A volte penso che sarebbe dovuto succedere prima ma poi mi rendo anche conto, e sarà un pensiero banalissimo, che è andata come doveva andare e ti ritrovo ancora più prezioso e più giusto per me. Credo ormai che tutto quello che è successo, anche le cose più terribili, ci abbiano portato ad adesso, a stare insieme in una maniera che percepisco definitiva e indissolubile. Mi rendo conto sia un pensiero stupidamente romantico, ma voglio essere ancora stupidamente romantica e sentimentale e credere che questa catena di avvenimenti debbano avere per forza questo senso, non ne vedo altri. Fosse successo prima, forse, non sarebbe andata cosi bene come sta andando ora. Forse quest'ultimo è solo un pensiero che faccio ora per consolarmi del tempo perso, ma riaverti mi riempie a tal punto di pace che non mi ci soffermo per niente, mi godo il presente e penso che tu si arrivato al momento giusto, anche se la verità è che ci sei sempre stato. Sento fortissimo che il momento sia finalmente quello giusto, che se siamo ancora qui è perché dobbiamo stare ancora qui, insieme. Torno con la mente a Past lives e penso che magari in questa vita siamo riusciti ad arrivare all'ultimo strato di in-yun, finalmente.
Fillmore leaned and whispered in his ear, “I have a great idea. You’re going to hate it.”
Sarge did a double-take. Fillmore offered a half-smile in his periphery, elbowing him in what was likely meant to be a comforting gesture. Don’t worry, he seemed to say, I’ve got this.
Sheriff sighed, looked between them, and began: “We are gathered here today to—”
“Let’s just… pause, for a second,” Fillmore interrupted, holding one hand up. He gestured to himself briefly, “I think Sarge and I both mutually agree that we have to come clean about some stuff before we can continue with this.”
Como sempre, Natya acordou com um pesadelo. As lembranças dolorosas de um passado o qual queria esquecer atormentava seus sonhos e por isso até mesmo temia dormir, porque sabia que assim que fechasse os olhos, as imagens ruins viriam. O ritual do herdeiro. Uma tradição milenar e antiquada por qual todos os herdeiros deveriam passar. Como quase sempre os herdeiros eram homens, acontecia aos treze anos de idade, que marcava o fim da infância e o início da idade adulta. Para Natya, a primeira herdeira do sexo feminino em séculos, também ocorreu nessa idade, também coincidindo com sua menarca, o que tornou tudo duas vezes pior.
Entretanto, havia três anos que tinha acontecido. Era apenas mais uma memória ruim para a coleção da princesa da Geórgia. A mais recente tinha sido com sua patrona. Ou melhor, ex patrona. A sensível deusa báltica do sol havia abandonado Natya. E ainda, com uma maldição! Era terrível. A garota havia visto a mulher em seus sonhos (sua silhueta, pelo menos) e ela parecia terrivelmente irritada ao anunciar que deixaria Natya, rogando-lhe uma maldição. Se a vida tinha como ficar pior, aquele era o ponto mais baixo, Natya tinha certeza.
“Uma criança desprovida de inteligência e da garra dos georgianos, você é uma vergonha para a dinastia e seu país.” Havia sido as exatas palavras delas. A morena não se importava, afinal não tinha sido a primeira vez que ouvia algo do tipo. O pensamento de que era uma incapaz não era novidade. Contudo, não esperava ser largada pela sua patrona. O que faria? E qual era a maldição? Saule havia sido um tanto obscura quanto a isso, não sendo clara o suficiente para que Natya pudesse entender.
Passados dois minutos, cansou de tentar entender. Saltou da cama e deu um sorridente bom dia para Malkhaz. O daemon que havia tomado a forma de gorila há pouco mais de um ano era completamente assustador. De pelagem negra e olhos mau humorados, era enorme. Quando se colocava em duas patas, podia muito bem alcançar a altura de dois metros. Natya sabia que ele não podia machucá-la, mas o comportamento quieto, silencioso e amistoso de Malkhaz fazia que a princesa pensasse que também não era digna. De qualquer forma, ela foi se arrumar para o café.
