagonista.
Resumindo:
Protagonista perde a confiança;
Os aliados conversam com o protagonista, compartilhando pensamentos e experiencias;
O Protagonista se lembra pelo que estava lutando;
O Protagonista decidi continuar ou não.
Fim da linha
Aqui o protagonista decide continuar mesmo sabendo que tem uma chance minima de vencer. Nesse momento temos duas alternativas: o herói pode derrotar o antagonista e ir direto para o desfecho do enredo ou o vilão triunfa e toda esperança se perde, seguindo da confrontação falha fatal do personagem. Só que algo acontece ou devido a alguma habilidade, uma arma ou um aliado surpresa o ajuda. Um sacrifício é feito e a vitória em fim é algo real. Os inocentes são salvos, o problema enfim completamente resolvido e o protagonista reflete sobre tudo o que aconteceu e o que ele se tornou, podendo ser algo positivo ou negativo.
Renascimento (Retorno para o mundo antigo)
O protagonista enfim cumpriu sua missão e recebeu as recompensas, está na hora de voltar para casa. O importante deve ser aprendido e profundamente modificado no protagonista. De ambição para servitude, egoismo para bondade. Essa é a morte do antigo eu do personagem e seu renascimento nesse ser mais sábio e experiente. Há uma cerimônia ou comemoração final, assim, voltando ao ponto em que ele partiu.
Extra: Podemos colocar dicas do que aconteceria no futuro ou como o antagonista terminou depois de sua derrota.
E assim, terminamos mais um post! Sei que a leitura foi longa, mas organizar sua própria história com esses passos pode simplificar nossa vida, não? Se lembre que cada passo aqui mostrado é uma sugestão. Fique livre para pular passos ou começar a história no ponto em que você quiser, apenas se lembre de estabelecer bem os personagens principais, seus objetivos, gostos e ambientação!
Não se esqueçam de compartilhar com os amigos e nos apoiar.
Até a próxima,
Ana!






















