@naeunb
Raiva. Era o que se traduzia pelo modo que a expressão normalmente impassível se contorcia, e o ruído alto que os saltos reproduziam ao serem pressionados com força contra o piso do restaurante a cada passo, em sua caminhada para longe da situação no mínimo chamativa que havia acabado de protagonizar. Às vezes, estar ao redor das pessoas da empresa podia ser verdadeiramente sufocante; e o álcool não passava da fagulha necessária para o incêndio começar. Então, se retirara para o lugar mais pacífico naquele âmbito que poderia encontrar: o banheiro. Encarava o próprio reflexo borrado no espelho, enquanto a mente fervilhava, pensando sobre o que acontecera, o que viria a acontecer, e ao mesmo tempo tentava engavetar as emoções que deixara chegar à flor da pele e retornar à postura indiferente que normalmente carregava. Tamanha concentração, que sequer captara os sons que anunciavam a entrada de outrem no ambiente. “Você não precisava ter me seguido até aqui.” Enunciou, sem desviar o semblante da própria figura na vidraria. “Os brincos estavam me incomodando. Os sapatos também. A não ser que tenha vindo usar o banheiro, não perca o seu tempo aqui.”














