«No inconsciente colectivo, a deficiência é muitas vezes vista como um erro que constitui um entrave para a sociedade veloz, eficiente e produtiva. Urge consertar a criança partida, defeituosa, diferente. Se, para os pais, esse esforço terapêutico pode visar a autonomia e bem-estar do filho — objectivos louváveis —, para a engrenagem social, a normalização não descura uma racionalidade económica: quanto mais precoce e intensiva for a intervenção, mais autónoma será a criança na vida adulta, o que a torna em teoria um fardo mais leve para a sociedade.
Em última instância [...], o trabalho da reprodução implica gerar seres humanos que um dia darão o seu contributo à sociedade. Para muitos de nós, contribuir significa, na prática, ser economicamente activo.»