Caros amigos, arrumei um novo emprego.
Cê deve tá se perguntando: o que o novo emprego tem a ver com o Carnaval? E é bem razoável.
Basicamente, segundo dia na empresa. Cheguei no horário estipulado, tô conhecendo a equipe, como funciona toda a logística.
Tudo fluindo, meu foco total em entender o produto.
Tudo mega tranquilo, pessoas novas, novas metas, um mundo de possibilidades.
No horário do almoço chegou o segundo turno e, até aí, tudo certo. O povo desceu pro almoço, fui junto.
Dentro do elevador que o negócio ficou ligeiramente curioso.
Um dos rapazes do segundo turno parece que finalmente me notou. Nossos olhares se encontraram. Achei estranha a expressão de reconhecimento e incredulidade, mas não continuei encarando. Vai que ele achasse que eu estava flertando. Mantive minha melhor expressão de pão e fiquei olhando pra todo o resto, menos pra ele.
Rapaz bonito, mas não tô no trabalho pra isso.
Depois do almoço, conversa vai, informação vem.
— Tenho a impressão que te conheço.
Fiquei confusa, mas não descartei a possibilidade.
Ele realmente não me parecia um completo desconhecido.
Fizemos todo um mapeamento sobre possíveis lugares em que pudéssemos ter nos conhecido.
— Teu olhar é muito expressivo, de predador.
— Amigo, eu sou só uma planta.
— Você não parece uma planta.
— Sou sim. Só que carnívora.
Depois disso ele saiu pra fazer alguma coisa.
Quando retornou, outra afirmação:
— Não tenho certeza de onde te conheço, mas eu lembro dos teus olhos perigosos, do teu cheiro, dos feromônios.
Eu não estava levando a sério. O flerte é algo comum, cada pessoa tem sua tática.
Mas a questão dos feromônios me acordou para os fatos.
Ele não tava falando como alguém que acabou de descobrir algo.
Estava falando com uma memória viva.
Esse é o tipo de coisa que escuto das minhas vítimas.
— Cara, eu fiquei contigo no Carnaval.
Lembrei do bloco da Anitta. Eu juro que não queria acreditar.
Então o querido relatou sobre o tal dia.
Como o amigo o alertou, ele estava um tanto alheio no meio do Carnaval.
— Essa ruiva que passou aqui já passou pela terceira vez. Essa mina tá de maldade.
Por fim, a mesma ruiva tropeçou no gin dele, pediu um pouco de gelo.
Ele divagou sobre a conversa com a ruiva, que beijou ele.
— Eu não estaria aqui se tivesse namorado.
Ele disse que a ruiva o provocou, o beijou com gosto e depois sumiu na multidão, no típico clima aleatório de Carnaval.
Tenho certeza que minha cara foi trocando de tonalidade, pois, à medida que ele foi relatando, as lembranças voltaram.
Rio de Janeiro é um ovo. Eu definitivamente não posso ficar solta durante o Carnaval.
Estou chocada com essa ilustre coincidência, meus queridos. Essa é a fofoca de hoje.