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Existe prazo de validade para o prazer na solitude? Amei-me tanto, tendo apenas a mim no espaço reservado a paixão Se me amei bem já não posso afirmar. Briguei comigo tive tempos de tempestade em que cada parte dormia em um lado da cama. Tentei mandar-me para o sofá tentei separar-me de mim, mas em geral nos bastávamos.
Não sei quando foi, qual o gatilho despertou, mas de repente surgiu este vazio um buraco que não está em meu controle preencher.
As prateleiras parecem altas demais, minhas mãos não alcançam e se quer confio em meus olhos para procurar e parece estar em todo lugar uma tendencia instagramavel uma propaganda sobre a vida ideal eu quero
Eu ainda me sinto esquisita. Como se a tristeza estivesse atrás de minhas palpebras. Eu a sinto ali, incomoda e presa. Não há motivos diz a razão, mesmo assim eu preciso segurar as lágrimas torcendo para não transbordar. Não é difícil, estou bem treinada, mas ainda sinto. Ela está ali se fazendo presente mesmo quando sorrio, quando sonho acordada e digo que está tudo bem. E está tudo bem, a vida anda boa. Sei que o gatilho não é nada além de consequencia de um surto de egoismo e um sentimento de injustiça que não devia ter ocupado tanto espaço dentro de mim.
Devia deixar tudo isso no ontem, lavar minha cabeça com as lágrimas salgadas que pesam meus olhos, quero gritar mesmo que em silencio, mesmo que só meus olhos permanesam abertos, escancarados e raivosos. Quero deixar de sentir, me livrar desta minha versão vergonhosa. Mas sou boa demais em prender tudo o que sinto.