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credito: @biebersopolemic
IV: Contrato
31 de Dezembro de 2014 20h25min (Calabasas, CA) — Casa do Justin Bieber — Ponto de Vista: Geórgia Uhora [Algumas horas para o ano novo].
Estou quase pronta.
Meu vestido é branco. Fico feliz por ele não ser nada extravagante, mas mesmo assim ser notável. Minha mãe tem a mania chata de querer comprar mil roupas, sendo que não usa nem a metade. Ela não é fútil, como a maioria pensa. Muito pelo contrário, ela é bem reservada, mas, quando quer, gosta de chamar atenção.
Ela tá certa, aliás. O que as pessoas pensariam de nós se andássemos como mendigos. A alta sociedade, que insiste nessa coisa de “se vestir bem”, cairia em cima de nós.
Não é como se fossemos a família Kardashian — Estamos bem longe disso, graças a Deus —, mas somos conhecidos nesse mundo de executivos e blá, blá, blá. — Às vezes, apenas por ignorar essas coisas, não me sinto pronta para advogar.
Toc, toc, toc.
— Entra!
A porta se abre e minha mãe aparece. Sou surpreendida com um sorriso.
— Meu Deus, Geórgia. Você tá linda! — Parece me analisar, mas de uma forma boa.
— Obrigada mãe. — Sorrio para ela.
— Agora vamos. Eles estão a nossa espera. — Assinto e nós descemos para o primeiro andar.
Suspiro ao ver que todos estão aqui menos Justin. O que ele estaria fazendo, afinal? Quero saber, mas não posso sair procurando-o pela que nem uma maluca porque (1) eu não estou na minha casa e (2) há pessoas aqui.
Chego ao primeiro e vejo a noiva de Scooter, Yael Cohen. Pelo que li sobre, ela é CEO, como Scooter. Fundou a organização Foda-se o Câncer. Já ouvi falar disso na tevê. Ela ganhou uns prêmios, por isso.
— Yael, essa é Geórgia. — Minha mãe nos apresenta. Ela estende a mão pra mim.
— É um prazer. Eu ouvi muito sobre sua organização contra o câncer.
— É muito bom ouvir isso. — Sorri.
Cumprimento Scooter, em seguida. Ele diz que eu estou bela com esse vestido e eu elogio a barba feita dele. Digo que o deixa mais jovem.
Minha mãe e Yael estão falando sobre uma possível parceria com a organização dela. Meu pai e Scooter apenas escutam-nas. Faço o mesmo, nem sei o que dizer a eles. Mas então, Justin e Pattie descem. Eles tiram toda a minha atenção, principalmente Pattie, pela roupa tão linda. Eu a acho muito sofisticada. Já Justin, veste um blazer vermelho com uma calça branca.
Meus pais, Yael e Scooter os cumprimentam. Em seguida, eu o faço.
Nós nos sentamos à mesa. Justin está em silêncio; Pattie também. Os outros falam como se não houvesse amanhã. Eu fico calada, o tempo todo.
Olho para Pattie e Justin, imaginando que algo tenha acontecido. Alguma discussão, ou sei lá. Faz sentido porque eles não dizem absolutamente nada. Já era de esperar isso do Justin, mas Pattie? Ela sempre me pareceu muito feliz quando aparecia em público.
Então Scooter indaga:
— Você sabe porquê está aqui, Geórgia?
— Pra passar o ano novo?... — Relembro a opção.
— Também. — Confessa — Mas há algo mais aí.
— E o que seria...? — Franzo a testa.
É engraçado no que a feição dele se transforma. Meu pai e minha mãe dão um riso nasal do que eu digo. Pattie e Yael me olham animadas. Justin está confuso, como eu. Eles planejaram alguma coisa...
— Há uns motivos pela qual você tá aqui, como eu disse. Não é só pra passar o ano novo. Nós fizemos você vir antes por duas coisas: A primeira, era que nós queríamos que você se familiarizasse com Justin, e vice versa — É uma pena vocês não terem executado isso com sucesso. — E pra que a segunda coisa desse certo, a primeira teria de dar. Parece que funcionou! E a segunda...
