Norah estava hipnotizada. Não podia parar de encarar o pequeno filete vermelho localizado na coxa de Poppy. E, como a fada sem rodeios que era, não hesitou em apontá-la, logo abaixo da barra da saia da híbrida, e pedir para analisá-la mais de perto com um sorriso curioso nos lábios. Com o indicador fino, traçava o trajeto em zigue-zague que a marca formava, usando de toda sua delicadeza. Tocava a linha carmesim como alguém toca a mais preciosa das joias. Não sabia se era um local frágil, ou sensível, pois nunca tinha adquirido uma cicatriz própria, então procedia com extrema cautela. “É fascinante, você não acha?” Anunciou, soltando um riso leve ao mudar seu olhar vidrado da marca até a face da colega. “Te incomoda? Dói? Eu posso apertar um pouco?” Bombardeava a outra com um milhão de perguntas, sem pausa. Queria saber mais sobre aquele modelo único que a outra carregava gravada na pele. “É como uma tatuagem, né? Só que foi de graça. Como foi que você conseguiu?” Inquiriu, balançando as próprias pernas, distraída. Tinha certo preconceito com cicatrizes, pensava que se um dia conseguisse uma própria, seria seu fim. Mas aquela de Persephone lhe parecera diferente, tão simpática. Talvez fosse sua singularidade. Ou a beleza da amiga que a complementava, e vice-versa. Talvez fosse aquela a cicatriz que a faria mudar de ideia, percebendo que eram muito mais que marcas ou erros a serem escondidos. Eram histórias a serem relembradas, e o fato da Hyacinth ainda não ter nenhuma, um sinal óbvio de que ela mesma vivera tão poucas.