De Medos e Vícios
A claridão me suspende a um ar pouco caridoso,
Seu olhar me corroe, cheio de ardor e mal contaminoso.
Mesmo com muita bondade e um olhar carinhoso,
Por meus olhos e mente apenas vejo a breve dissociação dos pensamentos do jovem Cabanel
Tão frágil, mas tão cruel...
Ambientes pitorescos me remetem aquele momento.
Sua alma suportou qualquer mel contaminado pelo viciante constrangimento.
Quando estrangeiros aparecem, não vejo a prol em contemplá-los,
Por isso tecemos teias, as quais aranhas invejam pela sua beleza de cada detalhe grotesco
Trazido pelo medo.
Cada lata posta a teu lado...
Cada risada por ti projetada...
Cada Lua por ti observada...
Sei que apenas queres fugir desta terrível ocupação do barro mais gasto chamada de realidade.
O brinco de pérola daquela jovem moça,
Como podes, meu querido Vermeer, usufruir de tamanha beleza
Apenas focando no súbito da realeza
De um mundo voltada às asperezas?
Assim via esta Terra incompreendida
Tais jovens cheios de pudor
Que apenas sabiam a sociedade, com as vestimentas do fracasso,
Despojar sua eloquência
Através de um breve momento contagiante
Trazendo o prazer da contaminação da alma
E o medo daqueles que não a tem.
Se o senso comum ater com força sua bondade,
Assim veria a dor pelo mundo repleto de humanidade.
Melhor seria me acabar por aqui
Do que o vício vir atrelar sobre mim.
~Adônis.
06/12/2022 - 19h40