Scooter pega uma pasta que estava ao seu lado e tira um envelope. Do envelope, ele tira uns papéis. Parece ser umas 3 folhas. Por fim, ele desliza o papel para que ele chegue até mim.
— Acontece, é que Michael me disse como você era excepcionalmente perfeita advogando. E eu tenho que concordar, você faz um ótimo trabalho. — Como ele sabe? — A questão aqui, é: Desde... Quer dizer, nós estávamos procurando alguém desde muito tempo atrás — Sei o que tempo é esse —, então o seu pai me sugeriu você. Eu vi como você faz aquilo e, meu Deus!
Ele viu? O que ele pode ter visto? O meu vídeo da faculdade? Scooter continua:
— Enfim. A proposta aqui é o seguinte: Você gostaria de advogar no Team Bieber? Melhor dizendo: Você gostaria de advogar exclusivamente para Justin Bieber?
Estou chocada. Literalmente chocada.
Quando que eu iria imaginar uma proposta dessas sendo feita para mim? O que ele quer de mim? O que ele viu em mim, afinal? Há muitas outras pessoas que podem fazer isso no meu lugar. Não é querendo me desvalorizar, porque eu tenho muito potencial, mas sei lá... É muito estranho raciocinar quando Scooter Braun está pedindo para advogar para o Justin Bieber.
Advogar para Justin Bieber. Essa frase me deixa mais extasiada.
Quem diria em, Geórgia? Te zuaram na faculdade por ser a mais nova da sala — automaticamente a mais “inexperiente” — e agora, advogando para o Team Bieber, na qual era seu sonho fazer parte (é engraçado lembrar disso).
Olho para Justin e ele está me encarando. Estaria, ele, esperando uma resposta? Se sim, isso quer dizer que ele tem esperança de que eu aceite a proposta, mas não posso ter muita certeza disso.
— Olha, Scooter, eu nem sei o que dizer pra você, sinceramente. — Finalmente falo alguma coisa — Isso é uma coisa que nem em mil anos eu pensaria pra minha vida.
— Ela era belieber de carteirinha. — Minha mãe relembra.
Todos dão uma gargalhada; menos Justin. O semblante dele é um simples riso nasal. Por quê? Será que é porque eu era e não sou mais? Bem, se ele acha isso, está totalmente enganado.
— Bem lembrado, mãe. — Eles riem — Mas enfim. Será uma honra, Scooter, trabalhar pra vocês, pro Team Bieber. De verdade. — Dou o maior sorriso do mundo.
— Então... — Ele é interrompido pelos fogos de artifício. Está acontecendo.
— E como eu ia dizendo: Um brinde a isso. Ano novo, vida nova e contrato novo, também!
Aí está o ano de 2015. Ano novo. Vida nova. Contrato novo; Como Scooter disse.
Saímos da mesa e vamos para o terraço da casa, para ver os fogos. A visão não é nem um pouco clara, mas ainda sim conseguimos vê-los, dando boas vindas ao novo ano. Posso dizer que 2015 começou com um pé direito. Um não, dois. Dois pés direitos.
Aproximadamente 10 minutos depois, Pattie diz:
— Eu vou lá em baixo no banheiro. — E diz olhando diretamente para mim, eu entendo o recado.
Um tempo depois de ela ir, eu desço dizendo que quero pegar meu celular. Então eu desço e espero-a no corredor, torcendo pra que ninguém apareça. O que eu diria? E se Justin aparecer?
“Ah, só estou esperando sua pra ter uma conversa amigável. E olha que coincidência, é sobre você, Justin!”
Não mesmo!
— Ah, finalmente! Achei que não tinha entendido o recado. — Ela ri pelo nariz.
— Sem problemas, Pattie. Vamos para o meu quarto.
Então vamos, no final do corredor. Nós entramos no quarto, eu fecho a porta e nos sentamos.
— Eu vou ser breve. Você sabe o que o Justin tá passando...
— Realmente, não é nada fácil.
