I Don't Need You // Dariuna's Flashback
Seus passos eram firmes em direção à loja de doces. Por mais cruel que Luna fosse, sua criança interior sempre lhe atiçava a gastar com algum doce, chocolate, e qualquer porcaria que existisse. Era como se aquilo trouxesse à tona tudo o que ela passou quando mais nova. Era um modo de manter sua ira ainda fervendo dentro de si, porque ela tinha de ter uma razão para tudo aquilo. Empurrou a porta e a sineta do lugar alertou o vendedor de que um cliente chegara. Ele sorria largo, enquanto Luna apenas permanecia com o sorriso seco... O sorriso Luna, completamente indiferente aos outros. Ela chegou no balcão, vendo a quantidade de doces atrás do velho e apontou para uns canudinhos com açúcar. -- Um punhado daqueles, por favor. -- Disse-lhe e ele assentiu. Começou a falar, como se ela estivesse interessada nas palavras dele, mas apenas ignorou, enquanto via ele entregar-lhe um saco cheio até a boca dos canudinhos.
Ela puxou de sua cintura também um saco, mas pegou apenas uma moeda de dentro e entregou ao homem. Não proferiu nenhuma palavra, mas em agradecimento assentiu para ele, andando de costas para fora do estabelecimento, ainda sem sorrir. -- Volte sempre, jovem formiguinha. -- Ele lhe disse, e se ela tivesse um mínimo de humor, talvez até tivesse achado aquilo engraçado. Ao contrário disso, apenas abriu o saco e puxou um canudinho de lá, andando pela rua sem rumo. Não tinha uma casa e nem se preocupava em comprar uma, para não levantar suspeitas, então tratou de aproveitar sua "folga" com uma caminhada.
O que não esperava era um bêbado a seguir. Ela olhou uma vez para trás, ao ouvir um pigarro atrás de si, e o viu com uma garrafa de rum nas mãos. Não se alterou nem nada do tipo. Manteve seu ritmo, comendo os canudinhos, mas foi surpreendida com um puxão para o lado, diretamente para um beco. Era o bêbado que se aproximava dela com segundas intenções, alisando sua cintura e descendo... -- M'lady, deixe-me ver se honras o que carrega entre as pernas. -- Quando sentiu o toque dele, Luna ferveu de raiva e passou o saco com doces para a mão esquerda, fazendo com que o braço direito ficasse livre. Ela levantou o cotovelo e direcionou toda sua força contra a região entre o nariz e a bochecha dele, fazendo-o dar dois passos para trás e levar as mãos até o local acertado. -- ARGHH! -- Grunhiu o outro, mas Luna fechou suas mãos em punho, apertando forte, quando viu que ele não desistia de vir atrás dela. Como era mais forte do que ela, o bêbado a segurou com força seus braços, puxando-a para ele, mas a mulher recuava do beijo que ele queria tascar-lhe. Ao invés disso, quando viu que ela evitava, sua face ficou apavorante, até mesmo para Luna. -- Então é assim? -- Ele falou e a Kenway sentiu seu hálito podre, fazendo-a virar a cara. Aquilo soou como uma afronta, e o homem, mais alto do que ela e muito, se virou para o lado e a jogou junto.
Luna apenas se deixou ser jogada, uma vez que não sabia como lidar com aquilo, pois estava presa à mercê da força do outro. Ela voou rapidamente para a parede, bateu a têmpora na quina e caiu no chão com força. Como o impacto das nádegas com o chão foi forte, ela se deixou relaxar ali mesmo, fazendo uma careta de dor e tratando de se levantar logo. O bêbado já vinha atrás dela igualmente furioso, mas agora que atiçara-a, era difícil sair dali vivo. -- Vamos ver se você sairá sã dessa. -- Disse ele, ao mesmo tempo em que ela já estava de pé e pulava na direção dele, com o punho pronto para ataque. Dessa vez pegou no nariz dele, mas ele também tinha suas manhas. Recuou, porém não o suficiente para ficar distante dela, segurando seu rosto como se ela fosse um animalzinho e empurrando-a novamente para trás.
Não foi a parede que ela encontrou dessa vez, mas sim algo próximo daquilo: o peitoral de um homem. Foi jogada para ele, mas não sabia o que fazer e apenas o olhou assustada, com as mãos apoiadas neste. Assustada por ter alguém assistindo e assustada porque poderia ser uma testemunha de que ela tinha lá suas habilidades e, consequentemente, ligá-la ao assassino misterioso.