Encarar o refeitório era horrível. Não tinha um grupo de amigos. Aliás, todos achavam Natya um pouco estranha demais e o daemon um pouco mal encarado demais. Eram uma dupla improvável e indesejada, por isso apenas pegou seu uma fruta e se dirigiu para outra área, próxima aos pátios externos. Fugir das pessoas não significava paz. Bem ali, no banco onde gostava de sentar, estava Barz Alceu. Natya não sabia de onde ele era, não se importava, mas sabia que filho de um marquês, um garoto mau educado e mimado, ressentido pelo seu pequeno título de nobreza. Porém a princesa não queria desistir de seu lugar. Era seu lugar. Havia boas lembranças ali. Era onde havia visto pela última vez Erekli, seu melhor amigo imaginário. O lugar aonde a brisa soprava na temperatura ideal e havia belas flores por perto. Não pegava sol pela manhã, apenas no final da tarde. Precisava daquele lugar. Era seu. Era perfeito. Era seu. Não era tolice brigar por algo que desejava, que era seu.
“Eu quero que você saia do meu lugar.” Falou para Barz. Ele, junto de seus amigos tão idiotas quanto, ergueu os olhos verdes lentamente e abriu um sorriso amarelo. “Não tem seu nome aqui, tonta.” Respondeu e então cuspiu no banco. Natya sentiu seu sangue ferver e desejou ter poderes para machucar aqueles idiotas, que riam como hienas. “Você é um idiota mal educado!” Brandou, o mais brava que sua voz infantil e seu tamanho permitiam. “Você está me irritando.” Alceu anunciou, se levantando. Natya sentiu Malkhaz inquieto, embora estivesse calado. “Você é uma tonta. É o que todos pensam.” Falou, em uma tentativa de intimidá-la. A princesa queria desferir um soco naquela cara branca, mas sabia que só iria ferir a si mesma. “Não me importo. Mas caso se importe com o que todos pensam sobre você, eles acham que você é um invejoso!” Natya gritou, chamando atenção das outras pessoas por perto. A face de Barz assumiu um tom avermelhado, mas ela não estava preocupada.
Em uma velocidade assustadora, talvez concedida por seu patrono, Barz empurrou Natya, fazendo com que ela caísse de traseiro há uns dois bons metros de onde estavam. No pátio. No sol. O grito enfurecido de Malkhaz foi a última coisa que ouviu. A distância doía nela também, mas algo pior acontecia em seu corpo. Era como se pegasse fogo. Sua pele estava em chamas, queimando. Podia sentir se tornando um ser desfigurado, a fumaça deixando suas vestes. Doía. Doía. Ardia. O sol era como um veneno em sua pele. Natya só conseguia se debater em agonia, gritando de dor. Não conseguia enxergar, não conseguia ouvir nada, seu ser sendo apenas reduzido a dor. Sua existência era dolorida. Não havia outra forma de descrever. Queimava. Sentia que podia ser a qualquer momento reduzida a um monte de pó. Queria morrer.
Então veio um alívio. Estava no colo de Malkhaz. Uma roda de alunos e daemons havia se formado em volta, mas Natya estava nos braços de Malkhaz, que a aninhava como se fosse um filhote. Sua pele não existia mais, era apenas carne vermelha e fedida. Sentia-se um monstro, mas sentia-se protegida. E também estranha. Nunca havia experimentado tanta proximidade com o gorila. Ele era reservado demais, sequer se comunicava com a scions. Mas aquela ele estava ali, cuidando dela, protegendo-a. “Obrigada.” Ela disse, enfiando seu rosto no pelo dele para chorar sem que os outros vissem. Eu te protejo. Ele respondeu. Não era uma grande declaração. Ou uma grande frase de incentivo e cumplicidade. Mas era maior do que todas as coisas que ele tinha dito. Era um passo dado em direção a uma amizade. Sabia que suas vidas estavam conectadas, mas Natya nem sabia se o daemon gostava de viver, podendo muito bem tê-la deixado ao sol, virando pó. Contudo, o gorila gritou, agrediu os agressores e foi ao resgate da princesa. Era um início. Tanto Natya quando Malkhaz sentiam isso.
Si corrono incontro a braccia spalancate
esclamano ridendo: Finalmente! Finalmente!
Entrambi indossano abiti invernali,
cappelli caldi,
sciarpe,
guanti,
scarpe pesanti,
ma solo ai nostri occhi.
Ai loro, sono nudi.