— Então, antes de tudo, ele fez alguma coisa com você, Geórgia?
Como ontem, penso em mentir pra tranquilizá-la. Mas isso seria péssimo de minha parte. Não poderia mentir pra ela. De longe, Pattie é uma pessoa ótima e se preocupa com o Justin.
— Mais ou menos. Nada demais, eu juro. — Confesso — Ele teve surtos, que acredito que sejam cotidianos. Além disso, ele me acusou de trabalhar pro TMZ.
— Ah. Ele sempre faz isso com as pessoas.
— É eu acredito. Mas fora isso, nada.
Não conto sobre o corte. Mesmo que Justin não tenha me cortado, ela ficaria muito preocupada. Além do mais, quem decidiu fazê-lo fui eu, não ele. Então não acho que esteja fazendo nada demais.
— É duro, sabe, Geórgia. Ele é uma pessoa ótima, mas não deixa ninguém se aproximar. — Ela quer chorar, eu vejo isso — Eu já tentei inúmeras vezes falar com ele, mas é difícil. Tá sempre muito fechado com tudo e com todos.
— Eu sei. Eu fiquei aqui quase uma semana, e já percebi o quanto ele é difícil de lidar, muito difícil. Ele tem mania de puxar assunto com a gente do nada — Pattie ri —, é engraçado.
— É verdade. E às vezes são uns assuntos engraçados. — Rimos.
— É. Mas no terceiro dia que eu tava aqui, Justin disse que as pessoas gritam com ele, sabe? Quando ele tem os surtos. — A feição de Pattie muda para preocupada, de novo. — E isso não é saudável. Acho que você deveria conversar com alguém pra ver isso. Com as pessoas que tem contato com ele.
— É... Pode deixar, eu vou fazer isso. Mas antes, eu queria pedir uma coisa. — Suspira.
O quê? Me pedir uma coisa? O que eu poderia fazer por ela?
— Eu...
— Por favor, Geórgia. Você é a minha única salvação, eu já não sei mais o que fazer e...
— É sobre o Justin?
— Sim...
— Pattie — Me aproximo dela e pego sua mão —, tá tudo bem. Eu vou fazer o que eu puder. — Ela sorri. Vejo resquício de esperança.
Esperança.
Não sei o que posso fazer e como posso fazer.
No próximo capítulo...
— E em que vocês estão pensando, exatamente?
— Lembra-se de quando “vazaram” — Coloca aspas — as fotos do Justin? Aquelas fotos que disseram ser do Dia de Ação de Graça? — Todos assentem. — É isso. Essa vai ser a primeira de muitas ações judiciais que iremos abrir.
III: Remédios
30 de Dezembro de 2014 10:43 AM — Casa do Bieber, CA — Ponto de vista: Geórgia Uhora. (dois dias para 2015)
Com certeza correr pela montanha não foi uma escolha inteligente. Estou suada e nojenta, como eu odeio. Mas não me importo, escolhi ficar assim. Porém, só de imaginar o bem que estou fazendo para mim mesma, ignoro o suor. — Embora seja um pouco difícil, confesso.
Quando chego ao banheiro, as primeiras coisas que faço são me despir e entrar no chuveiro.
Logo o exercício de meia hora atrás é recompensado com um banho relaxante. Nada melhor do que a água caindo sobre o meu corpo.
Meu pensamento volta-se ao Justin Bieber. Certamente, ainda estou chocada com o que acontecera alguns dias atrás. Sim, estou há... quatro dias aqui, e ele mudou muito desde 2009, quando o mesmo começou a carreira.
Tudo que posso dizer de Justin Bieber é que, atrás daquela armadura, há uma pessoa maravilhosa, que eu não desisti de querer conhecer.
Só não sei se poderei realizar esse desejo.
§
— Esse é o meu orgulho. — Diz meu pai me abraçando de lado — Geórgia, conheça Scooter Braun, atual empresário do Justin Bieber. — É estranho ouvir o nome dele sem a presença do mesmo...
