Trancado em seu apartamento ele não sabe ser feliz. Sozinho mais para si do que par ao mundo, ele tenta continuar vivendo. Dia e noite, andando para lá e para cá. Só de cueca na sala, só de cueca na cozinha, põe algo no microondas na esperança de que forrar o estomago vai fazer se sentir melhor. Liga a TV da sala, mas vai par ao quarto, passa o tempo na cama, esperando para ver se o tempo lá fora fica melhor. Faz calor demais, ele prefere céu nublado. Noite e melhor, sem estrelas para distraí-lo, só uma escuridão. Mente fechada. As vezes até ficava de pau duro, mas não sabia bem o porque. Gostava tanto de ler, agora a capa do livro sobre o criado-mudo lhe dá vertigens. O que acontece com ele? Então, o que será que ele procura? Um pouco de ar ou um motivo pra sorrir? A vida tem sido tão sem graça. Precisava sair daqui, mas para onde ir? Não há lugar para ele possa ir. Ninguém sabe que ele existe. Perdido no tempo, sua vida parece girar. E não mais voltar. Não sei se ele queria que fosse como era antes. Janela aberta e as coisas parecem melhorar. É sempre bom sentir aquela brisa leve da noite. Dormir sozinho não é novidade. Viver sozinho não é novidade. Problemas relacionais, tentando se auto descobrir, o que fazer, agora? Silêncio dentro de si. Em seu apartamento, precisa d em barulho qualquer, só para se lembrar que ainda existe vida fora da concha. Para ele, o Cthulu e Lovecraft é a realidade lá fora. Ele tem que lutar. Lutar contra si mesmo. Dividido como sempre, um pesadelo e um sonho. Nada parece acabar. Rodando de um lado ao outro, mãos na cabeça. Procurando algo para se agarrar. O que é que você me diz? Loucura? Ansiedade? Um pouco de solidariedade, por favor. Poderia ser você. Um dia quem sabe as pessoas entendam. Ninguém sabe o quanto ele se esforçou para ser o melhor para os outros. Tanto que esqueceu de si mesmo. E quando se lembrou que ainda existia, ficou assim; atordoado e com ânsia por viver.
Fabio Augusto












