Sobre um amor sem data de chegada e com partida marcada: Sei bem que passará: Não há tristeza ou alegria, dor ou bem-estar, que dure indeterminadamente. Uma das grandes certezas da vida é que não há momento algum que perdure por toda a sua existência. É o tal do “eterno devir”, como dizia Heráclito, só a mudança é permanente. E nada mais é sequer parecido ao que já foi um dia. Sei bem que passará. Só que, quando passar, tudo irá se apagar? Eu martelo dentro de mim: Preciso superar. Preciso deixar ir. Preciso permitir que flua. Preciso desapegar. Preciso permitir que parta. Embora eu não queira me esquecer. Quero que a dor desapareça, que a vida dê andamento, que o ciclo continue, sem que todo o amor que senti, se anule, sem que todo o carinho que nutri, evapore. Sem que as lembranças lindas de uma história tão importante pra mim, se escureçam. Sem que os ensinamentos acumulados depois de uma convivência tão intensa, se percam. Quero evoluir ao ponto de permitir que meu grande amor se vá sem mágoas minhas para lhe acompanhar, ao ponto de desejar-lhe um amor ainda maior que todo este que guardei aqui, ao ponto de lhe transmitir, sempre que me lembrar, a melhor das energias e o maior de todos os carinhos. Quero transcender, para aceitar que a data de sua partida chegou e não nutrir sentimento ruim por quem só me acrescentou. Quero ser capaz de seguir e ainda me lembrar dos inúmeros sorrisos, do som da risada gostosa e do toque grosso daquelas mãos. Não quero esquecer o beijo mais doce que senti, o carinho mais gentil que já recebi, a presença permanente de quem, enquanto estava por aqui, se fez constantemente presente e não quero perder a sensação da primeira vez que senti a conexão de outras vidas que existia entre mim e ele. Quero abrir meu coração a um novo habitante, ser morada para mais um outro sentimento, sem apagar da mente o mapa do teu corpo e da tua casa, sem excluir a comicidade da tua bagunça pelo chão da sala, sem olvidar toda a felicidade que senti. Quero ser capaz de olhar uma foto com ele ao meu lado sorrindo e apenas evocar a sinceridade de cada sorriso e a veracidade de cada olhar. Meu grande amor chegou sem avisar e foi embora sem se explicar, como se sua partida já tivesse data determinada desde o princípio, deixou uma dor grande dentro de mim e machucados que não querem fechar, mas, enquanto esteve aqui, foi digno de todo meu amor e de todo futuro que quis ao teu lado. Acredito que descobrimos a genuinidade do sentimento quando, na angústia, ainda desejamos ao outro, felicidade maior do que um dia encontrara por aqui. Quero que passe, sem que tudo de bonito que há aqui, se vá junto.
Ingridth Mundim













