TikTok - Make Your Day
Here’s some fortography I did.. I’ve always loved the vibrant colors and fun atmosphere of Fortnite since I started playing it a few years ago. I also love taking photos so here’s some of the new crew pack skin Hana Park!

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Here’s some fortography I did.. I’ve always loved the vibrant colors and fun atmosphere of Fortnite since I started playing it a few years ago. I also love taking photos so here’s some of the new crew pack skin Hana Park!
A N T I F R A G I L E
Avisos: o cenário pode conter bullying, perseguição, bodyshamming, o uso da palavra "retardada", capacitismo, agressões verbais e psicológicas, racismo e xenofobia. E, claro, menções explícitas a momentos de tristeza, ansiedade, distorção de imagem e insuficiência sofridos pela vítima desses ocorridos por decorrência deles mesmo.
Assim que Hana desconecta os aparelhos auditivos, o mundo externo fica mudo e ela finalmente se sente tranquila o suficiente pra estar ali em meio às colegas e jovens dos outros estúdios de dança do país.
Está feliz pela garota que tinha vencido, mesmo que ela não fosse a mais gentil com ela, não acha que nutrir ódio ou mágoa vai ser legal, e já tinha estrada suficiente na carreira de bailarina acrobática pra saber que a vida tinha seus altos e baixos naquele meio, e tudo que ela podia fazer era tentar melhorar e viver um momento de cada vez.
Ela não tem a menor intenção de ir atrás de CJ por vontade própria e parabenizar ela, mas quando ela chega na rodinha de adolescentes de seu conservatório, com quem ela tava tendo uma conversa animada em libras, sua primeira reação é sorrir pra ela de maneira educada, mas pela leitura labial consegue entender que… Bem, CJ estava sendo CJ mais uma vez, e tentando rebaixar o mérito dela dizendo coisas horríveis, que ela só não consegue terminar de entender porque a mãe toma sua frente, protetora e agressiva como sempre, e antes que ela mesma possa defendê-la, uma garota de cabelo preto vem correndo atrás de CJ, e as coisas saem do controle logo depois.
A falta dos aparelhos auditivos, nem de longe, tinham atrapalhado o espetáculo que se seguiu depois daquilo.
◇
A memória mais antiga que ela tem e consegue se lembrar com cada detalhe, é quando ela e a mãe se mudaram pros Estados Unidos, com a promessa que as coisas iam ser fáceis e elas tinham um futuro cheio de possibilidades pela frente.
Todos os dias, sem falta, a mãe a colocava em um banquinho no banheiro na frente do espelho, enquanto segurava seus ombros e apoiava a cabeça em cima da sua, a fazendo repetir um monte de frases que, segundo ela, iam tornar as coisas mais simples e que ela sempre ia ver um lado positivo se acreditasse que existia um.
— Você é forte, corajosa e inteligente.
— Eu sou forte, corajosa e inteligente.
— Seus olhos são lindos, seu cabelo é lindo, e seu sotaque é fofinho.
— Meus olhos são lindos, meu cabelo é lindo e meu sotaque é fofinho.
— Você tem orgulho de quem você é, de como você é, e de onde você veio.
— Eu tenho orgulho de quem eu sou, de como eu sou, e de onde eu venho.
— Hoje, você vai ser boazinha e gentil com as pessoas, não vai deixar ninguém te diminuir por causa dos seus aparelhos, e vai fazer de tudo pra ter o melhor dia de todos.
Ainda assim, tudo parecia muito mais fácil quando ela era criança, e aquele lugar era só uma terra estranha que elas iam explorar juntas e desbravar cada canto até encontrar ali um lar, não aquele pesadelo.
Tem certeza que ficou pelo menos dois minutos observando os pedaços de post it grudados na mochila e nos pertences enquanto segurava as flores que tinha ganhado na competição, e se em algum momento tinha se sentido feliz por ter conseguido o primeiro lugar naquela corrida frenética até as nacionais, o sentimento tinha se perdido quando os olhos focaram nas mensagens escritas de qualquer jeito e em letras grandes pra ela e qualquer pessoa conseguir ver de qualquer lugar.
Porca obesa. Retardada. Volte pro seu país!
Tinha acabado de fazer valer uma semana inteira de ensaios contínuos e entregado o resultado mais puro de uma dedicação sem igual, então por que sentia como se o prédio pudesse cair em cima dela e ia doer menos do que ler aquelas coisas? Queria ficar triste e se sentir magoada e brava, mas a qualquer momento, alguém da equipe ou a própria mãe ia entrar naquela sala e se deparar com a mesma cena, e ela não queria puxar ninguém pra espiral dos próprios problemas.
Aquele estava sendo um bom dia, ela podia ignorar isso e seguir de cabeça erguida, e era exatamente o que ela ia fazer.
— Ei, você já está pronta pra nós irmos? — Ji a alcança no corredor bem na hora que ela joga os papéis em uma lixeira, todos rasgados ou amassados, e mesmo assim ela parece perceber, no jeito que Hana se encolhe quando ela apoia uma mão em seu ombro, que algo está errado. — Tá tudo bem?
