Uma energia fúnebre me rodeia. Sinto um vazio, uma tristeza incontestável dentro de mim, mas não entendo porque. Sinto as lágrimas descerem pela minha alma, mas não pelo meu rosto. Olho ao meu redor, e só então compreendo. Estou em um enterro. 'De quem será?', me pergunto. Olho a frente e vejo um caixão. É do corpo que jaz de dentro dele que vem meu sofrimento. Olho, e vejo a mim. Vejo você também. Vejo nós... vejo nossos momentos, vejo tudo o que já vivemos. Só então que vejo uma lágrima, apenas uma, escorregar pela minha face com toda graciosidade que uma gota com um turbilhão de sentimentos pode ter. E foi descendo cada vez mais, bela e sensível, deslizando lentamente pelo meu rosto, até cair. Caiu pesada no seu. E então todas as minhas esperanças de criança inocente vieram. Imaginei que você voltaria a vida, olharia para mim, e, com um abraço, entraria em mim novamente.
Mas nada nunca é como esperamos, Flor