— É um prazer, Geórgia. — Estende a mão pra mim — Ouvi muito sobre você.
...Mas isso não importa, porque estou ainda mais chocada com esse encontro louco, do que qualquer coisa na minha vida. Scooter Braun, um dos caras mais importantes e influentes da indústria musical, está na minha frente, e diz ter ouvido muito sobre mim. Eu, Geórgia.
Logo retomo controle de mim mesma e estendo a mão de volta.
— O prazer é todo meu Scooter. — Sorrio simpática, quero mostrar ser educada. Ele retribui o sorriso e meu pai chama-o para uma conversa.
Sento-me no sofá — Que deve ter custado uma fortuna — e pego meu computador.
Muitos não sabem, mas eu tenho um blog que se chama “jubilodanoite”. Geralmente eu coloco as minhas reflexões diárias ali, e, ao contrário dos outros passatempos que envolvem pessoas, aqui eles não enchem o meu saco e babam meu ovo só porque eu sou filha de um advogado rico, até porque ninguém sabe quem eu sou naquela merda. E é por isso que eu gosto.
“Reencontrei uma pessoa, esses dias, na qual não via há quase um ano. O garoto de ontem, é o homem de hoje; Mas um homem mudado.
“Não queria que as coisas chegassem a um ponto tão crítico quanto esse. Não imaginei que as coisas tomariam esse rumo, mas não é o fim, porque sempre há uma segunda chance. Ele encontrará a segunda chance dele, eu tenho certeza. As coisas ruis são necessárias, afinal. Necessárias para que possamos crescer, nos tornarmos mais fortes e seguirmos em frente.
“Errar, zerar e recomeçar faz parte dessa jornada incrível que iniciamos assim que nascemos. Somos seres humanos, pessoas incríveis.”
— Geórgia! — Ouço a voz do meu pai.
— Sim? — Ele tá vindo até mim, dessa vez sem Scooter.
— Você tem roupa pra passar o ano novo?
Fecho meu notebook e o encaro.
— E aonde nós vamos, dessa vez?
— Ficar aqui. Lembra que eu disse que nós ficaríamos na Califórnia?
— Por que não vamos à praia? Ainda tem uns apartamentos pra alugar. — Sugiro pensando no conforto de Justin. Ele precisa sentir-se bem na própria casa. Não sei se ele iria gostar da estranha e a família dela em sua casa. Aposto que, no mínimo, ele se sentirá incomodado.
Meu pai se aproxima de mim e fala um pouco mais baixo:
— Scooter diz que é muito arriscado pro Justin sair daqui. Sempre tem paparazzis nesses apartamentos na beira da praia por causa dos famosos. — Analisando por esse lado, é verdade.
— Tudo bem. — Suspiro, derrotada. — E sim, eu tenho roupa. Minha mãe comprou pra mim.
— Certo. — Solta o ar. Ele deve estar nervoso. — Escuta bem o que eu vou te falar agora: Você precisa ser amigável hoje. Principalmente com Justin. É uma noite importante, quero que saiba disso.
— Pelo amor de Deus, pai — Rolo os olhos.
— É sério, Geórgia. Teve alguma briga com você e ele? Lembra-se do que eu te disse anteontem né?
Meu pai deixou bem claro que não era pra eu discutir com Justin Bieber, mas era quase inevitável. Ele fazia de tudo para eu admitir que eu estava o espionando. E ainda alegou que eu trabalhava para o TMZ. É uma pena ele pensar assim porque eu só quero o bem dele.
— Lembro pai, e não, não teve brigas. Eu fui o mais paciente com ele, como eu poderia ser.
Suspira aliviado. Qual é a do meu pai, afinal?
— Ótimo por q...
— Ok, pai. — Corto-o — Não se preocupa, tá? Eu fiz o que você pediu, e vai continuar assim. Mas eu não entendo porquê...
Na mesma hora, Scooter chega ao cômodo.
— Tudo pronto, Michael. Ela já tá vindo pra cá.
