já faziam anos que Nicholas não visitava aquele lugar.
ele evitava qualquer coisa que pudesse lhe lembrar daquela noite fatídica, de sua vida passada, como o diabo evitava a cruz. ao que ele observava o nome dos pais gravados em lápides lado a lado, os dedos se colocaram debaixo da gargantilha que vestia, tocando a cicatriz em seu pescoço, que fora o ferimento responsável por tirar-lhe a vida. a memória do sangue quente escorrendo pelo peito, a falta de ar, a consciência lentamente lhe esvaindo de uma vez por todas — o fez estremecer.
Nicholas se convence que o tremor fora pela brisa fria da noite. ele ri.
com uma última olhada para os túmulos e um suspiro pesado, ele veste novamente o capuz, determinado a ir embora. não havia mais nada para si naquela cidade, apenas cadáveres e corações quebrados. as mãos se escondem dentro dos bolsos do casaco, e as pernas o direcionam até o portão de entrada do cemitério. normalmente, seria mais cauteloso, visto que toda a sua existência era baseada em viver nas sombras — estava em plena madrugada, no entanto, e julgou que não seria extremamente necessário.
nunca poderia imaginar o quão enganado ele estaria, pois, ali no meio do cemitério, havia uma figura agachada em frente a um túmulo. uma figura que ele conhecia até bem demais. Nicholas para, camuflado na escuridão, a respiração tornando-se mais silenciosa. os passos pesados, barulhentos no cascalho, contudo, provavelmente já tinham entregue sua presença.
ele o observa, e simplesmente espera que o antigo parceiro reconheça sua presença.
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