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East Views From Luís I Bridge, Porto
East Views From Luís I Bridge, Porto
I always encourage anyone coming to visit Porto for the first time to walk across the top deck of the Luís I Bridge, as long as they’re not afraid of heights. (The bridge is 45 metres high, and when the metro crosses the bridge it vibrates.) The most obvious reason to walk across is for the unobstructed views of both Porto on the north bank and Vila Nova de Gaia on the south bank. (more…)
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Escadas dos Guindais | Maio | Porto
Adalberto Dias+POMA, Guindais lift+station, Porto, Portugal,2001-2004 B+W photo by Ivan Peplov on Flickr, 2010
http://pt.wikipedia.org/wiki/Funicular_dos_Guindais
http://en.wikipedia.org/wiki/Funicular_dos_Guindais
http://www.metrodoporto.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=10035
A varanda da cadeira vermelha
As escadas que levam ao caminho do nada, são vistas do tabuleiro superior da ponte D.Luis e o vento invade a face das pessoas que o ocupam. Os turistas fotografam aquilo que no Porto é característico, fotografam as casas sem telhas, sem janelas e o lixo que nelas habita.
A degradação está a ser coberta gradualmente por um mar verdejante, com um granido púrpura. O som da fauna caracteriza o local à beira rio e as gaivotas marcam a sua posição no que sobra das estruturas das casas. Os pássaros estão em terra e os antigos dizem que há tempestade no mar.
A ponte permite-nos uma viagem até às Escadas do Codeçal, por entre os tetos sem as gentes que muitas vezes são aproveitados pelas gentes que precisam de tetos. Por entre os característicos mosaicos dos azulejos setecentistas, outrora vermelhos ou azulados e as flores que vão sobrevivendo nas varandas que marcam as vidas que por lá passaram. Com isto chegamos ao início da escadaria, onde nos deparamos com uma calçada, constituída por uma imensidão de pedras soltas e por toda uma passadeira de pedra que nos vai indicando o caminho, perfurado pelas ervas e com os seus vazios ocupados pelas areias, que até foram arrastadas.
Uma parte da cidade que está morta, mas que é reanimada por breves instantes por quem passa pelo acaso. São poucos os que resistem a esta zona histórica da cidade. Sentimo-nos as pedras da calçada e o som do metro assombra-nos como habitantes, devido ao seu som tenebroso, de quem transporta os que antes passavam pela escada.
As ruas que escondem os caminhos que estão por explorar e são decoradas pelos tanques de lavar a roupa, que guardam a porta de cada habitação.
Colocar um pé na escada desgastada pelo tempo é começar a descida e resistir à força gravitacional. É sentir o atrito e contrariar todas as forças do nosso corpo, que dizem que temos de cair, de nos deixar levar pela escadaria abaixo, porque temos de viver os guindais.
Os maus cheiros dos esgotos desgovernados, das ditas águas chocas que as pessoas da escada, nas grelhas dela despejam, repudiam o nosso olfato por alguns instantes. Mas há um cheiro a sabão que escapa e circula pelo ar, é o cheiro das roupas que secam no corrimão da escadaria ou que estão penduradas nas poucas varandas que ainda têm gentes. Nas varandas que ainda são varandas e que não deixam de ter o seu vaso, para que ninguém se esqueça deste macro de uma presença.
A varanda da cadeira vermelha, é a varanda, talvez da casa mais colorida de rodo o Codeçal. É amarela, tem marcas da ação urbana, tem verde, rosa, azul e laranja. A porta, não escapa a todo um mar de cor, é verde e está gasta, sarapintada de laranja, roxo e branco.
É a varanda da porta nº 19, que se destaca na paisagem rupestre acinzentada, branca, vermelha e gasta, talvez assim o seja por ter sido pintada à relativamente pouco tempo. Tem flores nuas vermelhas, um vaso robusto, cheio de folhas verdejantes e um cão branco que olha com desdém para quem passa, com um olhar altivo, porque está superior, está na varanda que fica ao lado da varanda da cadeira vermelha.