E, mais uma vez, ele e Scooter vão conversar, mas agora eles saem de casa. Meu pai diz que eles precisam resolver alguns assuntos pendentes. Estranho essa aproximação repentina dos dois. Alguma coisa o meu pai está tramando, e acredito que tenha a ver com a carreira de Justin; Só não sei o que.
Os ignoro quando ouço meu estômago roncar. Automaticamente vou até a cozinha e procuro algo pra comer. Quando vou abrindo os armários da cozinha, vejo um com inúmeros remédios, que parecem nunca ser mexidos. Remédios para bipolaridade, depressão, transtorno de personalidade paranóide e esquizóide.
Logo eu me lembro de ter estudado sobre transtornos psicológicos, quando vejo todos esses remédios. É deprimente saber que uma pessoa é tão dependente dessas drogas disfarçadas. Então o que posso dizer de Justin Bieber, a partir do conhecimento de tudo isso é: Ele é bipolar, tem depressão, é desconfiado (paranóide) e antissocial (esquizóide).
Guardo os remédios e coloco-os em seus devidos lugares, quando ouço uma agitação vinda da sala. Olho para trás e vejo-o vindo em minha direção. O mesmo senta na cadeira e apoia os cotovelos na bancada.
— Quem veio aqui hoje? — Ele é direto.
— Scooter e meu pai.
— Você conheceu o Scooter? — Franze a testa.
— Sim. Ele é bem formal. — Comento.
Justin parece um pouco pensativo quando comento do Scooter. Por fim, diz:
— Cuidado.
Não entendo o que ele quer dizer. Seria Scooter uma ameaça? Eu acredito nisso, ele parece ser uma boa pessoa. É até casado. — Não que ele se torne uma pessoa melhor, ou não, por ser casado, mas se alguém se comprometeu com ele, certamente ele é uma pessoa boa.
— Tá com fome? — Mudo de assunto.
— Sim.
— Quer que eu faça alguma coisa pra você?
— Não precisa. Tem umas comidas congeladas no freezer. É só esquentar no microondas. — Sorrio pra ele e murmuro um obrigada.
Abro o congelador e vejo tudo. Não são umas comidas congeladas, são muitas comidas congeladas. — Imagino que Justin não tenha disposição pra fazer comida todos os dias, mas lembro de que ele não faz nada o dia inteiro, então, talvez, ele não tenha paciência, ou não saiba fazer, mesmo. A maioria ali é espaguete, então é isso que faço. Coloco-os no microondas e espero 11 minutos, que é o tempo de descongelar e esquentá-los. Em seguida, jogo a embalagem fora.
Percebo que Bieber continua me fitando.
— O que foi? — Pergunto me sentindo um pouco incomodada.
— Nada.
— Por que tá me encarando?
— Me responde uma coisa? — Ignora a minha pergunta.
— Sim. — Dou de ombros.
— Quando uma pessoa não sabe nada sobre a outra, mas, mesmo assim, os hormônios estão à flor da pele e anseiam pela junção de corpos, imaginado, então, essas duas pessoas juntas. A testosterona é predominante no corpo dessa pessoa, e mesmo com um cérebro falhado, ele cria ilusões no fundo de sua mente. O que é isso?
Testosterona; É um homem. Cérebro falhado; Justin.
— Desejo, eu acho.
— Hum. — Murmura.
Não sei mais o que dizer. O que ele quer, afinal? Uma hora ele tá todo grosso, e, na outra, diz sentir desejo, e a única mulher com quem ele tá convivendo sou eu. A não ser que ele tenha trazido outra mulher pra cá antes de mim. Faz sentido, afinal.
Tenho essa mania doida de pensar que as pessoas estarão falando mal de mim 24 horas por dia. É um problema meu e eu não sei como isso surgiu nem como pará-lo.
Desperto quando o barulho do microondas indica que o espaguete já está pronto. Tiro-o dali e sirvo para mim e para Justin. Em momento algum ele deixa de observar o que eu faço. Daria tudo para saber o que ele está pensando.
Quando termino, me sento à mesa — ou bancada — junto a ele.
— Tá com fome? — Pergunto quando termino de servir.