E ela sabia que o melhor era falar, que podia contar com Montgomery, que ela podia ajudar, mas ela não queria ser um problema. Ela acreditava que podia passar por aquilo sozinha.
— Estamos levando outro troféu pra casa, a senhora acha que eu poderia estar mais feliz? — Ela acreditava, mesmo, que só precisava colocar um sorriso no rosto e viver mais um dia, até aquilo a consumir por dentro.
— Damian, você acha que eu devia perder peso?
A pergunta vem de forma tão aleatória e rápida, que Donovan se desequilibra na barra que estava usando pra se alongar. Além de Nell, não era como se ele convivesse com muitas meninas, então era muito difícil saber o que estava passando pela cabeça da melhor amiga enquanto ela se olhava no espelho, porque tudo o que ele via era uma pessoa magra e cheia de músculos perfeitos, igual todas as meninas do curso dos dois, mas ele não sabia como dizer aquilo e nem como ela receberia sua opinião, então achou melhor ir na fonte.
— Você acha que você devia perder peso? — Ele começa, tomando alguns passos pra ficar na barra do lado dela, os olhos treinados agora na figura dos dois no reflexo do espelho. — Alguém disse que você devia?
Hana se vira pra ele com o cenho franzido, mentalmente se perguntando se ele sabia dos post it da outra semana, ou dos comentários que ela via e ouvia durante a troca de apresentações nos teatros que eles se apresentavam, mas algo na expressão dele dizia que aquilo era uma armadilha, e que ela estava prestes a cair. Ele não sabia, queria que ela confirmasse, então iria se meter, pegar o problema pra si, e defender ela como um amigo faria. Damian era muito esperto e reativo, então ela precisava contornar antes que ele percebesse.
— Eu… Não, claro que não. Foi só uma pergunta, aparência é sempre um tópico presente… Pra bailarinos, você sabe disso. — Ela mente, e sabe que ele não acredita, mas mesmo assim ele confirma com a cabeça, então ela decide mudar o assunto. — E como vão as coisas com o Harvey? Vocês se falaram no memorial da sua amiga?
Hana se sente meio egoísta por só estar abordando ele sobre aquilo agora, depois de Damian ter passado quase uma semana inteira sem aparecer no conservatório. Ela só podia imaginar como ele se sentia, depois de perder mais alguém importante no mesmo ano que a avó dele, e toda aquela situação confusa com o garoto por quem, ela sabia, ele definitivamente estava apaixonado e querendo mais do que passar um tempo, por isso começa a cutucar o braço dele, cobrando uma resposta quando ele parece rígido e nem um pouco disposto a falar, até começar, usando as libras também.
— Não vi ele durante o memorial, mas a irmã dele sim, e ela ficou bastante chocada quando eu disse que a gente não estava mais saindo junto… E, sinceramente, não acho que eu estava bem naquela época de qualquer maneira. Vai ver ele sentiu que eu não ia prestar como namorado com tudo aquilo acontecendo comigo. — Donovan desabafa com ela, que solta um suspiro antes de o envolver em um abraço de lado, o qual ele retribui quase naturalmente, quando os outros alunos começam a chegar aos poucos. — Eu devia tentar falar com ele de novo, agora que as coisas parecem mais no lugar.
— Eu sinto muito. Devia falar com ele agora que se sente melhor e conseguiu conversar com sua família, a terapia é mais importante, mas se for te fazer se sentir melhor… — Hana o conforta e assegura, abrindo um sorrisinho que acentua as covinhas em suas bochechas, antes de acrescentar. — Eu vou estar aqui pra apoiar você.
Era tão estranho como ela não conseguia apoiar a si mesma, mesmo quando tinha certeza que ela podia se bastar contra tudo e todos.
Pensando agora, ela nem consegue aceitar que não conseguiu fazer nada na hora que as meninas da Academia Moon a encurralaram na loja de roupas que a maior parte dos estúdios de dança tinha como referência, e ela estava sozinha e muito longe dos colegas procurando um vestido específico pro próximo fim de semana. O jeito como elas a cercaram até ela se sentir sufocada, sorriam pra ela, tocavam em seu cabelo e até o crachá que ela sempre usava na rua indicando que ela era deficiente auditiva caso algo acontecesse.
— Eu sabia que uma hora ou outra, nós íamos conseguir pegar você sozinha, porquinha surda. — A garota mais alta e loira, talvez a líder do grupinho, toma a frente das outras, analisando Hana de cima a baixo, fazendo ela se sentir tão desconfortável que pensou que ia começar a chorar. — Tem muito mais de onde veio aquela homenagem que nós fizemos pra você.
Quanto mais ela tentava sair de perto delas, mais era prensada e cercada, enquanto elas riam dela, puxavam seu cabelo e até beliscavam ela. Eram tantas, e durou por tanto tempo que parecia um pesadelo e não que ela tinha ficado lá por todos aqueles minutos até alguém começar a procurar por ela e elas se dispersarem como se não tivesse sido nada. Conseguia sentir a atenção de Damian em cima dela o caminho todo de volta pro prédio do conservatório, e sabia que era só questão de tempo até ele conseguir o que queria dela, então ela contornou mais uma vez antes mesmo dele ter a chance.
