Aveiras de Cima, Portugal by Sr. Cordeiro https://flic.kr/p/2hkVuDN
seen from United Kingdom
seen from China

seen from Canada
seen from United States
seen from Germany

seen from Saudi Arabia
seen from Canada
seen from Sweden
seen from China
seen from United States
seen from United States

seen from Germany
seen from United States

seen from United Kingdom

seen from Maldives

seen from Tunisia
seen from Poland
seen from United States
seen from United States

seen from Germany
Aveiras de Cima, Portugal by Sr. Cordeiro https://flic.kr/p/2hkVuDN
“Ereira”
Miguel Ereira, Pombal, Portugal.
Na Catedral da Lampreia (parte 2) + Entrevista
Primeira parte aqui
Restaurantes típicos e Rústicos
Passeando pelas ruas da Ereira, é fácil encontrar restaurantes que sirvam lampreia. Mas não se pense que são os sítios mais modernos que atraem a clientela. Fernando Curto revela que “as pessoas não querem coisas requintadas, querem restaurantes típicos… mesmo que não tenham as melhores condições”. Entramos numa casa de pasto que mais se parece com um café normal.
Na cozinha, preparam-se lampreias. Nestes restaurantes, a lampreia é sempre prato do dia sem o ser. Isto é, come-se todos os dias mas tem de ser encomendada com 24 horas de antecedência. E quem a come é “malta da alta, do mundo da banca e das finanças, mas que gosta de poder ir atrás do balcão”, destaca Fernando Curto.
A lampreia é um ícone gastronómico
Luís Leal
Presidente Câmara Municipal Montemor-o-Velho
Qual a importância da lampreia para a região?
A lampreia é um ícone gastronómico, mas não por si só. Estamos a falar de um pivô gastronómico, no qual se juntam a lampreia e o arroz carolino. Assim, potencia-se a qualidade gastronómica da região. Para além disso, cria postos de trabalhos diretos (pescadores) eindiretos (restaurantes e turismo).
É parte da identidade cultural do concelho?
A lampreia é ancestral, sempre se comeu. Mas houve novidades, com a passagem deste prato para a condição de excecionalidade Quando se considerou um bem de exceção, houve pessoas que começaram a comer só por ser VIP. Agora, saber saborear, só quem sempre esteve junto ao rio Mondego.
Como se lida com a competição, interna e externa?
É habitual a comparação com a lampreia de Penacova, mas eu gosto de ambas. Não tenho problema em comer lá lampreia. E eles também vêm cá ao festival. Agora, em relação à que vem do estrangeiro, nota-se bem a diferença da nossa. Só lhes digo: venham provar e vejam!
Como vai ser o Festival do Arroz e da Lampreia deste ano?
Se houver festival, e tudo indica que sim, vai ser de 25 a 27 de março e de 1 a 3 de abril. E, embora a decisão só seja tomada no final do mês, esperamos que seja num espaço que todos deviam visitar, o Centro de Alto Rendimento.
By Marco Roque - publicado in Revista C (17/02/2011)
Na Catedral da Lampreia (parte 1)
Quem chega à Ereira, aldeia perto de Montemor-o-Velho, encontra duas coisas. Do lado direito, uma estátua de "homenagem ao pescador". Em frente, uma rotunda. E, na rotunda, uma placa que diz "homenagem ao pescador da lampreia, que tão longe leva o nome desta terra".
A lampreia tornou-se, de facto, ao longo dos anos, um ícone da Ereira. "É importante ao nível económico e cultural", conta Fernando Curto, presidente da junta de freguesia. "A pesca da lampreia veio dar alguma riqueza a uma zona que era pobre. E ainda temos muitos pescadores que vivem da pesca", acrescenta.
O impacto económico é óbvio. A pesca não só dá emprego ao pescador como aos inúmeros restaurantes que apresentam o petisco como prato principal. "Muita gente vem cá por causa da lampreia. É já um privilégio, uma marca que atrai turismo". É bom não só para Ereira, mas para todo o concelho. Muitas das pessoas vão ao festival a Montemor por causa deste prato.
“Com coisas de comer não se deve brincar, ajoelhem-se perante o solo sagrado desta catedral da lampreia e prestemos honras devidas a esta abençoada lampreia da Ereira”. Os versos não são de Afonso Duarte, poeta-mor daquela aldeida da beira Mondego, vêm de um autor desconhecido. Mas só provam que a lampreia não é só comida. Faz parte da identidade e cultura da terra.
Afonso Duarte nunca dedicou grandes versos à lampreia. Mas disse que a aldeia passa “meio ano a laborar, meio ano a pescar”. E, “enquanto a agricultura sofreu grandes transformações nos últimos anos, ficando mais mecanizada, e agora tem pouco de cultural, a pesca ainda se faz como há anos” sublinha Fernando Curto. “A pesca faz parte da nossa cultura”, garante.
O autarca brinca com isso. “Costumo dizer que, quando me perguntam donde sou, e respondo Montemor, as pessoas respondem logo: ‘Ah! É perto da Ereira, a terra da lampreia”, ri. E claro que há competição por este título. “Até temos uma rivalidade com Penacova. Eles dizem que são a capital da lampreia e nós dizemos que somos a catedral”, sublinha.
Estamos perante uma pesca difícil. “É uma arte dura, tem de se andar a espetar estacas e a montar redes. Os jovens não gostam de se meter nisso, mas ainda temos algumas dúzias de pescadores”, destaca. Há o risco da pesca acabar? “Embora cada vez haja menos peixe, acho que esta tradição nunca vai desaparecer"… Se não for com muitos pescadores, será com poucos.
By Marco Roque - publicado in Revista C (17/02/2011)