— Muita! — Fala de boca cheia.
Eu rio. Justin parece feliz. É apenas com essas coisas simples, que eu consigo ouvir a gargalhada dele. Sorrio com isso, porque, mesmo não sendo íntima, eu me importo bastante. E, além do mais, eu sou fã. É uma história engraçada, mas é a verdade.
Isso se tornou um “amor reprimido” por conta do desaparecimento dele. Eu comecei odiando — Grande merda —, mas sim, eu sou fã — Desde 2009, infelizmente ou não —, então tão é tão difícil pra mim quanto as outras mais novas. É apenas algo diferente porque eu sou mais velha. Sinto que talvez eu deva dizer isso para o Justin.
Ele entenderia? Me expulsaria daqui? Me deixaria ajudá-lo? Não faço idéia.
— No que tá pensando? — Me desperta do transe.
— Numa música. — Minto. — E você?
— Em nada. — Dá de ombros.
Quero perguntar sobre os remédios, porque a única explicação pra ele ainda estar tendo os surtos, é não estar tomando os remédios.
— Justin? — Chamo. Ele me olha. — Posso te perguntar uma coisa?
— Vá em frente.
— Você... — Engulo em seco. — tá tomando seus remédios?
Ia colocar a última garfada de espaguete, mas para e me olha. Franze a testa e eu dou um sorriso pequeno, tentando parecer amigável; Uma tentativa falha. O brilho de antes, dá lugar a um olhar sombrio; O de sempre.
— Eu sabia... — Fala quase num sussurro.
Arrependo-me de ter feito a pergunta. Droga, Geórgia!
— Justin...
— Eu sabia!
— Justin, por favor, não é isso que você tá pensando.
— EU SABIA! — Levanta-se bruscamente e joga o prato de comida longe. Ouço-o quebrando. — VOCÊ SÓ TÁ PERGUNTANDO POR PENA! — Pega uma cadeira e joga longe. E outra, e outra, e outra.
Não sei o que fazer, estou desesperada. De fato, isso é um ataque. Percebo que uma mistura de Transtorno Paranóide e Borderline. Logo me lembro de alguns outros remédios que eu não vi, por conta do barulho que estava vindo da sala. Com toda certeza ele tem muito mais problemas do que eu imaginei que pudesse ter.
Volto a olhá-lo. Ele ainda está tendo os surtos. Vejo uma solução passar pela minha cabeça, mas eu teria de machucar-me. Não quero fazer isso, mas, pelo visto, não tenho outra escolha.
Rapidamente vou até a primeira gaveta do armário e pego uma faca. Respiro fundo e corto. Dou um berro de dor, em seguida.
Justin olha pro meu braço e arregala os olhos automaticamente, mas está calmo. Suspiro, aliviada. A adrenalina é suficiente pra fazer com que a dor passe e eu me sinta bem por meu plano ter dado certo. Só então que vejo que Justin está parado na minha frente, me encarando com um olhar assustado e curioso, ao mesmo tempo.
Sou surpreendida quando ele tira a blusa, rasgando a mesma. Em seguida, amarra o maior pedaço no meu braço. Enquanto ele faz isso, vejo a mesma marca que ficará em mim, nos dois antebraços dele. Elas são bem finas, mas há uma um pouco mais grossa perto do peito dele. Fico pasma, sem reação. Nunca tenho reação na frente dele.
— Você precisa pressionar bem pro sangue deixar de coagular. — Termina de enfaixar e dá um nó.
— Tá melhor? — Sobe o olhar para mim, ao invés do “curativo”.
— Não precisava fazer isso.
— Você tá melhor? — Repito a pergunta ignorando-o.
— Não. — Parece derrotado.
Eu é quem estou.
— Por quê?
— Você se cortou por minha causa. — Passa as duas mãos pelo cabelo, nervoso — Eu só faço as pessoas se machucarem, literalmente.
— Não, Justin, não pensa assim.
— É a verdade! — Exalta sua voz.
