sexta feira, após o ataque rebelde. kiwoon’s point of view.
bang kiwoon nunca foi do tipo a ter posições políticas ou opiniões fortes; tampouco era um líder nato, apenas um seguidor, mas não havia ainda nada que o fizesse querer seguir algo em específico, de fato. estava indo com o vento, afinal. no entanto, havia uma discreta coceirinha em seu âmago quando toda a confusão começou e o caos se instalou. kiwoon só não sabia o porquê. achava quase impossível ficar desinteressado em uma situação como aquelas, por isso suas pernas curtas foram guiadas para o mais perto possível da janela a fim de procurar pelo que prendia a atenção de todos os mutantes, e então o símbolo desenhado em vermelho fez a coceira aumentar, para algo que o jovem identificou como sendo um chamado de sua mente para refletir sobre a situação, ali bem em frente aos seus olhos, como se o futuro estivesse se revelando; algo que o fez até cogitar simplesmente ativar seus poderes ali mesmo, mas que também fez com que seus olhos vasculhassem o lugar, numa ânsia por então achar aqueles que conhecia e amava.
e aquilo incluía nuri. talvez tenha sido a primeira pessoa a passar pela sua cabeça, como uma armadilha feita pela mente que sempre fazia questão de seguir na direção contrária ao que seu coração dizia. mas também havia dalbit, e narcissa, e jungmi, e misun, e zhilan... e até o primo mais velho. pequenas preciosas aquisições sentimentais que fez naquele lugar com o passar dos anos, quando ele sequer pensava que havia um futuro depois dali. estranhamente, agora parecia que talvez houvesse alguma coisa a que se segurar. quando deu-se por si, os olhos ativos e as têmporas de veias saltadas já buscavam por rostos conhecidos na multidão presa no refeitório, reconhecendo algumas silhuetas as quais apenas a temperatura do corpo era o suficiente para dizer a kiwoon quem era; no fim, não demorou mais do que dois minutos para ter sua atenção chamada com um cutucão nada gentil vindo de um dos staffs que tentavam controlar a multidão curiosa, “como se eu fosse perigoso...” exclamou baixinho enquanto era obrigado a se sentar em um lugar vago, sendo ameaçado até de ser vendado, o que o fez obedecer prontamente, voltando ao kiwoon usual, nenhum ato de braveza por aqui, pensou ao apoiar os braços na mesa e deitar seu rosto sobre eles.
usou as longas horas ali para refletir sobre o que havia visto, e sobre a estranha sensação de reconhecimento com relação ao símbolo, aquela pequena revolução e o burburinho que corria sobre rebeldes. não ousou perguntar, porque parecia que qualquer citação daquele ocorrido pudesse resultar em castigo, e kiwoon ainda era o medroso de sempre, inofensivo, e queria permanecer assim, pelo menos aparentemente. mandou mensagem para a maioria dos seus contatos, apenas para se certificar de que os amigos estavam bem, e o resto da noite foi de olhos fechados em sua cama, mas a mente vagando por inúmeras possibilidades, idealizando coisas e imaginando abobrinhas; “e se um dos meus amigos está envolvido nisso?” era só uma das opções que rodearam a mente do moreno, que adormeceu com a imagem do símbolo e das luzes vermelhas piscando em frente aos seus olhos.