Dois nomes: Julian e Arianna
O InfoTrends, evento da Info, me deu a oportunidade de ouvir dois importantes nomes do universo digital. Ou dois nomes importantes da mídia. Ou da modernidade. Whatever. O que mais achei legal foi ouvi-los falar das coisas que não são diretamente vinculadas aos dois. Sim, o que disseram a respeito de seus próprios afazeres foi muito bom também. Mas eles vão além das suas atividades.
Ah, sim. Não falei os nomes: Julian Assange e Arianna Huffington.
Primeiro ouvi Julian. Foi uma experiência interessante. Ele prende sua atenção. A maneira como fala, como se move na cadeira. Parece que mil pensamentos o tomam ao mesmo tempo. E ele fica ali, aparentemente calmo, despejando ideias, conceitos, números, numa voz média, sem alternar muito os tons. De vez em quando falando mais para si... aquela voz para dentro.
Houve momentos em que não consegui entender bem (ah, esses australianos). Mas ele vai fundo. Seduz. Ele captura sua mente sem fazer grande esforço. E isso porque ele estava a milhas de distância. Ele lá em sua prisão domiciliar. Eu no Unique. Eu e mais um monte de gente.
Deve ter sido difícil para ele, que se apresentou no evento via teleconferência. Como conversar com um público que você não vê? Julian contou que gostaria de ter vindo ao Brasil. Não deu. Não dá atualmente. Espero que um dia possa visitar o País. Eu gostaria de vê-lo de perto.
Eu já tinha visto um painel com ela. Mas foi no Clinton Global Initiative (evento em NY, no ano passado, que pude ver graças a um convite do Grupo ABC - agradeço de novo a oportunidade fantástica). Só que naquela ocasião Arianna não tinha me cativado. Estava de moderadora e eu não sei se foi por isso que não me impressionou. Desta vez, não.
Arianna disse coisas com quais concordo muito. Sim, acho que a velha imprensa vem se preocupando mais com dados, números, estatísticas. Claro que isso é importante. Mas a boa história.. essa está em extinção. Antes que me taquem pedras: evidentemente consigo encontrar bons textos, com números, e uma boa narrativa. Só que ultimamente a história de alguém só é bem contada em tempos de tragédias ou em fatos pitorescos.
Recordo de uma reportagem da Piauí. Era sobre uma mulher que foi viver numa terra obtida via movimento dos sem-terra. Excelente história. E me recordo de encontrar boas narrativas naquele caderno do Estadão que sai de domingo (fugiu-me o nome) em que a última página é dedicada a uma reportagem livre de tantos números. Storytelling puro.
Não foi só isso que me atraiu na palestra de Arianna. Ela é uma mulher muito simpática e tem humor. Tipo de pessoa que me agrada (tendo a não gostar de gente que força risada ou que fica eternamente com cara de quem comeu algo azedo). Ela fala com naturalidade. E com sotaque (mas como é forte! Disso eu me lembrava da vez em Nova York).
Algo que me chamou atenção em seu discurso foi a importância de se desconectar. OK, é o tipo de coisa que sempre dispenso. Eu não quero me desconectar. Vivem dizendo isso. Tem que se desconectar. É importante. Não veja internet, não leia e-mails e notícias. Esqueça o celular. Pois bem: eu não quero.
Arianna conseguiu me convencer um pouco. E por um lado que não tinha me ocorrido. A gente precisa dormir. A mente precisa repousar. Para continuar trabalhando bem. Para ter insights. Para a gente encontrar aquela inspiração tão desejada. Eu acho que durmo bem. Durmo pouco. Durmo menos do que qualquer um em casa. Durmo menos do que muitos de meus amigos. Só que isso é o que me basta. Acordo cedo. Acordo bem. E acordo já agitando.
Por vezes dormi em bocados. Acordo, vejo o horário. Duas da manhã. Preciso voltar a dormir. Falta muito até levantar. Deito. Acordo de novo. Consulto o celular. Três da manhã. Como pode ter passado apenas uma hora? Volto a encostar a cabeça no travesseiro. E abro os olhos querendo que sejam pelo menos 5h40. Para eu poder me justificar. Nem sempre acontece isso. Não costumo sofrer de insônia. Durmo pouco mesmo.
Mas voltando... Arianna defende que a gente se desligue e não deixe nenhum device ligado ao lado da gente exatamente para que possamos nos dar a chance de dormirmos. Ela ainda brincou que um monte de gente alega usar o celular como despertador. O que ela fez diante disso? Deu de presente aos amigos os velhos e bons despertadores. Totalmente old fashioned.
Ok. Pode ser que eu deixe todos os aparelhos longe de mim na hora de dormir. Como ainda não comprei um despertador à moda antiga ficarei por enquanto com meu celular mesmo. Mas, Arianna, você está quase me convencendo.