I Don't Need You // Dariuna's Flashback
A curiosidade frente à moça desconhecida apenas instigava a mente nem um pouco inocente do Capitão Darius. De certa maneira, estava usufruindo da dureza da moça, perguntando-se o que a levara a se tornar tão independente ou se já nascera assim por natureza. Mesmo na pouca luz que existia durante a noite, conseguia distinguir as feições femininas, e pelas expressões, Darius percebia que ela certamente possuía um árduo passado. Não que ele fosse um grande observador de pessoas, longe disso, ela poderia muito bem ser uma lady fútil e mimada querendo mostrar-se para os pais. O que ele duvidava, mas era uma possibilidade. Um de seus hobbies eram provocar ladys alheias, e com sorte uma ou duas sempre acabavam em sua cabine. Apesar do passado de Darius, não havia perdido sua essência pirata, muito menos seu instinto de buscar por prazeres em primeiro lugar.
Ela não parecia que iria facilitar, apesar de Darius ter a noção que se ela quisesse afastá-lo, ela conseguiria sem muito esforço. Não se aproximou dela, porque apesar de ser um pirata sem escrúpulos não era do tipo que forçava mulheres a fazer o que ele queria, elas o faziam porque o queriam. Havia um abismo de diferença entre ambos os pontos. Além da aparência feminina, a independência alheia era instigante. Eram poucas mulheres que não se deixavam serem dominadas pelos homens, ou que ousavam desafiar a palavra de algum. Pensamentos cheios de luxúria passaram pela mente de Darius, enquanto seu sorriso de canto de alargava. olhando para os olhos dela, escurecidos pela escuridão da noite, mas claramente belos e carregavam uma malícia tão forte quanto a dele. - Você não precisa ficar apenas curiosa, eu posso te mostra, love. - A última palavra, havia se inclinado para sussurrá-la no ouvido da mulher, enquanto afastou devagar a face para poder manter os olhos nas feições femininas. Seu braço ao redor dela, podia sentir as curvas da silhueta da mulher, enquanto Darius apertou lentamente a cintura dela com mais força. - Porque eu tenho a pequena sensação, que seu nome é uma informação importante. Prometo não te denunciar se me falar a verdade. - Ele disse, e com a mão livre colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. - E a senhorita não parece do tipo que agradece com frequência. -
Perguntava-se mentalmente o motivo de ainda estar ali, sendo provocada e provocando o desconhecido. De fato, um homem mais respeitoso do que o anterior, porém na cabeça de Luna: não menos perigoso que este. Conseguia tirar pequenas pistas de que ele era gentil e educado, sim, mas também aproveitador. E como se nada tivesse acontecido antes para que eles permanecessem com aquela conversa naquele beco, a morena continuava a desdenhar as palavras do outro, sempre atenta aos movimentos dele, caso quisesse se aproveitar da bajulação dela. Claro que não poderia julgar alguém que acabara de lhe salvar, por mais que hesitasse em admitir em voz alta, mas também não poderia simplesmente se entregar nos braços do mesmo, como presente de agradecimento. Ela não era daquele tipo. Poderia parecer de longe, por ser um tanto vaidosa, contudo as reais intenções da morena, ninguém, de fato, saberia por completo.
Sim, ela continuava a participar daquele jogo de palavras, e sim, estava tão curiosa quanto, para saber até onde aquilo daria. As intenções do outro se mostraram maliciosas até então, e não era porque ele tinha um rostinho belo que Luna iria se jogar nele a qualquer momento. Seus olhos eram fixos nos dele, também azuis como os seus, e aquilo de certa forma a deixava em transe. Era assim que o azul nos olhos hipnotizava? E se fosse, os dela também, e era por isso que ele ainda estava ali? De qualquer forma, ela o viu sorrir e se ocupou em apenas prestar atenção ao que ele dizia, desviando o olhar brevemente para não se dispersar. As palavras sussurradas em seu ouvido a deixaram paralisada novamente, mas não demonstraria qualquer que fosse o desejo que passou por sua mente naquele segundo. Seu olhar se estreitou levemente, ao mesmo tempo em que uma sobrancelha teimava em arquear. Ela com as mãos ainda hesitantes, acabou por pousar no peitoral do homem, e nem ao menos teve tempo de agir contra a mão dele em sua cintura. Várias atitudes grosseiras passaram por sua cabeça naquele instante, mas ela manteve-se firme no jogo. -- Importante para quê? Você irá me cobrar depois por esta ajuda? -- Seu dedo indicador gesticulou enquanto acompanhava os botões do sobretudo preto do homem, fixando seu olhar nisto e evitando olhar para ele, pois realmente não saberia o que fazer. Ligeiramente teve de olhá-lo, para bufar, mas depois voltou à sua ação de antes. -- Tudo bem, tudo bem... Essa -- ela olhou rapidamente para o beco atrás dele e depois voltou a encará-lo -- foi por pouco. Entrarei numa eterna gratidão por isto. -- Inclinou a cabeça para o lado, levemente, e claro que estava nítido que aquilo seria mais difícil do que imaginara, porém não seria tão cabeça dura à ponto de não confirmar o que já era sabido.