Suspiro. Só de imaginar os anos que passei querendo saber o que tinha acontecido com ele; E agora sei. Todo esse caos por conta de amizades incertas, meu Deus! O mundo é cruel!
— Isso é a coisa mais normal do mundo.
— Não é! — Ele me olha assustado e suspira — Desculpa. Isso é novo pra mim.
Sei o que ele quer dizer. Deve estar acostumado a ser tratado como lixo.
— Tudo bem. — Sorrio — Você pode conversar comigo quando achar que deve.
— Obrigada — Me encara. Seus olhos brilham como eu nunca vi antes. Agradeço a minha coragem por isso. Ele parece estar feliz, e eu espero que isso dure.
Por fim, abraço-o. Não sei porquê. Quero que ele saiba que está a salvo.
§
Estou assistindo televisão quando meus pais, Scooter Braun e Patrícia Mallette chegam. — Arregalo meus olhos ao vê-la ali, na minha frente. Eles estão juntos e conversam sobre alguma coisa. Parece ser algo engraçado porque ambos estão rindo. Para que eles não vejam, eu coloquei uma blusa de manga cumprida porque — além do frio — não quero que me encham de perguntas. Não estou com saco para ter de explicar tudo nos mínimos detalhes e blá, blá, blá.
À tarde, Justin disse que iria tomar banho, e trancou-se no quarto. Não vou falar com ele, porque talvez ele queira um tempo só dele, então eu respeito isso.
Finalmente me notam.
— Geórgia, você ainda tá acordada! — Minha mãe exclama ao me ver.
— Tava esperando vocês. — Parcialmente verdade.
— Ah, não precisava. — Ela vem até mim e me abraça.
Vejo que meu pai está com duas malas grandes, provavelmente dele e da minha mãe. Eles são tão exagerados. Parece que vão morar aqui.
— Geórgia — Olho para meu pai —, quero que conheça Patrícia Mallette.
— Ah, por favor, só Pattie. É um prazer em finalmente conhecê-la, Geórgia. — Ela vem em minha direção, me abraça e beija minha bochecha de lado.
Aquele típico cumprimento.
— O prazer é meu, Pattie. — Sorrio para ela, educadamente.
— Bem — Antes que fique um silêncio constrangedor, Scooter pronuncia — Eu vou para o quarto. Fiquem à vontade Senhor e Senhora Uhora.
— Muito obrigada Scott. — Minha mãe agradece. — Eu também vou para o quarto. Você vem Michael?
— Sim. — Então eles vão para seus devidos quartos. Eu e Pattie ficamos sozinhas.
Ela se senta ao meu lado, suspira e me encara. Sei bem o porquê dessa feição. Não gostaria de tocar nesse assunto, mas não posso fazer nada por isso.
— Ele fez alguma coisa, Geórgia? — É explicitamente notável que ela está preocupada comigo, e muito.
Vejo que não posso omitir a verdade para ela, não conseguiria fazer isso, de qualquer forma.
— Eu consegui manter o controle de tudo, não se preocupe. — Pego na mão dela, tentando transparecer calma. Parece que funciona.
— Bem, eu não vou conversar sobre isso agora, porque estou morta de cansaço, mas amanhã nós podemos conversar? — Sugere.
Tento imaginar o rumo dessa conversa. Na minha mente, nós discutimos e gritamos uma com a outra. Ela diz que não posso salvar seu filho, e eu digo que eu estou fazendo o que ela não faz. Isso seria real, se ela fosse outra pessoa.
— Tudo bem. — Sorrio.
Por fim, ela sai.
31 de Dezembro de 2014 10:43 PM — Casa do Bieber, CA — Ponto de vista: Geórgia Uhora. (dois dias para 2015)
Continua...
Em toda mente fria, existe um coração em chamas
Caroline
Ultimamente você vêm se importando com todo mundo. Pense em si mesma agora. Não perca tempo pensando tanto nas pessoas, que nem ao menos vê que você mesma precisa de ajuda. Não é nada egoísta, não. Pense em você antes que seja tarde demais. O mundo é muito mau pra se importar com o próximo
Caroline.
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