Vi/sentisse
Eu lembro com detalhes do blusão de cor musgo desbotado que você sempre me pedia de volta, e que menti por muito tempo sobre, não queria devolver de jeito nenhum. Pus na mala do jeito q você me emprestou,sem lavar, sem passar. Sem esperanças de (te) guardar de novo, só pra manter seu cheiro,sua banda favorita estampada no meu peito. Peito esse que doeu fazendo suas malas pra nunca mais voltar, não aguentou sem você e um dia desses parece que parou por dois minutos , talvez na quinta-feira passada.
Naquela noite, você que sempre fez questão de abrir pra mim, dessa, eu que abri o porta-malas do carro.Eu deixei lá o peso. Abri e não aguentei olhar por muito tempo,as lembranças são sedutoras, sedentas pra cegar alguém. E eu fechei. Fechei e sai correndo porque não queria sentir nada além do alívio de fugir de mim, queria te enxergar de longe somente como um ponto distante . Um ponto q eu clamava pra ser o final.Quantas vezes temi que o fosse....
De todas as malas q eu fiz na noite que você foi embora, a que eu espero que você nunca ache: a minha. Eu a fiz, não me perdoo por isso. Quem faz uma mala se não vai junto? Eu queria te marcar. Lembro de levá-la até o meio fio da Rua 13, sem esforço, mas rápido.Enquanto você estava de costas, me dupliquei ás pressas para que você não vi/sentisse. Rompi as barreiras do tempo,fui ao passado,gravei numa fita cassete cada risada de momento nosso e cada sensação na hora do beijo .
Caro Unk., Espero q seja leve lembrar de mim, se o fizer,me encontrando onde me escondi aí dentro. Não duvido,acho que você nem encontra.Só enxergue o moletom e as roupas de inverno. Afinal, pra encontrar é preciso procurar.
Não duvido que esqueci em casa de propósito algo só pra te manter por perto, apesar de nada substituir aquele moletom..... Não duvido que toda fita tem cópia e eu fiz pra mim mesma, na esperança que você se lembre tanto quanto eu lembro, toda quinta quando toca Bee Gees no coffee que só por insistência sua eu frequentava.
Não duvido, tenho certeza. Fiz pensando em ser lembrada, a hipótese de ser esquecida me assusta. Aproveite a viagem. Até.
~ quelz

















