Ao meu amado dos olhos escarlate,
Quando eu imaginava como o último membro do clã Kurta se parecia, não sabia o que estava por vir, nada poderia me preparar para isso. Desde o primeiro momento que meus olhos encontraram você, foi como me deparar com uma obra de arte que levou anos para ficar pronta e alcançar a perfeição. Daquelas em que ficamos por horas admirando, observando cada detalhe e chegando ao ponto de chorar diante de tamanho esplendor.
A sensação quase etérea me atingiu de forma delicada, mas avassaladora ao mesmo tempo. É tão difícil descrever. Não sou alguém que demonstra facilmente o que sente, portanto você não percebeu nenhuma mudança em mim. Mas se pudesse saber o que se passava aqui dentro... Ah, Kurapika... Talvez me odiasse ainda mais.
E devo dizer: você consegue transmitir altivez até quando está furioso. Na verdade, isso o deixa ainda mais extasiante de observar.
Teus olhos escarlate quase me fizeram perder a compostura. Tuas correntes quase me levaram ao êxtase quando me aprisionaram. E não pude deixar de reparar como tuas mãos ficam ainda mais bonitas segurando-as.
Eu nunca senti vontade de tomar alguém para mim, e também de ser tomado por esse alguém. E agora que sinto, é tão desconcertante, tão urgente.
Seu amigo lhe disse que meu coração não demonstrava medo algum. E foi verdade. Eu não estava com medo de você, nem de morrer. Mas ele preferiu não citar o que eu realmente estava sentindo.
Necessidade. De tudo relacionado a você, Kurapika. De ser possuído por você, de possuí-lo. Quero-te tanto que poderia me tornar um só com você.
Te quero por inteiro, da cabeça aos pés, de corpo e alma. Tudo. Seu sorriso, suas lágrimas, sua fúria, sua voz. Seus lábios, seus cabelos, seus olhos, seu corpo trêmulo de prazer ou de puro horror…
Não paro de pensar em você. Você me assombra e me persegue todos os dias e todas as noites. E eu não trocaria isso por nada.
Independente do que faça comigo, Kurapika, é assim que sempre me sentirei quanto a você.
Você é minha salvação e minha ruína. A chama que me aquece e me destroi. A água que me afoga e mata minha sede.
Venha até mim, seja para me matar, ou para entrelaçar teu corpo do meu, da mesma forma que nossas almas estão.
Do seu eterno admirador,
Kuroro















