❝ Everyone's looking at me I'm running around in circles. A quiet desperation's building higher. I've got to remember this is just a game. It's time to forget about the past, to wash away what happened last. ❞
▪ The higher I get, the lower I’ll sink.
(tw: menção de violência sexual)
Ser filha do xerife de uma cidade pequena nunca poderia ser fácil, mas para Lydia Archbald as coisas pareciam ser ainda piores. Considerada uma das meninas mais populares da cidade, Lydia tinha um grupo de amigos seleto e que ela mesma fazia questão de não deixar ninguém novo aparecer. Podia parecer esnobe de sua parte, porém era o seu jeito de mostrar que aquelas pessoas, suas amigas, eram as pessoas mais importantes para ela e que a possibilidade de ser trocada por alguém a aterrorizava.
A loira considerava sua vida boa, praticava futebol e era considerada uma das melhores jogadoras, tinha um grupo de amigos que realmente gostava e tinha dinheiro suficiente para ter o que bem entendesse. Não tinha como ficar melhor, até que tudo desabou diante de seus olhos. A morte de Marissa Aldrin abalou toda a cidade, mas principalmente à Lydia, pelo menos era como ela via. A garota só ficou sabendo sobre a morte da amiga de seu meio irmão no dia seguinte, quando acordou para a aula e seu pai estava chegando do trabalho, claramente abalado e cansado, contando o que havia acontecido. Ou melhor, contando o que ele acreditava ter acontecido.
Os dias que se seguiram foram como um borrão para ela. Uma briga de seu pai com seu meio irmão, Bradley, foi a única coisa que realmente ficou gravada na mente da menina. A crença do homem, que Axel havia realmente matado a própria namorada, trouxe um pequeno caos à cidade, afinal, que prova ele tinha que algo como aquilo poderia ter acontecido? Nenhuma! Mas o homem estava convicto de sua versão. Falava para todos que iria encontrar provas suficientes para convencê-los e Lydia só queria que aquilo acabasse. Foi quando sua vida começou a ruir de verdade. Seu pai não se separou da madrasta, mas Brad mudou-se para a casa do pai e a casa parecia ter ficado vazia demais. E como se isso não bastasse, ao entrar na faculdade, depois do período de luto, algo parecia estranhamente errado, e não era a ausência de Marissa.
Seus amigos pareciam lhe olhar feio e estavam claramente se mantendo afastados. Demorou, mas ela percebeu o que estava acontecendo. A notícia que seu irmão havia se mudado e da crença de seu pai havia se espalhado e agora a popularidade do homem estava cada vez menor, assim como a da menina. Da noite para o dia Lydia perdeu seus amigos, sua popularidade e semanas mais tarde, sua dignidade. Não era algo do conhecimento de todos e nem algo que ela se orgulhasse, mas Lydia era virgem. Nunca conseguira se entregar daquela forma a alguém, talvez pelo sonho do homem perfeito ou algo assim. E foi numa festa, que ela foi convidada apenas por conta do irmão, que até aquilo se acabou.
Seu único amigo era seu irmão, que ainda assim mantinha uma relação fria com ela, por conta de seu pai. Era duro, mas algo dentro de si não conseguia a fazer odiar o homem pelo que estava acontecendo. Sabia que ele apenas estava fazendo seu trabalho em apresentar todas as possibilidades para o ocorrido. Sabia também que devia tê-lo escutado e nunca ter ido àquela festa. Tudo era uma confusão de imagem e vozes em sua cabeça e então o escuro. Ela só descobriu o que tinha acontecido no dia seguinte, quando acordou naquele quarto da casa de um colega de faculdade de seu irmão e viu sua saia levantada e sua calcinha jogada em uma parte qualquer do lugar. A verdade lhe atingiu de uma forma que ela nunca conseguiria explicar. Arrumando sua roupa e tentando ignorar a dor de cabeça que sentia, Lydia foi embora, vendo que o sol já começava a nascer.
Seu pai teria ido brigar com ela se não fosse pela sua pressa para trancar-se no quarto. Aquilo assustou o homem, mas não o preocupou. Talvez ela tivesse brigado com algum namorado, as coisas estavam sendo difíceis para Lydia, ele sabia disso. Horas mais tarde, quando finalmente conseguiu folego para tentar pensar em alguma coisa, Lydia ligou para seu único amigo restante, o próprio irmão, e lhe contou sore a festa. Sobre como chegara e fora recebida por um garoto que lhe entregou um copo, que ela aceitou de bom grado, nem imaginando que no segundo depois estaria sentindo-se tonta e sendo conduzida por mais três garotos para um quarto dos fundos da casa, onde, aparentemente, ela havia sido violentada.
▪ I can’t drown my demons, they know how to swim.
Depois do que acontecera na festa, a vida de Lydia nunca mais foi a mesma. A menina não fazia mais questão de socializar e nem tentava voltar a falar com seus amigos, aceitando que até o seu irmão queria afastar-se. Seu orgulho não deixaria que ela tentasse mudar a opinião de ninguém. Se não queria falar com ela, bem, então que não falassem. Não entendia porque havia sido tão intimamente ligada à opinião de seu pai sobre o que acontecera à Marissa, mas sabia que não havia nada que ela pudesse fazer para mudar aquela situação. Seu pai havia sido afastado do caso da outra por conta da comoção popular sobre sua crença na culpa de Axel, mas ela sabia que o homem continuava estudando o caso, tentando encontrar formas de provar sua teoria, talvez por orgulho, talvez por querer provar a si mesmo que estava errado. Ela não sabia. A única coisa que pareceu fazer o homem esquecer-se do acontecimento foi a explosão do Iate dos Eriksen, que matou treze pessoas e deixou muitos feridos.
A volta às aulas não estava sendo esperada ansiosamente por ela, considerando que apenas um mês se passou desde o acidente. O estado de luto era geral em sua casa, mas havia apenas uma coisa que realmente a preocupava. O xerife Archbald parecia ter finalmente esquecido o caso de Aldrin e agora estava focado em encontrar o culpado pela explosão do barco, embora a polícia tivesse dito que ele não passava de um acidente.
▪ So save yourself. 'Cause the tide is rising high.