A prisão política de sua mãe foi, em todos os sentidos, um divisor de águas na vida do uruguaio. Se antes, Leo era muito sociável e aberto a qualquer tipo de amizade, depois suas relações começaram lentamente a ser filtradas de acordo com o interesse dele. Não era verdade que ele fosse falso ou aproveitador, realmente gostava de quem era próximo dele, mas havia se tornado incapaz de qualquer aproximação que não tivesse uma motivação prévia. Todos os planos e jogadas estratégicas dominavam, como plano de fundo, as diferentes esferas da vida de Leo. Não havia como negar que, às vezes, todo aquele controle era sufocante, mas ele não sabia ser de outra forma. Um bom exemplo disso era Florence. Quando ainda era adolescente, os dois haviam sido bem próximos, amigos até. Compartilhavam diversos interesses e ainda não tinha desenvolvido os mecanismos de amizade que permeavam suas relações atuais. Por causa de fatores externos acabaram, não só se afastando, mas também nutrindo um mútuo desdém. O príncipe não era o tipo de pessoa que superava mágoas com facilidade, elas, assim como os tangos, ficavam presas em todas as partes que doíam. Mas, no caso da escocesa, não era bem uma mágoa, mas um afastamento que, por causa da arrogância, nunca havia sido superado. Havia ido, naquela tarde, à biblioteca em busca do terceiro volume da coleção de poesias espanholas que estava lendo. Estava, estranhamente, vazia. Além dele, apenas @flxrenc circulava pelas estantes. Quando, se cruzaram, o uruguaio ajeitou a postura e puxou um livro da prateleira que estava encarando. “Florence.” Cumprimentou. “Que surpresa agradável.”















