Os jornais de Londres estampavam uma matéria diferente do comum. É claro que anúncios sobre casas assombradas, ajuda para lidar com fantasmas e pedidos de caçadores se tornaram normais, mas uma notícia envolvendo o paranormal estampar a primeira página? Era óbvio que não seria nada de bom.
O que a matéria dizia? O acontecimento de um “ghost lock”, seguido de morte. Faziam 25 anos que tal evento não acontecia, e agora o SISCEF começa a se desesperar para encontrar explicações, ou melhor, justificativas do porquê nenhum agente, nenhuma equipe, e nenhum caçador teve conhecimento da mansão assombrada localizada em Bakewell.
O “ghost lock”, para aqueles que nunca ouviram falar — o que é comum! Porque havia sido considerado um evento extinto —, é o quando um fantasma, mais especificamente um poltergeist, consume a total atenção e vitalidade de sua vítima, levando o humano ao que poderíamos chamar de um estado vegetativo. Se não impedido em questão de segundos, o caso evolui para morte. E foi justamente isso que aconteceu com Alexa Jones, de 16 anos. A garota que trabalhava como babá na mansão recebeu à noite a visita surpresa de um poltergeist, e sem ninguém para ajudá-la, sua morte foi inevitável.
O rosto conhecido de David Greer, diretor da SISCEF, não demorou em estampar as televisões. Em entrevista exclusiva, ele pediu desculpas pelo acontecimento. É claro que não iria deixar cair tudo sobre os ombros dele, não, não... na primeira oportunidade que teve, a seguinte frase foi proferida: “Nós contamos com o apoio da Academia Exspiravit. Se um caso desses aconteceu, certamente é porque não fizeram uma busca mais profunda nas áreas afastadas de Londres, para acharem casos que poderiam trabalhar. Vamos contatar o diretor da instituição, e medidas serão tomadas. É claro que também daremos todo o auxílio necessário para a família Jones.”; com isso, a imagem dele foi trocada por outra coisa menos interessante.
Os passos pesados de Timothy Doyle podiam ser ouvidos de longe, enquanto ele caminhava por um dos corredores de Exspiravit para chegar ao seu escritório. “Que canalha, que canalha...”, era a única frase que ecoava dos lábios do homem mais velho. Sua secretária já o aguardava, sabendo que ele estaria nervoso. “Justamente agora que anunciaríamos o baile beneficente em comemoração ao aniversário de Exspiravit!”, ele jogava os braços para cima. “O que iremos fazer?”, seu olhar suplicava para a secretária, esperando que ela tivesse uma resposta mágica. Felizmente, ela sorriu. “Não se preocupe, eu tenho uma ideia.”










