Transbordando 1
A mente vagueia em lugares escuros e só você possui a luz para iluminar o caminho. É o que dizem. Então começamos a procurar a luz, aceitando que estamos no escuro. Busco a luz nos meus olhos, quando os fecho e sinto o coração apertado com cordas de aço. Quanto mais bate o coração, mais dói, mais aperta. Então procuro na fala, conversando comigo mesma para me entender e listar os pensamentos conturbados. A fala vem acompanhada com água dos olhos que se fecharam, procurando a luz anteriormente. Vamos, então, às mãos. Tatear no escuro, segurando os sentimentos que escorrem entre as fendas dos dedos, caindo pelo chão, me fazendo sentir os pés deslizando. Quase caio. Paro, respiro, com delicadeza, sinto todo meu corpo vibrar nas ondas que batem, salgadas, limpando o que não mais me diz respeito, começando pelo coração que habita meu peito. Ainda estou no escuro. Mas não sozinha. Sou uma pessoa real, consigo me tocar, me escutar, talvez não da forma que eu gostaria, feliz. Porém, consigo escutar meu choro, me abraçar, consigo cantar baixinho uma canção que recordo com carinho. Vou regando, cada gota, rega uma semente. A cabeça dói, o corpo cansa. Mas estou regando. Não peço mais força, não preciso de mais lutas e desafios para confirmar minha batalha. Peço leveza. E vou regando…no escuro. Passando um tempo, o regar ganhou melodia: vou regando e cantando. Feliz, estou melhorando! Canto, danço e…tropeço.
Ainda está escuro. Sinto que pisei em falso, caí no buraco. As sementes que começaram a ser regadas, ficaram lá. Terei que recomeçar. Fecho os olhos, sinto o peito, apertado, a fala trêmula, me fecho, no breu, recomeço.