Com o focinho entre as grades, o cão apoia a sua cabeça e as orelhas mostram como o cão é meigo, sem descartar o facto de ele ser presunçoso. Há uma portada grená, entreaberta, talvez por onde o cão se tenha deslocado até à varanda e uma portada branca fechada, com uma cortina rendada que nos conduz à cadeira.
Perpendicular à casa amarela, que tem as paredes cheias de demostrações de amor, está a rua da Senhora das Verdades, que tem uma fonte seca, uma balança, que simboliza a justiça, o direito, o equilíbrio, a prudência e o comportamento correto. Friso, está seca, suponho que os valores em questão também assim estejam.
As escadas conduzem-nos até à entrada do tabuleiro inferior da ponte D. Luís I, que nos conduz ao outro lado do rio, às memórias de um antigamente. Vamo-nos aproximando do rio e a brisa volta a cobrir-nos novamente o rosto. A escarpa rochosa suporta os guindais e a arte urbana dá vida ao que não a tem. As pedras que gritam por ser calcadas têm pétalas de pequenas flores vermelhas que foram libertadas pelo caminho, talvez marcas do sangue de quem lá nasceu, viveu e se viu obrigado a sair.
Da Ribeira até à muralha Fernandina
O amarelo e o branco marcam a entrada para as escadas dos guindais, junto ao Clube Desportivo e Cultural dos Guindais. Com bandeiras coloridas, o vermelho, o azul e o amarelo iluminam a escadaria e marcam a presença das celebrações dos santos populares.
No clube da porta vermelha, Dino Magalhães, de 37 anos, contou que “já saiu daqui muita gente, antigamente havia muita gente na rua, agora parou. A minha juventude foi passada nas fontainhas. Uma zona que esteve esquecida durante uns tempos e com a construção da ponte, mudou para pior. Antes era São João todos os dias, agora não passa uma alma. As mulheres e as crianças davam muita vida. Eu diria que subindo os Guindais e o Colossal, a vista é especial.”
Assim que se sai do clube, inicia-se a ascensão temida por alguns moradores, devido ao fator idade. As pessoas têm medo da velhice, de não se conseguirem descolocar ao longo das escadas, ficando confinadas às suas habitações.
A síndrome da porta aberta mostra-nos que ninguém tem medo de quem passa, pelas ruas nuas de gente e cheias de cor vermelha.
A pausa torna-se imprescindível e o Guindalense encontra-se a meio da escadaria e proporciona momentos de descontração, com uma vista privilegiada sobre o Douro, onde a sidra seduz aos que ao calor estão sujeitos e os matraquilhos gritam por um golo interminável.
É, o que é chamada uma subida agreste até ao largo do 1° de Janeiro, mas não deixa de ser alcançavel. Os paralelos muito alinhados, característicos da cidade do Porto, assim como a sombra das àrvores, vão-nos conduzindo até à entrada, do que foi outrora, o Convento das Carmelitas e encaminham-nos para a imponente muralha Fernandina, do século XIV, a eterna companheira dos Guindais e do Codeçal. É austera, algumas das pedras que a sustentam estão intactas, outras denotam marcas da sua exposição ao tempo. O que restou mostra o seu propósito, desperta o olhar dos que a conhecem e dos que dela tudo estranham.
Até ao cimo da muralha, há todo um processo que é necessáriamente cauteloso e assinalado por algumas rosas vermelhas. Os degraus são robustos, estão decorados pelas ervas e flores, que se fazem espreitar, para os que sobre eles vão deslizando.
A muralha incompleta, que não deixa de ser humana e de demostrar o lado compassivo da cidade do Porto. É uma experiência sensorial, o vento transporta os cheiros da terra que por ele são libertados e o nosso olhar é conduzido pelos rabelos que navegam pelo Douro.
Através das janelas da Muralha, as Escadas do Codeçal e os Guindais, resistem ao tempo, marcam a sua posição na paisagem e tentam, tal como a casa da cadeira vermelha, ultrapassar o medo de serem esquecidos.