@vctfxt
Era finalmente véspera de Ano Novo. As festividades de final de ano nunca demoraram tanto para chegar quanto em 1890. Por mais que Izzie tivesse dúvidas sobre a existência e miraculosidade do homenageado do dia 25 de dezembro, este era um de seus dias favoritos no ano, uma vez que a família toda se reunia em frente a lareira para ouvir contos natalinos ou cantar canções típicas defronte ao elegante piano que resplandecia com o fogo próximo. Risadas ecoavam pela espaçosa sala dos Frankestein e Izzie acreditava docemente que as gargalhadas podiam chegar a toda Londres por meio da chaminé. Mas isso era de um passado relativamente distante e não tardou para que um amargor surgisse em seus lábios ao recordar sobre Caroline, Alphonse e, principalmente Victor, este, o mais amado de todos.
Seria o primeiro Ano Novo, que ela se recordava, que passaria longe dos braços de seu mais querido amigo e, naturalmente, enquanto sentava esmorecida penteando seus longos fios castanhos claros, o remorso passou a dominar ainda mais seu coração — se é que ela ainda tinha um. Um homem pernicioso, porém extremamente eloquente e sedutor havia lhe arrastado quase que literalmente para as profundezas, trazendo-lhe tormentos que ela jamais havia experimentado; mesmo que ele lhe satisfizesse a lascívia e outros pecados, a agonia de não poder contactar Victor era maior do que a concretização de qualquer desejo carnal ou de vivenciar uma suposta liberdade.
Já trajando um vestido de veludo vinho com rosas delicadamente bordadas e botões dourados, Lavenza desceu lentamente as longas escadas da mansão que seu Senhor havia lhe abrigado, observando o escasso movimento. Numa mesa de mogno, havia quatro máscaras venezianas quase idênticas e Izzie escolheu uma branca, com detalhes em ouro e longas e delicadas penas negras, colocando-a logo em seguida. Sentou-se no sofá, sentindo-se fraca — talvez pela falta de sangue ou simplesmente pelas variadas emoções que lhe acometiam ao mesmo tempo — aguardou seu Mestre e suas companheiras descerem para festejar, supostamente, o Ano Novo na mansão Gray.
Finalmente, já no deslumbrante salão que já lhe era conhecido, Izzie passou a flanar despretensiosamente pelos convidados, todos mascarados; os pescoços de algumas visitas despertavam seu interesse, mas ela lutava para não sucumbir ao desejo de dilacerar suas gargantas. Recostada num móvel, bebericando um vinho e cansada demais para flertar com uma possível vítima, Izzie pode perceber que um novo sangue havia chegado ao recinto. Ela conhecia aquelas notas. Prontamente começou a andar pelo ambiente, absolutamente inebriada pela presença de quem ela julgava ser seu verdadeiro possuidor, esquecendo-se completamente de sua etiqueta ao esbarrar nos convidados e não pedir desculpas por tal erro. Já próxima deste alguém, levou as pontas trêmulas de seus dedos ao ombro do mais alto, ao mesmo tempo em que retirava sua máscara veneziana com a mão livre: — Vic-Victor… — balbuciou, esperando algum retorno.