— Como sua amiga ficou em coma? Eu não tinha chegado na cidade na época que ela se machucou, e ninguém nunca me contou a história. — Estavam no telhado do prédio, a cabeça dele em seu colo enquanto os dois olhavam pra cidade ficando mais escura depois do fim das aulas. A mãe dele ia aparecer a qualquer momento pra buscar os dois, então era bom aproveitar aqueles momentos de calmaria depois de tantas horas ensaiando.
— Foi a coisa mais estranha de todas. Era começo de semestre, todo mundo só queria se divertir antes de começar tudo de novo, então fomos pro telhado. A gente já tinha descoberto a metástase da minha avó na época, então claro que eu e o Connor só queríamos beber e esquecer todos os problemas em casa… Todo mundo estava lá, mas ninguém viu quando aconteceu. Descartaram suicídio na mesma hora, ela só devia… Estar andando lá, e acabou se desequilibrando. Uma amiga achou ela e foi muito tenso, porque éramos jovens bêbados e uma garota sangrando na calçada depois de se tornar campeã nacional pela terceira vez. — Damian faz uma pausa e solta um suspiro, a mão de Hana alcança a sua e ele aperta os dedos dela com os seus, antes de continuar. — A Jamie era perfeita e nós amávamos ela, ela conseguiu chamar a atenção de todo mundo e fazia qualquer coisa. Minha avó ficou tão magoada quando soube, e ela já estava tão doente que não conseguiu visitar ela no hospital uma vez sequer. Fica pior quando a gente percebe que uma não conseguiu se despedir da outra, e não tem nada que eu ou qualquer outra pessoa pudesse fazer. Só queria que elas soubessem que nunca estiveram sozinhas.
Quando a mãe chega do trabalho e a vê sentada no sofá e não pensa duas vezes a não ser ir até ela, sem nem tirar o casaco ou os sapatos quando percebe que ela está chorando, Hana se arrepende de fazer o que está prestes a fazer, porque sabe que ela está cansada, e quer tudo, menos lidar com os problemas que ela ainda nem sabe que a filha tem, mas sente também que se não for agora, simplesmente não vai ter mais coragem.
— Umas meninas… Umas meninas estão me intimidando durante as competições e quando nos vemos pela cidade. — Hana começa, às mãos tremendo em cima do colo, sentindo dificuldade pra respirar. — No começo achei que era normal, porque sou mais jovem do que elas e seniors costumam ser assim em qualquer lugar, mas… Mãe, elas são tão malvadas. As vezes sinto que não é o meu lugar, e que não deveria estar, que estou tomando o lugar de alguém e que elas estão certas. Eu só queria… Eu só queria ser normal.
No mesmo instante, a mãe se abaixa diante dela, as mãos agarrando as suas trêmulas, o coração doendo no peito por ver a única criança dela, a pessoa que ela mais amava no mundo, daquele jeito.
— Querida, você é uma menina normal, você é…
— Surda, e um dia, os aparelhos não vão ser mais suficientes e nem mesmo eu sei se vou conseguir me adaptar sem eles, e dançar sem eles… E eu nem sou tão bonita ou alta ou boa quanto elas, Mrs. Montgomery só me mantém porque não tem outra solista e as pessoas sentem pena de mim, foi o que elas me disseram, e eu sei que é verdade. Eu não sou boa o suficiente, e estou quebrada. É a verdade.
O coração de Hana se quebra em milhares de pedaços depois de admitir aquilo pra si mesma em voz alta, e o da mãe também, depois de perceber que todos aqueles anos a criando pra ser gentil e boa consigo mesma, tinham sido jogados fora por um bando de meninas cruéis. E a pior parte é que não ia ser a primeira, e nem última vez.
— Hana Park, você é uma imigrante norte-coreana, sua existência e sobrevivência já devia ser um motivo de orgulho sem igual, porque conseguiu lutar por você mesma pra fora daquele inferno ao meu lado e nunca desistiu dos sonhos que nós tínhamos até chegar aqui. — A mãe começa, sentindo o rosto ficar molhado de lágrimas também, enquanto usava uma das mãos pra aproximar o rosto da filha do seu e garantir que ela tivesse toda a atenção sobre ela. — Você é uma sobrevivente, uma combatente, uma guerreira e a garota mais corajosa que eu conheço. Se lembra de como foi difícil deixar aquele lugar? Do perigo que nós corremos? Vai mesmo deixar meia dúzia de meninas te tratarem desse jeito, depois de tudo? Querida, são só meninas, você já enfrentou um país armado inteiro.
O tom da mãe era duro, quase sério demais, mas necessário, enquanto Hana concordava com a cabeça e sentia o fluxo de lágrimas nos olhos cessar a cada palavra dela.
— Você é forte, você é corajosa e inteligente e eu não mudaria nada sobre você. Você se salvou oito anos atrás naquela fronteira, você pode passar por isso. Você não está sozinha, só queria que você soubesse.
E ela sabia.