Isabel de Sá (1951- 71 anos)
Será no próximo século?
O nosso amor arrasou cidades. Éramos
muito jovens e pensávamos assim.
O mundo pertencia-nos. Ninguém
percebia mas nós vivíamos contra
tudo - era um acto político.
Assim alguns seres no mundo
construíram vidas, amaram
e sofreram isolados, por vezes
espoliados, queimados na fogueira.
Mas o nosso amor resistirá
às fronteiras, aos muros de fogo
e à injustiça. Gostaríamos de viver
o tempo da verdadeira transformação,
da felicidade universal
A Alegria da Dúvida (Exlamação, 2021)
Isabel de Sá, poeta, artista plástica, representada em Colecções Privadas e Pública, e com publicações reunidas em antologias como Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Ultimos Cem Anos, organizada por José Mário Silva; Do Corpo: Outras Habitações, organizada por Ana Luísa Amaral e Marinela Freitas; Manu Scripta, Antologia de Poemas Manuscritos/90 Anos da Sociedade Portuguesa de Autores e O Real Arrasa Tudo, Colecção Elogio da Sombra, dirigida por Valter Hugo Mãe, é das escritoras portuguesas que escrevem poesia politicamente implicada com a condição homossexual.



















