⧼ camila morrone, costureira, materiocinese, MORGANITE ⧽ — Eu, ESPERANZA MARTÍN, 25 anos, vinda de BALANQUA, me comprometo a realizar o requerido junto à Corte de Luz, deixando minha antiga vida para trás, e assumindo, desde já, os encargos deste serviço, nos termos deste contrato.
𝐑𝐀𝐆𝐎𝐓𝐄𝐑 —
Como era a vida antes de ser recrutada? A vida em Balanqua podia ser cruel se você não fizesse parte da nobreza. Sem pai conhecido e com uma mãe doente, Esperanza não tinha muitas perspectivas - na verdade, seria uma sorte se chegasse aos trinta sem passar por nenhuma situação degradante. Porém, a garota era resiliente e, apesar de tudo, encontrou meios de sobreviver, tendo aprendido a costurar sozinha aos 13 anos, depois de muito espetar os dígitos em agulhas. Com 15, já era bastante eficaz, apesar de pouco criativa, e aos 17, já tinha se tornado conhecida por suas peças diferenciadas entre os de seu estrato social. As coisas pareciam estar indo bem aos 19, até que a mãe não mais resistisse, sucumbindo à doença. A essa altura, Esper já era uma mulher madura e não foi tomada pelo desespero como seria de imaginar, pois ainda era capaz de costurar, afinal, e seus vestidos vinham se tornando cada vez mais requintados, especialmente depois que ela descobriu que qualquer ornamento que desejasse se acoplava ao tecido sem muito esforço depois de correr os dedos sobre a peça em que estivesse trabalhando. Com 20, a sorte finalmente parecia sorrir para ela: a primeira chance real de expansão de seu negócio. Podia ser esforçada, mas sendo mulher, e sozinha, sem investidores, dificilmente realizaria o sonho de abrir seu ateliê e vestir a alta sociedade. Os Thorn pareceram, naquele momento, seu bote salva-vidas. Ela só tinha que assinar um contrato e seguir com eles e tudo ficaria bem.
No fim, a balanquana não era tão esperta quanto pensava; perto daqueles homens, era só uma garota ingênua que mal falava a língua deles. Protestos e xingamentos em seu próprio idioma até que a garganta ardesse e a voz saísse rouca, assim como o quase arrancar dos olhos de Jasper Thorn com suas unhas afiadas não podiam alterar seu destino. Era uma tola e pagaria por isso: Blue Spring Manor não era um ateliê famoso de Osfro. Fora enganada pelos irmãos para que servisse como uma de suas “garotas luz”, depois de ser submetida a um estranho teste que revelou como poderes o que ela considerava uma banalidade enquanto costurava seus vestidos; um descuido de Ozhiel, de quem sua mãe tinha sido bastante devota e ela, por tabela, se tornara. Depois, já era tarde demais para retornar para a antiga vida e sabia que não receberia ajuda alguma. Culpepper também foi enfática ao sinalar que sua melhor chance, sua única chance de ter uma vida decente era em Adoria, completando o treinamento e fazendo o que lhe ordenassem.
À contragosto, a Martín foi aos poucos cedendo e participando das aulas. No início, não demostrava interesse, havendo algumas áreas nas quais, sabia, nunca seria boa, como línguas - Culpepper ministrava tudo na língua oficial de Osfro, sem se importar muito se ela estava acompanhando. Também era um desastre em canto, embora fosse relativamente boa em dança (era uma das poucas coisas que lhe alegrava na infância). Sua bênção de Ozhiel também a tornava melhor que a média em artes e artesanato, mas foi sua devoção e interesse pelos Anjos Gloriosos que fez dela um dez em religião, área comumente negligenciada pelas demais garotas, por saberem que isso não faria com que impressionasse nenhum marido.
O que era um continente selvagem para quem sempre tinha estado no topo da pirâmide? Esper podia não estar interessada em casamento, mas não era burra. Sabia que a classe dominante de Adoria importava tudo o que considerassem luxuoso ou remotamente aristocrático de Osfro, o que queria dizer que uma estilista seria, por eles, recebida de braços abertos. Se ela tivesse apenas a chance de mostrar seu trabalho, se livraria da Corte de Luz não muito depois de pisar no Novo Mundo, só precisaria arranjar algumas peças de ouro para pagar pelo próprio preço. Além disso, depois de todo o engodo, os Thorn seriam obrigados a negociar com ela. No mínimo, um desconto lhe era devido!
𝐂𝐎𝐍𝐃𝐔𝐈𝐓𝐄 —
Forte e resiliente, apesar dos desafios que enfrentou em sua vida. Perder a mãe foi um grande golpe para ela, mas Esper aprendeu a lidar com a dor e a tristeza. Sua experiência de ser enganada e levada para outro país também a ensinou a ser cautelosa e a confiar mais em si mesma. Ela é uma pessoa muito religiosa e encontra conforto em sua fé em Uros, acreditando em valores como amor, perdão e compaixão, e tenta aplicá-los em sua vida diária. Ela também é uma pessoa espiritualizada, que acredita que há um propósito maior na vida. Apesar de bonita, não se considera superficial, não se percebendo como alguém que possa se destacar pelo poder de sedução ou pela aparência - reflexo de sua pouca predisposição para o uso do corpo como arma, hiperfoco no trabalho e impaciência para assuntos que não lhe interessam - homens sendo um deles. De origem balanquana, ela é orgulhosa de sua cultura e tradições, podendo se mostrar invasiva, raivosa e inapropriada em alguns momentos. É teimosa em suas crenças e opiniões, o que pode levar a conflitos com outras pessoas. Na Corte de Luz, mostra-se por vezes desconfiada ou reservada, o que pode afetar seus relacionamentos. Tem uma tendência a se isolar e a lidar com suas emoções sozinha, por sempre ter vivido dessa forma, em vez de pedir ajuda ou apoio aos outros. Assim, é comum que se sinta sobrecarregada e solitária em momentos difíceis.















